alcatruz

Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt

30.6.05

 

A greve dos enfermeiros: os serviços mínimos.

 

arqueologia contemporânea. Moinho de orações. Calçada do Gato, Coimbra.

 
respigos

1. RDP. ANTENA ABERTA, a opinião dos ouvintes mais atrevidos. Opiniões confusas, simplistas, contraditórias, míopes que pouco têm a ver com o cerne da questão. Pouca exactidão, pouco rigor e nenhuma perspectiva -- matemática e português.
Quase todas atribuem responsabilidades e esperam solução do governo; não deste mas do Governo, do Estado. Aproveitam para zurzir forte e feio em alguns dos intervenientes anteriores. O mal são os outros.
Se a religião era o ópio do povo, a democracia é uma ilusão de participação de que ainda se não inventou melhor sucedâneo.

2. Frente a frente na RTP1. Os sindicalistas invocaram o dever do Governo; o Ministro socialista do Trabalho o poder do Estado. Quem esperava diálogo, saiu frustrado.

 
respigos

O Ministro da Justiça transferiu o director da Penitenciária de Coimbra, considerando-o responsável pela fuga de presos.
Quem foi transferido por deixar escapar a incorrecção do mapa do Orçamento “rectificativo” no Ministério das Finanças ?


29.6.05

 

Quando às vezes ponho diante dos olhos os muitos e grandes trabalhos e infortúnios que por mim passaram, começados no princípio da minha primeira idade e continuados pela maior parte e melhor tempo da minha vida, acho que com muita razão me posso queixar da ventura, que parece que tomou por particular tenção e empresa sua perseguir-me e maltratar-me, como se isso lhe houvera de ser matéria de grande nome e de grande glória. Porque vejo que não contente de me pôr na minha pátria, logo no começo da minha mocidade, em tal estado que nela vivi sempre em misérias e em pobreza, e não sem alguns sobressaltos e perigos da vida, me quis também levar às partes da Índia, onde, em lugar do remédio que eu ia buscar a elas, me foram crescendo com a idade os trabalhos e os perigos.

Fernão Mendes Pinto. Peregrinação. Desenho de Carlos Marreiros

 
Conflito de gerações

A história é uma escada com seus degraus e patamares.
Não se sabe para onde vai; espera-se que suba mas por vezes tropeça e outras desaba.
Cada geração constrói um degrau; içada aí, descansa satisfeita.
A seguinte acusa-a de se ter acomodado, de se ter tornado conservadora.
Conserva o que ganhou; só parece pouco a quem não sabe quanto custou.

 

O terceiro funeral de Inês
O cortejo "inesiano" de Montemor terminou com o túmulo de Inês de Castro carregado num tractor agrícola.
Logo que tomou o poder, D. Pedro exumou Inês para a coroar rainha.
650 anos depois, Inês volta a ser exumada, agora para ser usada como ícone do chamado "turismo cultural" do "triângulo Montemor-Coimbra-Alcobaça".
Pobre Inês, ícone ou isco arrastando o túmulo -- uma espécie de caracol póstumo.



28.6.05

 

"se Inês viesse hoje visitar-nos, o que fariam para a receber ?"

Na rua, uma Inês cabeçuda folga com os cortesãos e a clerezia enquanto o noivo foi à caça. Confundem Inês com Leonor, a barregã.
O povo assiste e aplaude; irá assistir e aplaudir a cruel vingança do rei, que tarda.

As velhas raízes da demagogia mediática.
Aplaude o quê ? Festeja a tragédia ? Quando se repete, a história roça a farsa.



 
Pobre Inês de Castro

No domingo, o grupo Azizi (flauta, viola da gamba, alaúde, percussão) recriou música medieval na Igreja de Santa Maria de Alcáçova, em Montemor-o-Velho. O ambiente era tipicamente medievo – aos magníficos vilancetes, cantigas e romances, contrapunham-se os bombos e os gritos dos malabaristas, cuspidores de fogo e dos saltimbancos da feira concomintante.

Coitada da Inês, tiraram-na do túmulo onde estava posta em sossego há 650 anos para o cortejo de majoretes, rapariguinhas de pernas ao léu e tronco fardado de coelhinhas marciais.

Dizem que o povo gosta e que, lá fora, é moda. Os velhos gostam; as velhas nem tanto.
Terra agrária, usaram tractores do arroz para acarretar o mito; o mito e os figurantes. Monstruosos tractores para percorrer uns hectómetros... O povo parece gostar, que é o que o poder deseja -- o povo distraído enquanto o rei prepara a sentença.

