alcatruz

Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt

31.5.05

 

Arqueologia contemporânea. Ornamentos azteca: brincos, colares, tiaras, pulseiras no Museu de arte contemporânea de Bilbao.

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O Império Azteca no país basco

O museu Guggenheim apresentava uma enorme colecção temporária de arte- El Imperio Azteca. O que mais me agradou foi a sofisticada delicadeza da arte popular de barro, o único material permitido ao artesão.
Magníficas esculturas de enormes cobras enroladas em espiral cónica: serpentes emplumadas umas, cascavéis outras, a tirar pelo rabo.
Pela amostra, seria uma sociedade bárbara; os deuses e os senhores estavam exuberantemente decorados – colares de conchas e de corações humanos; diademas de crânios de fetos ou de humanos microcéfalos. Jóias de oiro, jade e outros materiais nobres contrastavam com ossos humanos a perfurar o nariz, enormes brincos de oiro e pedras incrustados nas orelhas como botões de camisa. Os lábios inferiores estavam perfurados por arganéis de cabeças de serpente como amuletos.
Os guerreiros representavam-se adornados de cabeças de águia, a cujo poder mágico aspirariam.
Brincos, tiaras, colares, pulseiras, arganéis, prosápia barroca, sacrifícios humanos, camisolas de Figo, cachecóis do clube, nada de novo e nada de ultrapassado. Comecei a perceber melhor Cortez.


No país basco era Verão – 36º em S. Sebastian com muita gente na praia; praia voltada a norte com água tépida pela corrente do Golfo; golfo do México, donde também veio a colecção azteca. Peças que desde há centenas de anos suportam temperaturas altas e que, agora, no Museu Guggenheim se arrepiam de frio. Por quê?

Na viagem por Castela, imensos campos de milho (uma cultura azteca) sofriam com a seca; num restaurante de autovia fomos servido por um descendente duma índia poupada por Cortez.

 

Museu Guggenheim, Bilbau.
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Bilbao. Museu Guggenheim

Frank Gehry pegou nas proas dos velhos navios da sucata da beira-rio, tirou-lhes o miolo e amontoou-as umas sobre as outras, a esmo, cada uma virada para seu lado, cobriu-as de titânio e construiu uma magnífica escultura arquitectónica, para o museu de arte contemporânea. A ver ao fim da tarde.
O interior é espectacular – a amplitude, a altura, a luz, deslumbrantes superfícies curvas de uma elegância sensual, curiosamente desenhadas por computador. Pena que o arquitecto não tenha tido a coragem de mandar retirar os andaimes -- as grossas vigas de aço que atravancam o interior, coarctam o espaço e mitigam o deslumbramento; a semi-frustração que os antigos teriam ao entrar nas catedrais góticas ainda em obras. Também os vitrais foram uma solução muito mais conseguida que os focos de lâmpadas suspensas.

A recuperação das degradadas margens do rio foi exemplar: eléctricos deslizam sobre relva, passeios pedonais e ciclo-vias ao longo do rio. Gigantescas estátuas de ferro de muito boa qualidade lembram também o passado mineiro de Bilbau.


Em 1998, a Igreja de Siza Vieira em Marco de Canaveses, ganhou o prémio IberFAD de arquitectura, vencendo o Museu Guggenheim de Bilbau de Frank Gehry.



 
“Cinco dias, cinco noites”

Era por esta fronteira, por onde entraram rainhas e saiam reis que, antes de haver IP4 ou E82 e quando havia fronteira, passava contrabando, saiam emigrantes clandestinos e perseguidos pela polícia e tentavam entrar “republicanos” espanhóis que procuravam refúgio da vingança franquista.

30.5.05

 

História de Portugal pela E 82

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História de Portugal pela E 82

1. Gimonde. A cinco quilómetros de Bragança, a caminho da fronteira, “... num abrigado fundo, a aldeia velha de Gimonde, ponto de convergência de três rios: Sabor, o Onor e a Frio, com três pontes, uma delas bastante antiga (talvez de raiz romana) de xisto, lançada sobre o rio de Onor”, por onde a Rainha Santa Isabel terá entrado em Portugal. Fiadas de negrihos nas margens, fiadas de poldras para atravessar o rio e fiadas de guardanapos a corar na varanda do D. Roberto.
Perto fica “Babe ... a velha povoação, encardida e rude, com sua velha fonte de mergulho, os cortelhos a ressumar estrume. Ao cimo está a capela, com esta legenda:
Aqui, a 26 de Março de 1387, D. Filipa de Lencastre se despediu de seus pais - Duques de Lencastre, depois de se ter sagrado rainha de Portugal pelo seu casamento com D. João I . Em 2 de Fevereiro de 1387” (Guia de Portugal)


2. Alcañices, pequeno pueblo onde D. Dinis e o Rei de Leão e Castela terão feito as pazes e acordado as fronteiras de Portugal, as mais antigas de um país europeu. *

3. Zamora. Cidade do reino de Leão, onde o chefe vitorioso da guerrilha portuguesa, foi declarar a independência de Portugal e coroar-se rei em 1143, sob a mediação do legado do Papa. Uma bravata mais castelhana que portuguesa.
Como se Amílcar Cabral tivesse ido à Madeira assinar a independência da Guiné sob o patrocínio do delegado da ONU.


4. Toro. A última tentativa militar da coroa portuguesa para anexar as de Leão e Castela; Afonso V casara com a sua sobrinha D. Joana, a Beltraneja, herdeira da coroa de Castela cuja causa foi ali derrotada pelos partidários dos futuros Reis Católicos (1476). D. Duarte de Almeida, o Decepado, só largou a bandeira quando lhe deceparam os dois braços
Vencida, D. Joana morreu no Convento de Stª Clara, em Coimbra.

5. Tordesilhas, onde os procuradores dos reis de Portugal e de Aragão e Castela dividiram o mundo em 1494; não o mundo conhecido como em Yalta, 450 anos depois, mas o mundo por achar.
Os geógrafos portugueses empurraram o meridiano para 370 léguas do arquipélago de Cabo Verde, com o que ficaram com o direito ao Brasil; por não saberem calcular bem a latitude nos antípodas, Portugal foi obrigado a comprar as Molucas que lhe pertenciam pelo testamento de Adão.

Depois é já a E 80, Simancas e a história de Castela e Leão.

" Tratado de Alcanizes: «En o Nome de Deos, Amen. Sabham quanto esta Carta virem, e leer ouvirem, que como fosse contenda sobre Vilhas, Castelos, e Termos e partimentos, e posturas, e preitos antre nós Dom Fernando pela graça de Deos Rey de Castella, de Leon, de Toledo, de Galiza, de Sevilha, de Cordova, de Murça, de Jaen, do Algarve, e Senhor de Molina de hua parte, e Dom Diniz pela graça de Deos Rey de Portugal, do Algarve da outra, e por razon destas contendas de suso ditas nacessem antre nós muitas guerras, e omizios e eixessos en tal maneira, que nas terras dambos foron, muitas roubadas, e queimadas, e astragadas, en que se fez hi muito pezar a Deos por morte de muitos homeez; veendo, e guardando, que se adiante fossem estas guerras, e estas discórdias, que estava a nossa terra dambos en ponto de se perder pelos nossos pecados, e de vir a maãos dos inimigos da nossa fé, A acyma por partir tão grão deservisso de Deos, e da Santa Heygreja de Roma nossa Madre, e Tão grandes danos, e perdas nossas, e da Christandade por ajuntar paz, e amor, e grão serviço de Deos, e da Heygreja de Roma...Era de 1335 annos (1297 da era de Cristo)

Sensato.

