alcatruz

Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt

17.4.26

 

Homens e mulheres

Os homens sozinhos resistem menos bem do que as mulheres. Aos mais velhos, a progressiva desocupação dos dias deixa-os atarantados, órfãos tardios das enxadas e da protecção materna.

As mulheres inventam tarefas. A serventia das mãos activa-lhes o cérebro. Quanta ciência escondida numa colher de fermento! Quanta geometria e matemática somadas num tapete! Ladinas, séculos de artifícios a garantir-lhes sobrevivência, sabem enganar a monotonia dos dias. As mais novas sofrem mais.


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10.5.23

 

Velhotes felizes


"A Universidade de Harvard desenvolve um estudo sobre a felicidade que já dura há oitenta e quatro anos . Robert Waldinger que deixou agora de coordenar o estudo, escreveu “a maior surpresa foi constatarmos que as nossas relações e o quanto somos felizes com elas, tem uma influência muito poderosa na nossa saúde”.

Vai mais longe, “quando juntamos tudo o que sabemos sobre alguém com cinquenta anos, não é o seu nível de colesterol que é um predictor da qualidade do envelhecimento. É o quanto está satisfeito com as suas relações. Os mais satisfeitos aos cinquenta são os mais saudáveis aos oitenta”.

Quando pensamos em relações imediatamente nos levamos para as amorosas e familiares. Obviamente, que são muito importantes, mas não determinantes. Todo o tipo de relações.”  José Gameiro

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12.12.22

 

O mercado oportuno

 

Mais de um milhão de portugueses tem alguma incapacidade

A incapacidade em andar ou subir escadas (portanto, ao nível da mobilidade) é a mais prevalente no país e afecta 6,1% da população.

Investimento no setor imobiliário comercial soma 1.100 milhões no terceiro trimestre

“Queremos promover literacia imobiliária no mercado imobiliário português” – Gonçalo Roxo - PME Mag.

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27.11.22

 

Velhos ou manjericos?



 Pirâmide etária...







ou manjerico etário?

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20.4.21

 

Portugueses felizes

 

Três quartos dos seniores estão satisfeitos com a vida.

Deco Abril 2021

Uma parte significativa dos pobres declarou-se feliz.

“A Pobreza em Portugal – Trajectos e Quotidianos”, Fundação Francisco Manuel dos Santos

A grande maioria (81,7%) dos adolescentes portugueses considera-se feliz.

Health Behaviour in School-Aged Children (OMS)

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25.3.21

 

A história da minha ida à vacina de C 2019


Numa bela manhã de sol, muitos velhos em três filas aguardavam a sua vez como se fora dia de eleições. 

Ou a partida para um cruzeiro de terceira idade, o pavilhão como o navio atracado. 

Como éramos todos velhos e muitos muito gastos com as mazelas inerentes, a cena recordou-me o auto:

 - À barca, à barca, houlá! que temos gentil maré!

Tudo estava bem organizado para a partida; como nos íamos vacinar ninguém respeitava o distanciamento mas todos tinham máscara, o que acentuava a surdez anciã pelo que não percebi bem a pergunta do jovem que preenchia o questionário: Sabe escrever?                                        Vacinados (muito bem) esperámos meia hora numa sala vazia e silenciosa.

- À barca, à barca, mortais…

Os velhos são os primeiros a ser vacinados por terem sido os que morriam mais (muitos dos quais em lares) e era urgente “salvar vidas”.

Ignoraram-nos mas nem agora é a nós que dão prioridade mas à nossa sobrevida por razões epidemiológicas ou de má consciência.      Agora procuram que os velhos sobrevivam muito mais tempo nos seus lares. Com um certificado de imunidade vitalícia para que, vacinados, não vão contaminar o outro mundo.

“Não queremos que os nossos velhos vão encher o Céu de coronavírus”.

Vacinam-nos como embalsamavam os faraós para que continuassem a viver no além como cá viviam.

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5.3.21

 

Imunidade de grupo altruísta

 As vacinas como cascas de nós

Dado o atraso no fornecimento, 90% das vacinas disponíveis destinam-se agora a “salvar vidas” da pessoas com 80 ou mais anos e das com mais de 50 anos com doenças de maior risco para a covid-19 e apenas 10% a “ir reforçando a resiliência do Estado em período de pandemia”.

Não sei se ouviram a opinião dos alvos desta distinção. Imagino um casal de velhos a comentar este critério: Ela tem quase 80 anos e ele, achacado, mais de 80, pelo que depende muito dela. Irão ao Centro de Saúde quando couber a vez ao marido mas só ele será vacinado; que lhe acontecerá se ela adoecer?