 

N.Srª do Ó (Igreja de Santa Maria da Alcáçova, Montemor-o-Velho)
Não admira que o Concílio de Trento tenha interdito esta imagem da maternidade satisfeita.
O discreto erotismo da postura desmentia uma conceição sem pecado.

Acontece que não se trata de N. Srª. É, sim, Inês de Castro que se disfarçou de N. Srª para fugir ao cortejo "inesiano" de Montemor o Velho. Bem bastou o que a fizeram sofrer há 650 anos.

 

A solução está na poupança. Para produzir uma unidade de PIB nós gastamos 36% mais energia do que a média da UE a 15. Pior a tendência tem sido para desperdiçarmos cada vez mais energia, enquanto nos nossos parceiros a tendência é a inversa.

27.6.05

 


A manifestação lésbica/gay

Se os homossexuais se sentem discriminados seria de esperar que, ao reclamarem contra essa discriminação, acentuassem as imensas "semelhanças" com os hetero, de forma que aquela "diferença", por mínima, fosse mais bem aceite ou, pelo menos, tolerada. Acontece o contrário -- os manifestantes acentuam ostensivamente a "diferença" (o orgulho gay), o que me leva a questionar se é realmente a tolerância que desejam. Para acentuar a diferença, os nazis obrigavam os judeus a usar a estrela, reservando para si a suástica.

O cortejo tem muito de provocador e algo de proselitismo; como se ambicionassem que todos os outros fossem "diferentes" como eles.
Um apoiante sentiu-se na obrigação de esclarecer: Eu, por acaso, sou heterossexual.
PS. Há aqui algo do proselitismo dos apóstolos da contra-reforma -- o recurso sistemático ao veículo mémico da mensagem, muito mais poderoso e sem os constrangimentos do génico de que estavam impedidos e a procura da conversão dos feitores de opinião. A manifestação tem muito de procissão.

 

Variedade genotípica de cromos. Inevitável/Única

 
Alento à Pluma Caprichosa

É sempre estimulante ler a Pluma Caprichosa. Clara regressou a Lisboa deslumbrada com a variedade de fenotipos de Berlim* e ficou decepcionada com a banal homogeneidade dos lisboetas nas filas de autocarros.

1. Esquece que Lisboa já foi assim há 500 anos; dentro de anos, Berlim será como Lisboa é agora -- híbridos da quadragésima geração e etnias amalgamadas pela consanguinidade. Os únicos que manterão as características originais serão os descendentes dos homossexuais **, perpetuados por clonagem.
2. Se tivesse visto o álbum do Inevitável da Única, Clara verificaria que a homogeneidade se restringia à filas de espera dos autocarros. Os cromos badalados mostram uma variedade que dificilmente se encontra na Europa, não só de fenotipos como também de genotipos; só que, também estes, se vestem todos segundo o mesmo figurino p.c.
3. E se Clara tivesse assistido ao protesto das “forças da ordem” já não se queixaria de monotonia. Foi um insólito festival de um colorido que não encontrará em nenhuma das capitais europeias.
Sai-se de Portugal e perdem-se imensas novidades.

* “Japoneses de cabelo roxo, góticos alemães, senhoras distintas de cabelo loiro cinza, cavalheiros de chapéu de chuva e gabardina em Agosto, caribenhos de pele de bronze e cabelo ras­ta, nórdicos desmaiados com borbulhas, nórdicas de cartaz turístico, americanos desastrados, loiros portadores de sandálias perenes (com peúga), argen­tinos de tez mate e olho traiçoeiro, brasileiros de amarelo e verde, chineses incompreensíveis, ingle­ses irrepreensíveis, raparigas de saia curta, rapazes esguedelhados, crianças de olhos pretos, crianças de olhos azuis, crianças de todas as cores e feitios, e adultos de todos os feitios e cores....”
** “e, maravilha das maravi­lhas, casais homossexuais que não despertam alar­me nem convencem uma sobrancelha sobranceira a erguer-se em sinal de desaprovação. No cais, duas miúdas de calções e cabelo raiado de arco-íris dão beijos uma à outra, dentro do comboio um casal de rapazes, ..., abra­ça-se, e mais à frente, noutra estação, outros dois consultam ... uma revista erótica gay, com portfólios de homens nus em posição de pin-up e anúncios para almas solitárias.”


 
dialética materialista

não há greves eficazes sem dor, sem prejuízo, sem vítimas. Faz parte mesmo da possibilidade de eficácia de uma greve, que é o que uma greve pretende. ... É natural por isso que os sindicatos as tentem realizar quando atingem ou mais pessoas, ou interesses de grupos, que possam levar governos ou empresas a recuar.”
É curioso que os liberais concordem com a estratégia da greve do PCP e dos sindicatos -- uma luta de classes corporativa.