 

Uma constituição, fundamento de todas as leis, não deveria apoiar-se numa maioria qualificada?
Qual o valor duma constituição suportada por metade dos votos de metade dos eleitores?


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L@ pint@da@, l@ constitución, o referendo ?
A incompreensão, a descrença, a abstenção ?

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25.5.05

 

arqueologia contemporânea; produtos de vida longa, cartazes duradoiros.

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24.5.05

 

arqueologia industrial.
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O essencial não engorda o monstro

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300 e tal cabos de martelo
Afinal as contas das autarquias não foram avaliadas na estimativa do défice.
Um meu amigo, genial professor de Direito em Coimbra, resolveu fazer contas; ao fim do dia registou: 20 para cafés, 30 para jornais, 50 para cinema, etc.

Como os gastos eram muito superiores às parcelas, resolveu o problema: 200 para diversos...

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SNS mal gerido; médicos e doentes "farmacolizados"

* ... o SNS é "um dos principais factores de aumento da despesa pública em Portugal"

* Em Portugal, a prescrição de medicamentos é muito mais elevada do que noutros países

* Metade dos portugueses não deixaria de interpelar o médico se ele terminasse a consulta sem lhe receitar um fármaco. Villaverde Cabral. “A Saúde e a Doença em Portugal” 2001

* Entre 1994 e 2002, a despesa com medicamentos teve uma taxa anual de crescimento de 10,9%, enquanto a dos restantes encargos foi de 8,2%.


* No primeiro trimestre de 2005, a venda de medicamentos nas farmácias cresceu 12,8%, em relação ao mesmo período de 2004. Cefar (ANF)



23.5.05

 
O cabo do martelo

Valor do défice é de 6,83% do PIB
Não sei o que mais me agradou nesta novela:
Se a longa encenação para nos preparar para o óbvio (a “ensaiada surpresa”, na magnífica expresso de Jerónimo de Sousa, do PC),
Se o cuidado em adiar a notícia para o fim do jogo,
Se o requinte duma estimativa às centésimas.
Em Porto da Lage, a minha aldeia, um servente gritava o tamanho duma trave: “três metros e o cabo do martelo”.



 

A vida para lá do défice

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A vida para além do défice
"Entre um e outro mo­mento, entre Malevich e o fer­ro de Richard Serra, surge a luz de James Turrell. Aparen­temente monocromática, pro­jectada em rectângulo azul, transforma a entrada na expe­rimentação de um estado se­mi-ilusório de vigília, desmate­rializando paredes e chão."
Ana Ruivo. ACTUAL.EXPRESSO 21-5-2005 «Colecção Berardo - Construir / Desconstruir / Habitar» CCB
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A vida para além do défice

"Dois quadrados negros en­frentam-se sobre papel. Diferenciam-se nas escalas, nos jogos de equilíbrio propos­tos, nas distâncias pressenti­das na brancura, e dão corpo a um vocabulário pictórico on­de o mundo se transmuta na pura abstracção da forma geo­métrica. O que outras vezes foi registo da cor, aqui defi­ne-se como contraste pre­to-branco na visão das forças que constroem o espaço, num só plano.
Mas adiante os qua­drados negoceiam a sua exis­tência num diálogo de assime­trias que os retira, em peso, ao papel. Que os força à saída da bidimensionalidade primeva, tombando de aresta no chão, assentando de lado à parede, forjando um equilíbrio que en­volve o espectador na percep­ção da obra, alimentando-lhe o desconcerto do visto."

Ana Ruivo. ACTUAL.EXPRESSO 21-5-2005
«Colecção Berardo - Construir / Desconstruir / Habitar» CCB

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respigos

dragões dos infernos do interior serrano
O Inferno é o lugar dos pecadores, como aqueles que matam crianças que ainda não nasceram” “E não era um padre duma paróquia perdida nos infernos do interior serrano, assombrada por demónios, isolada do saber e da mansidão; isto passou-se, repito, numa paróquia da capital” Inês Pedrosa. Única 21-5-2005

Para a Inês, acabada de chegar do Far West, as aldeias portuguesas seriam habitadas por humanoides, “assombrada por demónios”, sem “saber nem mansidão”; na portagem da capital estaria escrito: Daqui prá frente só há dragões.

Oh Inês ... depois do que a TV mostrou à saída do Bessa e “nos infernos do interior serrano” da Av. dos Aliados ?


 
respigos

Publicidade no telejornal na véspera do défice
O telejornal de domingo à noite anunciou bikinis coloridos para o Verão, à escolha e de tamanho à medida disse o dono da loja, entrevistado pela RTP1.
Seguiu-se uma promoção dum ginásio que dispunha de "personal trainers" para quem, dizia uma utente, não quer ter a maçada de escolher o exercício (o "aparelho") a seguir. Também dispunha de serviço ao domicílio mas mais caro; disseram o preço mas esqueceram-se do telemóvel.

É este o conceito de serviço público da televisão oficial: abertura ao mercado.


22.5.05

 
Agora já há vagar para prestar atenção ao défice.

 

O Imperador de Eiras veio hoje apresentar cumprimentos ao Mosteiro de Celas. Nem ao Rei, nem ao Bispo nem ao Magnífico Reitor; só à madre abadessa que retribui com papos de anjo e barrigas de freira.
É a origem da feira do Espírito Santo. Nesta liturgia também é o povo quem mais ordena.
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O Imperador de Eiras, eleito pelo povo por chacota, preside à libertação da pomba do Espírito Santo, o símbolo da ansiada 3ª Era, quando não haverá clero nem fidalgos; será o povo quem mais ordena.
Os vestígios dessa perigosa quimera joaquimita, protegida pela Rainha Santa, só persistem em Eiras, Tomar e nos Impérios dos Açores.


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respigos da TV

1. A jornalista noticiava o resultado dum inquérito a grávidas e mães recentes ("As mulheres e o parto" ), 1/3 das quais disseram ser seguidas pelo médico de família.
- “ pelo médico de família ? perguntou a jornalista a uma mãe com o seu terceiro filhito ao colo.
- Claro, tenho confiança nele, respondeu, tranquila, a mãe.
Não satisfeita, a jornalista continuou:
- E os seus filhos não são “seguidos” por um pediatra ?
- Só enquanto estão na maternidade; depois são acompanhados pelo médico de família.
A obsessão especialista é uma praga que vem contaminando a “opinião pública” e os jornalistas; como se fosse indispensável um especialista para acompanhar uma gravidez normal ou o crescimento duma criança, reservando os especialistas para os casos graves. Subsidiariedade é só para assuntos europeus.
As normas técnicas da DGS não apoiam este preconceito de muitas mães que exigem “o melhor para o meu filho” (o “meu” pediatra, o “meu” ginecologista, o “meu” analista...).
A jornalista achou por bem opinar (...?)

2. Zangado com a SIC, mudei para a RTP: um neuropediatra falava sobre a enxaqueca da criança, uma doença incómoda mas geralmente benigna. A jornalista concluiu que “a criança com enxaqueca deve ser seguida por um neuropediatra”.
Como os clientes exigem (e “têm sempre razão”), os hospitais requerem ainda mais especialistas, apesar de Portugal ser o país da Europa onde é maior a sua taxa.