Ele sobreviverá mas com que qualidade de vida? Terá dado consentimento, informado deste risco? Poderá ceder o lugar à mulher? Não seria lógico vacinar também a mulher?

Outro casal, com semelhante diferença etária mas em que é a mulher que está doente, conversa sobre os critérios de prioridade da vacina. O marido pergunta quem ela escolheria para vacinar lá em casa havendo uma só dose disponível.                      - Tu, respondeu, generosa mas sensata. Depois, matutaram e escolheram a empregada. E não estavam a ser altruístas; de que lhes serve sobreviver se lhes faltar quem os ajuda?

Há 42000 idosos que vivem isolados ou sós; a GNR visita-os regularmente – são os únicos contactos que têm. Pela nova directiva, estes idosos serão vacinados antes dos guardas; ao saber disso pensou o velho: Estou pr’aqui sozinho, o bicho não vem ter comigo; a vacina seria mais bem empregada nestes amigos, as únicas visitas que vou tendo. De que me serve sobreviver vacinado se me faltar quem me visite?        Se cada um destes guardas visitar 30 idosos e for vacinado, uma vacina protegê-los-á a todos – activa ou passivamente; também a família ficará em menor risco. Depois lhes chegará a vez.   

 Quando as vacinas são escassas há que tirar o máximo benefício de cada uma.            

Os “doentes de maior risco para a covid-19 com mais de 50 anos” também se interrogam: de que me serve sobreviver se me faltar quem me ajuda? Não me importaria de partilhar a vacina com ela/ele quando chegar a minha vez…                                       

Para uma imunidade de grupo altruísta.

Depois de vacinados os médicos / enfermeiras e participantes das unidades Covid e dos lares (utentes e funcionários) creio que estes velhos e doentes dariam prioridade aos seus cuidadores (informais e formais). Por cada um que se imunizasse proteger-se-iam muitos cujos apoios (e única fonte de contágio) são estes.

Estranho que as normas internacionais privilegiem a sobrevida de indivíduos isolados (maiores de 80 anos) em detrimento das “famílias com velhos >80A”. Propõe-se que “a prioridade terá de ser conferida à vacinação dos grupos mais em risco e daqueles que os podem proteger”. Na doença e na saúde, – também as famílias e os cuidadores.    

A noz não sobrevive sem a casca; nós, velhos ou doentes, também não.

 É por isso que é do interesse dos europeus partilhar vacinas com os africanos para evitar uma vaga boomerang de que o fluxo de emigrantes clandestinos é o modelo.

Let’s show enlightened self-interest and altruism and immediately commit to sharing vaccines equitably around the (old) world.


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21.2.21

 

Sobreviver só?

 

O coordenador do plano nacional de vacinação contra a covid-19 informou que 90% das vacinas disponíveis destinam-se agora a “salvar vidas” a pessoas com 80 ou mais anos e às com mais de 50 anos com doenças de maior risco para a covid-19 e apenas 10% a “ir reforçando a resiliência do Estado em período de pandemia”.

* Sustida a violenta investida inimiga, o chefe da caravana atacada, condoído, distribuiu as escassas couraças que havia pelos mais frágeis, que haviam ficado com as crianças.

O último guerreiro e o último atacante morreram no último combate; os velhos e as crianças sobreviveram mas ficaram sós.

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16.2.21

 

A vez de vacinar os velhos


Motivados por um “imperativo ético e uma preocupação científica”, um grupo de cidadãos de grande prestígio escreveu que “o fator idade (devia ser) elemento essencial das prioridades da vacinação” numa carta que o Público divulgou apesar de dirigida ao PM e PR. https://www.publico.pt/2021/01/26/sociedade/opiniao/carta-aberta-criterios-vacinacao-prioritaria-plano-vacinacao-covid19-1947843

Não sei se ouviram a opinião dos alvos desta distinção.

Imagino um casal de velhos a comentar este critério: Ela tem quase 80 anos e ele, achacado, mais de 80, pelo que depende muito dela. Irão ao Centro de Saúde quando couber a vez ao marido mas só ele será vacinado; que lhe acontecerá se ela adoecer?

Sobreviverá mas com que qualidade de vida?

Acrescentaram-lhe anos à vida mas será viver o tempo que ainda lhe resta? Terá dado consentimento informado? Poderá ceder o lugar à mulher?