26.6.05

 
respigos da TV

1. Deviam instalar microfones nos palcos dos comícios; os tribunos já não sentiriam necessidade de gritar para que os oiçam.

2. No Telejornal, a RTP1 (a estação oficial portuguesa) promoveu uma técnica para combater a celulite. É mesmo disso que as portuguesas mais necessitam nestes tempos de carestia.
Subsidia-se um jovem para vir a ser médico que acaba anunciando como se pode emagrece por injecção subcutânea; cada tratamento fice em 400 - 750€.
Seguiu-se uma notícia da manifestação contra a pobreza, que reuniu milhares de pessoas em Madrid.

Celulite em Portugal, pobreza em Espanha; cada um com seus problemas.

25.6.05

 
ainda a greve dos professores

Comunicado do Sindicato dos Professores do Norte
Os exames não são necessidades sociais impreteríveis, como estabelece o art.º 598.º do Código de Trabalho. Os exames têm a mesma natureza, em relação ao direito à greve, que têm, por exemplo, as consultas médicas, as cirurgias...”.
É significativo que dentre os exemplos de serviços mínimos, o SPN não inclua os cuidados intensivos nem as intervenções cirúrgicas de urgência enquanto não esquece o “abastecimento de energia a hospitais”.
É a consequência do sindicato dos professores (tal como os dos médicos, dos juizes e outros) adoptar a táctica obreirista da greve dos sindicatos operários.
Tem que haver estratégias mais adequadas aos objectivos, que atinjam especificamente o alvo, poupando inocentes. Até o terrorismo procura ser selectivo. Há que as descobrir ou inventar de modo a conseguir, se não o apoio pelo menos a compreensão dos utentes que se não podem sentir reféns de uma coacção corporativa, inaceitável num regime democrático dum país civilizado.

 

arqueologia contemporânea: a Procuradoria Universitária de José Maria Raposo facilitava as matrículas dos caloiros em Coimbra.

24.6.05

 

A alternativa. "Governo extinguiu Comissão Nacional de Luta contra a Sida"

 
Respigos

Os professores, os polícias, os juízes, os médicos, os funcionários publicos protestam;

Seca extrema em Portugal
mas
Bon Chic (en français)
Pela primeira vez na zona Centro
«O Apresentador irá escolher um pessoa do público e
produzi-la-á durante o programa»

Pela primeira vez na zona Centro (e no mundo),
um apresentador produzirá uma pessoa e ao vivo.
Os nossos preços estão sempre lá em baixo.
Em Coimbra.

Qu’é dos Estudantes deste meu paiz extranho,
Onde estão elles que não vêm zombar.



 

Seca extrema em Coimbra

 
respigos

Fumo na floresta
O investigador da Universidade de Coimbra responsável pelo Centro de Estudos Florestais, Xavier Viegas, denunciou ontem aquilo que designou como "a farsa do apoio aos projectos de investigação científica do Fundo Florestal Permanente". Entre várias irregularidades, apontou o facto de a assessora do director do Fundo exercer funções como avaliadora das candidaturas e, simultaneamente, beneficiar dos fundos, enquanto membro da equipa da Federação dos Produtores Florestais que foi contemplada com a maior fatia do montante disponível para investigação.
O
director do Fundo Florestal Permanente negou ontem que se possa falar de "conflito de interesses", apesar de confirmar que uma das avaliadoras do concurso apresentou, simultaneamente, uma candidatura.
"Essa engenheira não avaliou essa candidatura em concreto".

Era o que faltava para que a desfaçatez fosse completa.

23.6.05

 

bons começos
".... O mundo de rosquinhas que se insinuava pelo corpo rotundo de D. Ramón, do pescoço, saca-rolhas de carne flácida, às pernas curtas e arqueadas, com passagem por três ordens de barriga, pelos socalcos do ventre, desmantelou-se do cimo do selim."
Santos Fernando. Tempo de roubar. Europa-América 1964



 
estímulo ao desempenho no SNS (cont)

... não creio que "os actos praticados" sejam um bom indicador do empenho ou da qualidade do desempenho. Temo que esse erro desvirtue uma excelente iniciativa.