3. A notícia seguinte era sobre um atleta com uma doença neurológica progressiva que teria morrido “com uma pneumonia agravada por uma infecção respiratória...”. Desisti.

 
respigos

Apesar de Portugal ser o país da UE com maior densidade de advogados (Expresso 16-4-2005) o bastonário da Ordem dos Advogados considerou "aterrador" o estado da justiça em Portugal: em 2003, havia um milhão de processos pendentes nos tribunais.

Um motivo de reflexão para os que atribuem as deficiências do SNS a uma alegada falta de médicos, atribuída a um alegado numerus clausus coarctado por alegadas pressões corporativas.

21.5.05

 

Magia algarvia.
Um dia (1755?), o mar galgou o cabo. O povo de Pêra recorreu à imagem da Srª da Rocha com tanto fervor que o mar voltou para trás. *

Estão convencidos que a vaga do maremoto não teria refluído sem o seu apelo à santa; de que a capela no cabo os tem protegido de novos desastres.
A Organização Mundial Contra a Tortura também acredita que a penalização do sopapo familiar previne os maus tratos infantis.


* Um lugar ao Sul de Rafael Correia -"rimances", "lamentos", banjo, acordeão, vozes, "o melhor da música portuguesa" e farrobas (sem o al redundante).
Vale a pena acordar cedo ao sábado.


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Fundamentalismo de trazer por casa

A Organização Mundial Contra a Tortura acusa Portugal, Itália, Bélgica, Irlanda e Grécia de não terem legislação suficiente para impedir os pais de baterem nos filhos, mas o Conselho da Europa absolve.
A obsessão restritiva: Para evitar que se afoguem proíbem a ida à praia, que se saia casa, que se “apanhe” sol, que se beba, que se respire, que se faça amor; aconselham que não comam nada que faça mal, que não comam com a boca aberta, que não ...

Exigirão antibióticos para a constipação, “desinfectar” a escola onde surgiu uma "mnegite", TAC numa dor de cabeça ...
A crença legista: pretendem resolver os problemas com o DR.
Julgam evitar os maus tratos penalisando o tabefe ao contrário do aborto, a eutanásia, o consumo de drogas e os cheques carecas.

 

processo disciplinar

Técnicos de IRS que avaliaram caso de Vanessa sujeitos a processo disciplinar

1998. Edgar, de três anos, foi entregue à mãe e ao padrasto por “técnicas de reinserção social” e meses depois morreu com lesões cerebrais traumáticas e queimaduras com cigarros. A TV noticiou largamente.
2000. Dois gémeos, de sete meses, chegaram moribundos a um Hospital; o Tribunal, aconselhado pela “comissão de protecção de menores” tinha devolvido os bebés aos pais, alcoólicos.
O Ministério Público notificou o casal ... só o casal.
2003. Catarina, que a “Comissão de Protecção” de Crianças aconselhou devolver à família apesar da oposição da Asas, onde Catarina viveu os seus primeiros dois anos. Morreu, mas o director da Segurança Social considera que "os serviços cumpriram todas as regras"...
2004. A Joana era uma menina triste...


O Edgar, os dois gémeos, a Catarina, a Joana e eu aplaudimos, finalmente, que se investigue porque terão morrido violentamente apesar de "os serviços cumpriram todas as regras"...

Link
 

O referendo

Agora que se começa a discutir o Tratado Constitucional Europeu, é indispensável que cada uma das alternativas do referendo apresente os seus argumentos de forma clara e inteligível para a maioria dos cidadãos.
Proponho que cada interveniente resuma o tratado numa página A4 e exponha o seu ponto de vista com não mais de cinco argumentos e em menos de 2.500 caracteres, como numa carta ao director dum jornal.

 

arqueologia contemporânea: o decreto da praxe. Um modelo para o Tratado Constitucional Europeu: o texto tem que caber numa página e ser bem claro -- dispensa-se o latim macarrónico.
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20.5.05

 

arqueologia contemporânea na única cidade do mundo que tem um largo da matemática: números, operações, lógica, provas, rigor.
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Manifestação metonímica

"Pouco mais de 100 estudantes" concentraram-se na Porta Férrea para entregar um abaixo assinado exigindo a demissão do Reitor da Universidade de Coimbra. O documento fora subscrito por 2500 dos 22000 (12%) estudantes da Universidade.
Criticaram o Reitor por se colocar contra os “interesse reais e legítimos” dos alunos. Quais ?


 
Inflação publicitária

O investimento publicitário português cresceu 12% em 2004 e prevê-se que cresça 5.1% este ano. (Global Advertising Report).
Alguém se surpreende com um défice de 7% ? Basta ir ao restaurante, ver televisão, passear num Centro Comercial ou viajar de carro e comparar com o que produz a agricultura e indústria portuguesas para estimar um défice superior a 20%.
Quanto desta publicidade é promotora de défice ? quanto é gasto na sua publicidade ? São as leis do bazar.


 

A satisfação do cliente

Clientes satisfeitos, famílias endividadas, cidadãos empenhados ?

A distribuição comercial (a par da banca) é sector com melhor desempenho em Portugal, do ponto de vista da satisfação do cliente. (Jornal de Negócios) citado por MMLM

Os clientes estão satisfeitos mas o resultado é conhecido:
* Durante a euforia consumista, as famílias portuguesas deixaram de poupar. Em 1990 poupavam mais de 21% do seu rendimento disponível. Dez anos depois, com a baixa dos juros, a agressiva publicidade do crédito bancário e o clima de facilitismo que o governo de então promovia, .... a taxa de poupança não chegou em 2000 aos 9 %, abaixo do que poupam os outros europeus, mais ricos do que nós. A. Sousa Franco Poupança em Portugal: que futuro? (Ed. APFIN/Vida Económica). Sarsfield Cabral. DN 15-1-2003

* A taxa de endividamento dos portugueses passou de 35%, em 1995, para 103%, em 2002 (Banco de Portugal).(J Negócios 16-5-2005); 117% em 2005. ( Em 2005, ¼ do rendimento familiar vai para juros e amortização de dívidas)


* A dívida da banca portuguesa ao estrangeiro é equivalente a um terço do PIB! Ou quase duas vezes o montante total de capital e reservas de todos os bancos portugueses.
A. Barreto. Público 09-3-2003

* Cada português recebeu cerca de 333,4 euros do Orçamento Comunitário em 2003. DN 7-9-2004

* Os portugueses endividaram-se mais do que nunca, exibindo uma espectacular confiança cujo resultado imediato é o de contribuir para o desastroso aumento das nossas importações. (Banco de Portugal)


E assim os apoios comunitários regressam aos países de origem; os portugueses ficam apenas mais gordos, mais endividados e mais insatisfeitos.

 
A voz dos utilizadores dos centros de saúde 3

Quase 2/3 dos utentes dos Centros de Saúde classificam o trabalho dos médicos como muito bom ou excelente, um valor equivalente ao que atribuem ao desempenho do Presidente da República.