Outro casal, com semelhante diferença etária mas em que é a mulher que está doente, conversa sobre os critérios de prioridade da vacina. O marido pergunta quem ela escolheria para vacinar lá em casa havendo uma só dose disponível.                       - Tu, respondeu, generosa mas sensata. Depois, matutaram e escolheram a empregada. De que nos serve sobreviver se nos faltar quem nos ajuda?

Uma velha viúva vivia isolada na sua casa de onde raramente saía; era apoiada por jovens do SS que a visitavam diariamente. Um dia faltaram; ficaram em isolamento profilático por contacto de risco…

Depois de vacinados os médicos / enfermeiras e participantes das unidades Covid e dos lares (utentes e funcionários) creio que estes velhos escolheriam os cuidadores (informais e formais). Por cada um que se imunizasse proteger-se-iam muitos cujos apoios (e única fonte de contágio) são estes.

No fundo, transpunham para a unidade familiar o critério usado nos lares de idosos.

Estranho que as normas internacionais (que o grupo usa como padrão) privilegie a sobrevida de indivíduos isolados (profissionais de saúde e maiores de 80 anos) em detrimento das “famílias com velhos >80A”.  O grupo defende que “a prioridade terá de ser conferida à vacinação dos grupos mais em risco e daqueles que os podem proteger”, mas nestes não inclui as famílias.

Tentam combater o incêndio dirigindo a água para as chamas e não para as brasas.

Claro que é mais fácil a logística em função dos indivíduos e da idade mas a facilidade será critério aceitável quando ignora a família nuclear, a unidade social?

2. O grupo é constituído por personalidade de prestígio que não terão dificuldade em se fazer ouvir no MS, na DGS e pelos seus colegas da task-force.

Presumo que o terão feito sem sucesso pelo que, em recurso, apelaram ao PM e o PR; já não compreendo que o tenham publicado.

Toda a deliberação estratégica numa situação pandémica é difícil e discutível; mediatizar uma crítica destas fragiliza ainda mais a confiança pública que consideram “necessária à eficácia de todo o processo de vacinação.”

O velho que estava feliz por finalmente haver uma vacina a que ele terá acesso em breve – a única boa notícia depois de um ano de angústia -  ficará agora na dúvida se não terá sido menosprezado.

3. Felizmente que a grande maioria é sensata; preferirão ser dos últimos a ser vacinados este mês do que os primeiros do mês que vem.

Velho com “Vício de Pensar” (de JM Ramos de Almeida)

 P.S. Afinal valeu a pena a “fuga de informação”:            Todas as pessoas com mais de 80 anos vão ser incluídas na primeira fase de vacinação

Tapemos a boca ao mundo, o velho disse:                                                  Rapaz, desce do burro, que eu monto,                                                           e vem caminhando atrás.

Curvo Semedo 

 

ANJO Que andais aqui fazendo?                                                         ALMA Faço o que vejo fazer polo mundo.

ANJO Ó Alma, is-vos perdendo! Correndo vos is meter no profundo!   Quanto caminhais avante, tanto vos tornais atrás e através.         Tomastes, ante com ante por mercante, o cossairo Satanás, porque creis…

Auto da Alma.

Tapemos a boca ao mundo, disse o PM ao Tiago                                 fechemos as escolas já antes que faça nos mais estrago.

Torto Semedo 

 

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20.1.21

 

A divina colheita 2021

E a vessada continuava, alheia....

“Tocar a anjinhos na torre era tão natural como tocar às avé-marias. Se o sino grande da irmandade abria o seu vozeirão a chamar, ainda um frémito de terror percorria a veiga. Agora se badalava o pequeno, ninguém fazia caso.

- Parece que ouço sinais...

- É um anjo / velho.

E a vessada continuava, alheia às enterites / Covid da primavera que dizimavam a infância  / velhada da freguesia.

- Anda Deus a fazer a sua colheita.”

Miguel Torga. A criação do mundo (O terceiro dia) Coimbra 1952.

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24.12.20

 

Globo antártido

…. este telemóvel que a minha afilhada me deu – ela sempre que muda para um telemóvel de gama alta dá-me o antigo - e que já me permite vê-los a todos por vídeo...
Já viu como o mundo mudou? Mudou muito, muito, muito.

* O que já não servia aos irmãos mais velhos ficava para os mais novos.
O que agora já não serve aos mais novos fica para os mais velhos

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8.4.15

 

sóniores


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19.1.10

 
respigo

Inverno
Os velhos são pássaros que deixaram de voar.
Clara Ferreira Alves. Única.Expresso 15.1.2010

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