19.5.05

 

A voz dos utilizadores dos centros de saúde 2

Há que reflectir sobre estes dados que parecem demasiado bons para tantas críticas ao SNS e aos médicos que se ouvem e se lêem e pelo que se conhece.
1. Os dados de Villaverde Cabral ("Saúde e Doença em Portugal" 2002) já indicavam que a opinião dos “utentes” do SNS era melhor do que a dos outros. Este facto pode significar uma selecção negativa – os que não confiam no SNS procuram, zangados, outras soluções, pelo que lá ficam os complacentes que agradecem o pouco que lá encontram. Ou que o SNS não está preparado para o tipo actual de procura — o “mal estar saudável”, as implicações sociais do doente crónico, da velhice desamparada ou para as repercussões “psicosomáticas” da solidão, da pressa, do pânico, da agressividade, das migrações, da marginalidade. Ou que há médicos que não estão preparados para um SNS.
2. Por outro lado, o SNS tem objectivos definidos e hierarquizados (mesmo que apenas implícitos) e que nem sempre coincidem com as expectativas dos utentes. Embora seja utilíssimo avaliar o seu grau de satisfação, este não é o padrão para avaliar a eficácia do SNS. No limite, prefiro um utente zangado e saudável que o inverso; o choro é a contrapartida razoável duma otoscopia numa criança com dor de ouvidos.


"Em democracia nada justifica a tese de um director de cadeia de televisão, para quem o facto de apresentar programas cada vez mais medíocres corresponde aos princípios da democracia, 'porque é o que as pessoas esperam'. Nestas circunstâncias só nos resta ir para o inferno." Karl Popper "Televisão: um Perigo para a Democracia" (Gradiva,1995).
Este (o combate ao défice) é um dos casos clássicos da fundamentação da democracia em que o voto não ajuda, só a "razão de Estado", o "bem comum", o "bom governo", o que está para além do voto, inscrito nos poderes do mandato representativo.
J.Pacheco Pereira

O mesmo se pode dizer do SNS, que deverá ser organizado em função dos que mais precisam; o que significa sacrificar algumas expectativas da maioria de queixosos saudáveis. Encarar utentes como clientes -- aqueles que têm sempre razão -- leva a aceitar que a prioridade ou a escolha do serviço -- urgência ou consulta, Centro de Saúde ou Hospital -- dependa da lei da oferta e da procura, o que perverte a lógica dum SNS e desmotiva as unidades que procuram fazer mais ou melhor, inundadas pela lógica mercantil sem as suas contrapartidas -- a consequência previsível dum consumo liberal e "tendencialmente gratuito" duma oferta escassa e burocraticamente gerida.
Um SNS que cumpra objectivos arrisca-se a ser impopular se não for bem gerido e adequadamente provido; tal como o que funciona mal.
O padrão para avaliar um SNS serão os resultados obtidos em termos de indicadores de saúde; a espectacular queda da mortalidade infantil, perinatal e materna, embora não dependa exclusivamente do SNS, é um indicador poderoso da sua eficácia quando se escolheram medidas adequadas e estas foram discutidas e adoptadas pelos actores (Comissão Nacional de Saúde Materna e Infantil 1987) e compreendidas pelos utentes. Quando as crianças adoptam os hábitos dos adultos portugueses – o desleixo, a obesidade, os acidentes... -- a situação complica-se. A ler mais : Measuring NHS productivity (http://bmj.bmjjournals.com/cgi/content/full/330/7498/975?etoc)


Link
 

arqueologia contemporânea: a procuradoria universitária do JM Raposo.
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18.5.05

 
A voz dos utilizadores dos centros de saúde

Avaliação que os utilizadores dos Centros de Saúde fazem dos cuidados prestados.
Um balanço objectivo do SNS; uma barreira à catastrofia demagógica.

A qualidade dos cuidados médicos é um dos indicadores onde há maior grau de satisfação (59%-- 69% no distrito de Coimbra). O mesmo acontece para a relação e comunicação entre doente e clínico (68% -- 72% no distrito de Coimbra).
A organização dos serviços dos centros de saúde é o ponto mais fraco(20 a 40% consideram-na má). Só 19% dos utentes diz ter marcado a consulta pelo telefone, mais de metade (53%) deslocou-se ao centro de saúde para fazê-lo.

Apenas um terço (32,6%) dos inquiridos conseguiu uma consulta no mesmo dia da marcação. Os doentes dizem ter esperado uma média de 84 minutos além da hora marcada.
As pessoas "tendem a ficar mais satisfeitas com os centros de saúde mais pequenos, em que há um contacto mais intenso; nos centros de saúde maiores é mais difícil a organização".

O Prof. Pedro Ferreira do CEIS da Fac. de Economia da Universidade de Coimbra, responsável por este trabalho, conclui: «Os utilizadores dos centros de saúde estão mais satisfeitos com a prestação do seu médico de família, em especial com a relação e a comunicação que conseguem manter, com a informação e apoio que recebem e com a qualidade dos cuidado... é com a organização dos serviços que se mostram mais insatisfeitos». Parabéns, amigo, por mais uma análise objectiva do SNS.


Estes resultados foram obtidos por Centros de Saúde que há muito se debatem com uma gritante falta de médicos que sobejam nos hospitais, desequilíbrio de que a tutela é a grande responsável e não procura corrigir: acaba de abrir apenas 15% das vagas para Clínica Geral (DR 29-4-2005).
Se há motivo de orgulho corporativo por quase 2/3 dos utentes classificar o trabalho médico como muito bom ou excelente, há que ficar preocupado por 10-15% o considerar mau e por metade dos inquiridos classificar como "má" (1/5) ou apenas "razoável" a sua pontualidade.
Há que atribuir responsabilidades a quem de direito e louvar a eficácia do SNS que conseguiu estes resultados apesar da tutela o gerir “...de forma rígida, estática e defensiva face a todas as mudanças” (Sakellarides C. Relatório do DGS, Min. Saúde, 1999) , nomeadamente, de recompensar os trabalhadores e os organismos que procuram cumprir e os que não com a mesma rasoira burocrática e por ser a responsável pelo pior indicador desta análise.



 

Arqueologia contemporânea: A Avenida dos Alguidares. Para receber a Organização Mundial do Turismo, Coimbra aproveitou os alguidares da Feira do Artesanato para adornar a Avenida.

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17.5.05

 
respigos

a causa e a culpa
Dois em cada cinco alunos do ensino superior não concluem o curso devido a dificuldades económicas. As Beiras 17-5-2005, citando o J. de Negócios de ontem.

Por ou alegando dificuldades económicas ?
Afinal tinham razão os que diziam que as licenciaturas estavam ao preço da chuva; veio um ano de seca e os estragos estão à vista.

 
respigos

A apologia da inimputabilidade individual ?
"PCP, Bloco de Esquerda (BE) e "Verdes" pediram ao Governo a suspensão dos exames na­cionais do 9° ano.
A deputada comunis­ta ... propôs que ... se opte exclusivamen­te pela avaliação contínua e forma­tiva... argumentou que as provas nacio­nais contribuem para aumentar o abandono e o insucesso escolar ­e contestou que os exames do 9º ano excluam os alunos “que excederam o número de faltas permitido e os que não obtiveram uma avaliação sumativa interna positiva". O deputado do BE ... sustentou ...que as provas “são fortes mecanismos de selecção social" e referiu “estudos que com­provam que uma origem étnica prejudica muitíssimo os alunos que vão a exame". AsBeiras 14-5-2005

A. Não há contradição entre a proposta para que se “opte exclusivamen­te pela avaliação contínua e forma­tiva” e se permita a ida a exame aos alunos “que não obtiveram uma avaliação sumativa interna positiva"?
B. A selecção social é poderosa; como é difícil resolvê-la, propõem camuflá-la na escola.
C. “...a origem étnica prejudica muitíssimo os alunos que vão a exame”; não “prejudica” tanto os que vão como os que não vão ?
D. Em vez de propor medidas que evitem as faltas ou as compensem, propõem que as ignorem. Ir à escola ou não ir, dá no mesmo ?
E. A louvável preocupação com as minorias não pode levar a tomá-las como padrão.
F. Como “as provas nacio­nais contribuem para aumentar o abandono e o insucesso escolar”, acabem-se com as provas; como os jogos olímpicos contribuem para que alguns percam, acabem-se com eles, bem como com as eleições que tão alta abstenção têm e que tão poucos votos nos dão ...

Não é fazer a apologia do facilitismo atribuir a culpa ao sistema, aos outros ? E que outros ?


A despesa pública em educação representou 7% do PIB em 2003, «situação que revela alguma estabilidade desde 1999», enquanto o número de alunos matriculados decresceu em quase todos os níveis. (INE)

Nós já gastamos com a educação mais do que a média da OCDE. Temos 30 % de professores mais que a média e as turmas mais pequenas dos 27 países comparados. Temos o menor número de aulas para os alunos e as menores cargas horárias para os professores. Por fim, sobretudo no fim da carreira, temos alguns dos professores primários mais bem pagos da Europa.
Silva Lopes, Público 20-9-2004

 
respigos

"Um em cada seis professores (19 352 em 121 625) tiveram as suas candidaturas invalidadas por critérios negativos (a versão eduquês de erros) nas listas provisórias do concurso do Ministério da Educação."
No dia em que li esta notícia observei uma criança de nove anos, internada no HP; dialogava com uma exactidão e um rigor admiráveis. Tinha um discretíssimo sotaque; era filha de emigrantes que tinham regressado da Suíça há três anos.
Provavelmente foi uma coincidência, não quero abusar da metonímia.


NB: Há mais candidaturas de professores que portugueses recém-nascidos (114456 em 2002)


 

arqueologia contemporânea; uma fábrica de distância.
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Cinema

Der Untergang – Hitler Und Das Ende Des 3. Reichs
nomeado para o Óscar de Melhor Realização

A Ressurreição -- Estaline dos Últimos Dias
nomeado para o Óscar de Melhor Montagem


16.5.05

 

o mapa do estado actual do hexágono francês (http://margensdeerro.blogspot.com/)
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respigos

"Ministra alemã vai tornar pública a composição química dos cigarros e proibir a utilização de substâncias cancerígenas. A lista completa dos componentes dos cigarros, com mais de 1100 páginas, inclui substâncias como mentol, rum, açúcar, cacau, alcaçuz, ácido láctico, amoníaco ou fibras de celulose. "... o mentol ou o amoníaco acentuam o gosto dos cigarros, atenuam as irritações da garganta durante a inalação e aumentam a absorção da nicotina". "Ao juntar cacau, mel e outros aromas, os jovens apreciam mais o sabor, já que os cigarros ficam com um gosto doce. É como os alcopops [refrigerantes com álcool]."

Quando se proibirem também as substâncias tóxicas, as 1100 páginas ficarão reduzidas a uma folha -- a mortalha, que durará ainda muitos anos.

 
respigos

Associação organiza aulas de yoga para ajudar a combater o stress dos exames

Recordo dois amigos que brigavam à entrada dos exames; na verdade conseguiam boas notas.

 

Linhas orientadoras da educação fisiológica em meio escolar dos Ministérios da Educação e da Saúde.
4. Ensinar a recusar. Queres ... ? Toma.

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Linhas orientadoras da educação fisiológica em meio escolar dos Ministérios da Educação e da Saúde.
3. Ensinar o miúdo a mijar de pé


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Linhas orientadoras da educação fisiológica em meio escolar dos Ministérios da Educação e da Saúde.
2. Ensinar o recém nascido a mamar

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Linhas orientadoras da educação fisiológica em meio escolar dos Ministérios da Educação e da Saúde.
1. Ensinar o feto a respirar

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arqueologia contemporânea. Ramo de louro numa taberna no Largo da Sota, Baixinha, Coimbra
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15.5.05

 

remédio para maleitas que andam por aí
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Khajuraho pré-escolar. "... assinale as partes do corpo que goste... que sejam tocadas” ME/MS.
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respigos

Linhas orientadoras da educação sexual em meio escolar, sob a orientação da APF e a responsabilidade do ministros da Educação e da Saúde.

* Sugere-se uma viagem a um país imaginário, onde a maioria fosse homossexual; é o máximo de fantasia permitida. Freud, ou melhor, Jung não desdenharia este exemplo de wishful thinking dum grupo minoritário.
* “... colorir uma figura, para depois assinalarem as partes do corpo que elas gostam... que sejam tocadas”
* “Recorte as figuras e coloca-as na casa de banho

A APF está antiquada; com espécimes naturais ali à mão e continua presa ao lápis e papel ! Porque não despir os miúdos e as miúdas “em meio escolar”... e ensinar “em contexto” ?
Dantes não havia respostas fáceis para a perplexidade que nem chegava a formular-se; agora o pêndulo parece ter guinado para o lado oposto – o das respostas antecipatórias, independentemente do tipo das perguntas.

Regressa a ideologia iluminada; a tentativa de formar um homem e uma mulher novos, ou melhor, um “ser humano” novo.
Questiona-se se “um comportamento é saudável ou normal porque é maioritário”.
Confunde-se saúde com norma; a “orientação” homossexual é assemelhada à infecção pela malária – que infelizmente é “normal” (mas que seguramente não é saudável) em algumas zonas de África...
Entre os livros recomendados no 1º ciclo, figurará o Kamasutra; aos alunos mais dotados está prometida uma viagem de estudo a Khajuraho.

Os resultados não serão promissores se o abandono escolar continuar a atingir 40,4 % no secundário, contra 15,9 % da UE. Público 28-1-2005

 

arqueologia industrial; Stª Clara, Coimbra.
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14.5.05

 
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Venda da pasta e venda de postais
Uma criança da Casa da Infância Elysio de Moura e o finalista de Medicina que a acompanhava “foram expulsos pela segurança do Dolce Vita, que alegou não se poder fazer vendas naquele espaço reservado a lojas”. Diário de Coimbra 14-5-2005
A “venda” em causa era a “Venda da Pasta”, uma forma tradicional de ajudar a Casa da Infância Elysio de Moura.
Revoltados com a incompreensão, prontos a disparar contra o poder ditatorial das grandes superfíciesque defendem o seu couto privado de tudo o que suspeitem ser concorrência, lê-se a notícia seguinte:
Alguns estudantes, na sua maioria raparigas, surgiram do nada a vender postais. Era vê-los à porta dos restaurantes, dos cafés e até nos semáforos, quais mendigos, a pedinchar uma moedinha para a Queima das Fitas” AsBeiras 14-5-2005
Começa a compreender-se o comportamento da segurança do Centro Comercial e a ver até onde chegam os estratagemas para compensar o custo das propinas numa época em que vale tudo o que
se compra e vende.


 

arqueologia contemporânea; defesa contra as cheias na baixinha de Coimbra.
Pena não serem eficazes contra a demagogia, o consumo ou o défice.
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13.5.05

 
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António José Teixeira, preocupa-se com o risco de promiscuidade facilitado pela osmose entre a administrações das empresas e a administração pública.
Se o que era bom para a GM também era bom para os USA, qual o número de accionistas duma empresa para que o seu interesse possa ser considerado público ?

 

arqueologia contemporânea: quebra-luz do latoeiro de Celas na capela do Espírito Santo.
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Um quarto dos portugueses sofre de rinite alérgica
A prevalência da rinite alérgica em Portugal é de 26 %, mais frequente nas mulheres e no Alentejo.

Razão da voz nasalada de algumas locutoras e de muitas lisboetas.

 
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O défice português acompanha a expansão do Universo
Segundo a Comissão Constâncio, o défice real do Estado em 2005 será superior a 7% do PIB.
Gil Ferreira, da Universidade de Oxford, revelou que o Universo também se está a expandir mais que o esperado.



 
respigos

"Portugal tem uma imagem esquizofrénica do seu sistema judicial. Se há acusados, "não há fumo sem fogo". Quando há absolvidos, a ideia que fica é a de que "lá se safou mais um". O selo de suspeito não se descola com uma sentença judicial de inocência." Pedro Marques Pereira. Diário Económico.

Quando não se consegue provar a culpa a justiça absolve mas não inocenta, tal como a hipótese nula da estatística.


 
respigos

Um homem morde um cão; um padre fala sobre aborto
Há seis meses que não chove no Alentejo; ontem, pela primeira vez, choveu bem no sul do país.
Nem as RTPs nem a SIC o referiram nos jornais da noite; preferiram relatar a opinião dum padre para quem o aborto é um crime maior que o homicídio infantil.
Nos telejornais, qualquer opinião é mais relevante que os factos; o aborto mais que a chuva.

12.5.05

 

Arqueologia contemporânea. "... ROGANDO ADEOS PELA UNIAO DOS PRINCEPES CHRISTAOS, EXTIRPAÇAO DAS HERESIAS E EXALTAÇAO DA STª IGREJA CATHOLICA". Colégio de Stº António da Pedreira, Asilo da Criança Desvalida, agora Casa da Infância Doutor Elysio de Moura. Coimbra.
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não se pode acusar a Administração pública de morosidade
documentos a que o DN teve acesso:
7 de Março -- a Portucale entregou à DG dos Recursos Florestais um pedido para o abate de sobreiros.
8 de Março (no dia seguinte) -- publicado o despacho conjunto dos ex-ministros, que o permitiria.
8 de Março (nesse mesmo dia) -- o director de Circunscrição Florestal do Sul autorizou o abate.
9 de Março –- seguiu resposta à Portucale.


 
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requinte sofista
Despacho conjunto de três ministros do governo CDS/PSD, quatro dias antes das eleições, sobre um negócio suspeito que há mais de doze anos cobiçava beneplácito ministerial.
“...autorizado o abate de 2605 sobreiros, protegidos por lei e localizados numa vasta área de 509 hectares integrados na Reserva Ecológica Nacional, sem prejuízo do estudo de impacte ambiental
- Fuzilem-nos provisoriamente ! ordenava um general franquista na guerra de Espanha.


11.5.05

 
arqueologia da memória 2

Meio século depois de deixar o colégio (de Nun’Álvares, em Tomar, o CNA) trocaram-se velhas fotografias: quase todos de gravata; a maioria dos “bichos” vestia capa e batina. Recordaram-se os sucessos, as paródias, os namoros, os castigos. Não vi quem se queixasse dos castigos justos – e a disciplina era severa e as canadas doíam. Talvez por serem oportunas e, em regra, proporcionadas, não tenham deixado sequelas ... pelo menos entre os que se reúnem; é possível que outros não encontrem razões para recordar.
Recordou-se a feijoada clássica, que foi saudada por muitos -- foi escolhida para a ementa da primeira destas reuniões -- mas detestada por alguns. Curiosamente dois deles confessaram que disso tiraram partido – não tiveram dificuldade com o rancho militar. Lendas que a memória tece.
Quando quatro partilham o quarto, não há segredos. A história tem várias versões; uma conta que teríamos combinado “arranjar namoro” naquele ano. O que é certo é que só um cumpriu; casou com essa cachopa que só agora sabe o que aconteceu e que ele recorda. Naquele tempo era prudente “pedir namoro” por escrito – era a “declaração”. O E. isolava-se a escrever; por fim pediu-nos parecer e lá nos juntámos a retocar a carta. Enquanto a resposta não vinha, “esperávamos” quase tão interessados quanto ele; quando a proposta foi aceite, foi uma festa verdadeiramente partilhada.
Na garraiada, o bicho atacou e todos fugimos; todos menos um que não conseguiu. Ao ver o amigo em apuros, alguns regressaram a ajudá-lo. Esses alguns poderiam não ter sido “nós”. Assim expusemos um espinho que há 50 anos nos ralava.
A risada compreensiva não só absolvia essa nossa “cobardia” como outras semelhantes que todos teríamos feito e que também ficariam perdoadas por extrapolação.
Absolvida que, para nós, aquelas falhas não prescreviam.

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo

Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Arre, estou farto de semi-deuses!
Onde é que há gente no mundo?
Álvaro de Campos. Poema em Linha Recta

Álvaro de Campos queixava-se porque o Fernando Pessoa morreu cedo; se tivesse chegado à nossa idade, teria visto que os amigos se riem agora das porradas que terão levado. Reformados, já estamos numa idade que nos permite olhar o passado com complacência e rirmo-nos do que mascarámos e do que sofremos por não conseguir. Não é cinismo, nem descrença, nem ainda o Nirvana; é sageza.
Recordo um amigo que teria estado prisioneiro dos japoneses, em Timor, durante a Grande Guerra. Recordo as torturas a que ele dizia ter assistido e sofrido. Acontece que parece que só eu me lembro. Não sei se terei sonhado mas, para mim, Timor passou a ter um rosto; e o Japão também.
Para presidente da comissão da festa de fim do curso, elegemos o Domingos Arouca, creio que o único negro do curso, que viria a ser o político influente de Moçambique depois de recusar cargos no regime colonial (via Marcelo Caetano de quem fora aluno e o considerava) e de nunca ter militado em partidos maioritários. Já naquele tempo era um dos mais maduros do curso; a história dele é uma outra Peregrinação em África. Moçambique para nós era o Arouca e o Ceita.


 

Baile dos finalistas do CNA. Tomar 1954
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Farmácias, Funerárias & Cia.
"As agências funerárias privadas perderam o monopólio da organização e realização dos funerais, um negócio que envolve anualmente mais de 163 milhões de euros.
Há mafias organizadas para controlar os funerais, diz o presidente da Beneficência" .
Vamos ter funerais descontrolados. E quanto a mafias ?


 
respigos

Serviço Nacional de Saúde terá call center a funcionar em 2006
O centro de atendimento telefónico do SNS entra em funcionamento no início do próximo ano e será explorado por uma empresa do Grupo Caixa Geral de Depósitos.

Um utente que quer marcar uma consulta no "seu" Centro de Saúde, liga para a central de informações; será atendido por uma "call girl" com sotaque lisboeta. Imaginem o diálogo.


 
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A ler. M. Fátima Bonifácio. O método indolor
"Notícias do Banco de Portugal. No último semestre de 2004, o PIB português cresceu apenas 1,1%; o défice público real cifrou-se em 5,2 %; o desequilíbrio da balança externa agravou-se; o desemprego aumentou; e os portugueses endividaram-se mais do que nunca, exibindo uma espectacular confiança cujo resultado imediato é o de contribuir para o desastroso aumento das nossas importações."

 
respigos

Informação sobre sida não basta para mudar comportamentos de risco.
"Investigadora defende que é urgente criar uma área curricular da educação para a saúde nas escolas".
Aulas práticas ?

 

Queima 2005. Na tribuna de honra, o general, o vereador da cultura e o "dux veteranorum".
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10.5.05

 

Afinal a depressão de Mira d'Aire é um POLJE: "Extensa depressão aplanada resultante de grandes abatimentos de origem, em geral, tectónica. Durante a estação pluviosa é comum os poljes transformarem-se temporariamente em lagos, resultantes da subida do nível das águas que circulam em profundidade."

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O CORTEJO DA QUEIMA. Queimar as fitas e matar a sede com etanol sob o patrocínio da UNICER. O resultado da ligação da Universidade às empresas.
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A postura fica estruturada muito cedo; o promotor destas reuniões - o Joaquim Carvalho, ao lado do carro do CNA - já então (1951) tinha uma perspectiva diferente: de colete e gravata, parecia o "treinador" do grupo. Bem haja.
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arqueologia da memória

Meio século depois de deixar o colégio (de Nun’Álvares, em Tomar, o CNA) reuniram-se os alunos que ali entraram de 47 a 49; alguns não se viam desde então.
Ali vem um que se te dirige com um sorriso rasgado. Quem será ? Tens poucos segundos para o não desapontares. A memória apela à arqueologia; por baixo dos estratos acumulados de tempo e cremes, consegues reconhecer a cara dum amigo de então. É ele (eram mais rapazes que raparigas). Agora só falta lembrar o nome -- o mais difícil mas o mais apreciado. Se conseguiste, o berro exprime o prazer de reconhecer o amigo e de teres sido capaz de recordar o nome.
Como nas escavações arqueológicas, às vezes basta um caco para se reconstruir o vaso completo e a moldura, as circunstâncias, a emoção de outrora, destilada pelo tempo e pela memória que o expurga da borra amarga.
Não é em vão que se viveram sete anos num colégio interno, anos cruciais para estruturar o carácter -- a solidariedade, a camaradagem, a tolerância, o civismo, a ética.
O prazer do contacto físico – os abraços, repetidos; as carícias, mais enérgicas entre os machos, mais ternas para as cachopas “do meu tempo” (o que então seria impensável, salvo nos bailes), umas mais carinhosas que outras.

Velhas histórias comuns que a memória retocou – a minha versão muito diferente da tua, todas diferentes, todas igualmente verdadeiras; cotejando-as ficam muito mais saborosas.

“Vês moinhos ? Eram moinhos.
Vês gigantes ? Eram gigantes.”

 

Saint-Exupéry não pode aterrar
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respigos

oito horas de sono em silêncio
- Conhece a lei do ruído portuguesa ?
- É excelente, mas não é aplicada.
- O que pensa do aeroporto de Lisboa?
- É uma catástrofe, uma pura catástrofe.

Xavier Bonnefoy, consultor da OMS no Centro Europeu para o Ambiente e Saúde. 2005
"OMS vai recomendar proibição de voos nocturnos durante oito horas seguidas" Público 9-5-2005

9.5.05

 

arqueologia contemporânea. Mouraria, Lisboa 2005

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Dia da cortesia ao volante

Prefiro os termos gentileza ou delicadeza a cortesia, que evoca as cerimónias barrocas que precedem as touradas à portuguesa; também não creio que o comportamento dos cortesãos tenha sido exemplar.
Melhor ainda, embora menos caloroso, seria dia do civismo ao volante.

 

grutas d'Aire
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Mira d’Aire, ensaio geológico

A A1 sobe a serra d’Aire; lá ao fundo, Mira d’Aire, numa baixa rodeada por meias esferas de montes fendidos por óbvias falhas geológicas. O calcário da serra é mole, com imensa grutas de magníficas estalactites. Não custa a crer que Mira d’Aire assente no que teria sido a cúpula de uma enorme gruta que terá desabado há milhares de anos. O Genga teria gostado.
Provavelmente isto é bem conhecido pelos geólogos mas, para quem o imagina pela primeira vez, tem o prazer da descoberta; mesmo que não seja verdade a subida de serra tem outro sabor.

5.5.05

 
Baile marcial

Zangados com o Reitor, os estudantes da UC convidaram o General a abrir o Baile da Queima, em alternativa ao Governador civil, vetado pela oposição e ao Bispo, que já havia bento as pastas.
Milton Nascimento ensaia marchas militares; os caloiros farão guarda de honra.

 

telefone público: arqueologia contemporânea. Évora 2005
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IC190 ou equidade

O IC19 está mais que saturado; a construção desenfreada na zona explica-o. Os utentes e os autarcas, responsáveis por essa situação, exigem o alargamento da via; que iremos todos pagar para que seja mais fácil vender os prédios aos utentes do IC19 que trabalham em Lisboa, autorizados pelos autarcas da zona ... o que saturará o novo IC190, o que levará a novos protestos e nova pressão sobre o poder para construir uma SCUT.
O governo ao serviço do interesse geral ou das minorias vociferantes ? dos que mais precisam ou dos que mais protestam ? dos cidadãos ou do mercado ?



 
respigos

repete-se a ladainha
"Não surpreende que seja possível hoje, em plena liberdade de expressão, repetir a ladainha aplicada ao Estado Novo em matéria de desenvolvimento, mas devolvendo-a à democracia. Lá nos fomos desenvolvendo a passo de caracol, mas afinal continuamos a contar-nos entre os mais atrasados, os que têm piores indicadores de pobreza, educação e saúde". luciano amaral DN
Temos dos melhores indicadores de saúde infantil do mundo e continua a repetir-se a ladainha trinitária: eco da Fé, Esperança e Caridade; Deus, Pátria e Família...

 
respigos

os supeitos do costume
"Nos últimos três anos, o Tribunal de Família e Menores do Porto recebeu, pelo menos, três relatórios sociais sobre a família de Vanessa Pereira, de cinco anos, alegadamente assassinada pela avó e pelo pai. E nenhum indiciava "qualquer sinal de perigo" - de negligência ou de maus tratos físicos ou psicológicos. Os padrinhos de Vanessa, com quem viveu até Dez 2004, afirmam nunca terem sido visitados por técnicos da Segurança Social, da Reinserção Social ou do Tribunal de Menores...
Ontem, o Tribunal de Instrução Criminal do Porto decretou prisão preventiva para os suspeitos."

“os suspeitos” serão apenas o pai e a avó ?

 
respigos

A epidemia
"Enquanto não fizerem nada aqui na escola, a minha filha não vem. Nem que esteja o resto do ano em casa", comentava ontem a mãe de uma aluna da escola no Cacém, onde estudavam os três jovens internados com meningite.Mas ... as mães dos alunos foram exigindo o fecho da escola. O tom dos protestos aumentava sempre que as câmaras de televisão apontavam. "Fechem esta m...", atirava uma mulher. "Só quando morrer alguém é que tomam cuidados", gritava outra."Se ela morrer não sei o que faço", ameaçava a avó da terceira vítima.
Uma mãe exigiu antibióticos "para todos os alunos" e deixou a ameaça de que, hoje, "a escola será fechada, a bem ou a mal".
“...Para eu ficar descansada” dizia uma mãe na TV.
Não sabem que o contágio é mais fácil com a boca aberta.

4.5.05

 

arqueologia contemporânea. Évora 2005
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respigos alarmantes

"A bancarrota do Estado português é um cenário [...] possível e até provável"
João Ferreira do Amaral. Cadernos de Economia 2005; 70 (Jan/Mar)
... prevalecerá a inércia dos que, em Portugal, percebem mais devagar, chegam em regra tarde e estão sempre fora do tempo. Medina Carreira.O ocaso do "social". Público 4-5-2005

 
respigos

parecer constitucionalistas
Bacelar Gouveia disse que Jorge Sampaio "cometeu uma ilegalidade grave". Opinião contrária tem Jorge Miranda, para quem o Presidente nada fez de errado. DN 4-5-2005

 
respigos

parecer economistas
1. O nosso panteão constitucional está pejado de relíquias. Uma das mais valiosas, pelos elevados custos que acarreta às nossas pobres algibeiras, é o Serviço Nacional de Saúde (SNS) "universal, geral e tendencialmente gratuito". O ministro da Saúde do anterior Governo tentou alterar esta situação, ao transformar uma série de unidades hospitalares em sociedades anónimas de capitais públicos, por forma a inserir progressivamente o SNS no mercado.
A ineficiência do sector da saúde é conhecida... A mais importante será a de o SNS estar baseado em pressupostos que não têm aderência ao mercado dos produtores/consumidores de saúde.
J. Alberto Xerez. Seguro Nacional de Saúde. DN 4-5-2003


2. "Mas o mercado, sendo economicamente muito eficaz, até para combater a pobreza, não garante a justiça. Ganha no mercado quem satisfizer o consumidor -- o que nem sempre depende do esforço ou do mérito. E o mercado parte de uma distribuição de rendimentos muitas vezes injusta. "
Sarsfield Cabral. Doutrina social DN 18-11-2002

Confesso que não sei o que é um consumidor de saúde, conheço mal o mercado e desconfio de sociedades anónimas ... Interrogo-me se o mercado poderá assegurar equidade do SNS, que deve privilegiar quem mais precisa e não quem mais reclama?


 
respigos

Na semana dedicada à sinistralidade rodoviária, o Presidente da República anunciou que não irá convocar o referendo sobre a despenalização do aborto.
Na semana temática dedicada ao aborto também não será convocado um referendo sobre a despenalização do acidente rodoviário.

3.5.05

 
a causa e a culpa 3

Falta de complacência ou a água do capote
A propósito de atestados médicos de complacência nos concurso de professores, a jornalista (Outras conversas, SIC) lamentava-se, pesarosa: Um médico que faz uma coisa destas o que não poderá fazer ... Dizia isto num tom da habitual pesporrência de quem não esquece o argueiro alheio.
Quando uma falta ou um benefício só pode ser justificada por doença, atribuem-se enormes responsabilidades ao médico que, por vezes, se vê numa posição dificílima, tanto mais quanto é frequentemente censurado por não atender aos aspectos humanos do doente.
Apesar da OMS considerar a saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas na ausência de doença ou de enfermidade”, sempre se suspeita que não foi o médico mas o amigo (ou o mercenário) que atestou que o mal estar provocado por dada convocatória ou exame pode comprometer o “estado de completo bem-estar físico, mental e social” que ao médico compete promover e evitar que seja perturbado. Quem pode afirmar que a saúde da professora não ficará perturbada com o incómodo prolongado de ser colocada longe do seu local de residência ? E o mesmo se poderá dizer do risco para a saúde da sua família.
Quando o texto dum recente projecto-lei despenaliza o aborto "... caso se mostre indicado para evitar perigo de morte ou grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica, da mulher grávida, designadamente por razões de natureza económica ou social...” que, obviamente, caberá ao médico atestar, repete-se o estratagema de atribuir ao médico tarefas delicadas a que a sociedade se quer eximir, fugindo com o rabo à seringa, para usar termos médicos.
Toda a água do capote (a da lei e a do alegado doente – que prefere confessar o logro que simular sintomas) escorre para o médico.
Não seria mais sensato que a sociedade assumisse as suas responsabilidades e alargasse as escusas legais admissíveis ? Poupar-se-iam atestados de complacência, consultas escusadas e desabafos impertinentes.


 
o aborto e o desastre

Na semana dedicada à sinistralidade rodoviária, o Presidente da República anunciou que não irá convocar o referendo sobre a despenalização do aborto. Na verdade, a gravidez não desejada e a sinistralidade rodoviária têm algo em comum – o acidente e o flagelo de inocentes.
A prevenção da gravidez é eficaz, por processos bem conhecidos e de acesso fácil, mas a taxa de aborto é ainda muito elevada; também melhoraram as vias, os carros são muito mais seguros, equipados com cintos e air-bags, mas a mortalidade e a morbilidade continuam muito altas. Também no acidente rodoviário o condutor imprudente arrisca a sua vida e a dos outros que, por acaso, partilhavam o mesmo veículo.
Para o sexo acidental ainda há o recurso à pílula do dia seguinte; para acidente rodoviário não há sequer pílula do minuto seguinte.


2.5.05

 
A morte do rei Tsongor

Uma amiga ofereceu-me um livro que traduzira e que ficou à espera de ser lido, misturado com outros. Tempos depois peguei nele sem me recordar do facto. A páginas tantas, encantado com a qualidade da tradução, voltei atrás: lá estava “traduzido por Isabel St. Aubyn”.
L. Gaudé conta a história dum fantástico imperador africano a quem a velhice trouxe siso. Um orgulhoso inimigo rendera-se profetizando que o mataria; sábio, o rei aceitou-o na corte com a condição de que o avisasse. Durante muitos anos foi um conselheiro e amigo leal. Antecipando o fim, o rei encarregou o príncipe de construir sete mausoléus no reino, para que ninguém soubesse qual seria o dele. O velho conselheiro cumpriu a ameaça e, enquanto esperava pela escolha do túmulo, “apercebeu-se ... de que o cadáver do rei chorava”.

Em Portugal, terão sido construídas duas igrejas– a da Graça, em Évora e a da Conceição, em Tomar – para sepultura de D. João III, cuja majestade veio a acabar nos Jerónimos.

 
respigos

Discute-se uma proposta para que a futura linha de TGV entre em Lisboa pela margem sul; chamar-se á Fernão de Magalhães ?

 
respigos

Gandhi ... admirava Cristo, mas não ... os cristãos por não praticarem ... os seus ensinamentos. Carlos Pacheco. Entendo a desilusão do "pai da Índia" com os cristãos, especialmente com os da Igreja militante que, em nome da piedade e da elevação espiritual, construíram uma história recheada de injustiças e crimes inauditos.



 

A Igreja militante no frontal de um dos altares principais da Sé de Braga. Uma quadriga barroca leva uma soberba figura feminina; o carro triunfal é aclamado por belas semi-deusas com palmas e hossanas. Atrás, rotos e acorrentados, os vencidos; o carro atropela moribundos -- os insensatos que tentaram resistir ?
Para o arquivo do Carlos Esperança (www.ateismo.net)
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