“A prevalência de infecções no Hospital de S. João é de 18%, o dobro da média nacional. O ministro da Saúde diz que "há muitas mãos que não são lavadas...” *
Portugal encontra-se no segundo lugar europeu em número de cesarianas (28% do total de partos), o que não deixa o ministro satisfeito.”

Por vezes, a boa prática consiste em não intervir -- importam mais os resultados que os meios para os atingir.
Mas é mais fácil contar o número de infecções hospitalares e de cesarianas que o de lavagem de mãos e de expectativa armada que também são "os actos praticados".

*Há 150 anos, Smmelweiss já o tinha provado mas também foi ignorado. Mas Smmelweis não era ministro e, pior que tudo, era húngaro em Viena.



22.6.05

 

Numa Casa de Saúde, propriedade da empresa Espírito Santo Saúde, as batas dos enfermeiros têm bordado, a azul, o logotipo da empresa e o nome do proprietário. A primeira vez que vi um enfermeiro assim fardado, pensei que se chamasse Espírito Santo; depressa vi que todos tinham o mesmo nome -- o do Banco instalado na citada Casa de Saúde.
Compreendo que (além do nome próprio) as fardas tenham o nome da instituição para estimular o espírito de corpo - tal como a bandeira nacional ou o emblema do clube; a SEAT e a SKODA mantiveram a marca.
Não vejo qual seja o estímulo de trazer o nome do patrão ao pescoço. Como corda ou como ferro de ganadaria ?


 
estímulo ao desempenho no SNS

O Ministério da Saúde vai alargar a todos os clínicos gerais o regime remuneratório que prevê, além do salário base, o pagamento de um subsídio de produção. "... de acordo com os actos praticados", secretária de Estado adjunta do ministro da Saúde, Carmen Pignatelli, IV Fórum As Reformas da Saúde, do Diário Económico.
Um dos pecados capitais do SNS era a indiscriminação na retribuição--- o salário não tinha em conta o empenho nem a qualidade do desempenho. Esta notícia é um bom princípio mas não creio que a mera quantificação dos “actos praticados" seja um bom indicador do empenho ou da qualidade do desempenho.

Temo que esse erro desvirtue uma excelente iniciativa.

 
Greve dos professores e exames dos alunos

O professor tem direito a greve e o aluno tem direito a ser avaliado (e a um ensino de qualidade). Há conflito quando os dois “direitos” colidem.
Esses direitos não são contraditórios --- o exame do aluno não é causa da greve do professor. O eventual prejuizo do aluno é um efeito secundário (“dano colateral”) da greve; acontece que este dano não é secundário. O exame poderá adiar-se mas isso prejudica muito quem não teve nada a ver com o conflito e é a razão de ser do ensino.
O objectivo do professor é fazer com que o aluno aprenda; o exame é um elemento da avaliação do resultado. O exame nacional é o único instrumento para tentar padronizá-lo. Grosseiro, é provável, mas é o único.
Assim, o direito do aluno ao exame programado sobreleva o do professor à greve.
Se este exame nacional não é um “serviço mínimo” dum professor, não vejo qual deva ser.

“... o despacho do juiz de Ponta Delgada suspende a requisição para serviços mínimos durante os exames por considerar que não se trata de serviços sociais inadiáveis.”
Poderei aceitar que, em abstracto, um exame não seja um serviço social inadiável; mas é justo que os professores obriguem a adiar o exame dos seus alunos, na véspera da data para a qual se prepararam ?

É se um juiz considerar que isso é legal, será legítimo ? E deontológico ?
Mensagem subjacente a esta atitude dos professores -- os fins justificam os meios.



21.6.05

 
evocação

O tom e o sentimento do discurso do PR recordaram os de Vasco Gonçalves no 5º governo provisório.
Força companheiro ?


20.6.05

 
Fundação Champalimaud; os princípios, os meios e os fins.

"Visão estratégica e espírito empreendedor todos lhe reconheciam; a controvérsia era sobre os modos como se tornara o homem mais rico de Portugal e um dos mais ricos do Mundo, com direito a destacada menção na Forbes. Aquando da sua morte, Nicolau Santos, no Expresso, não hesitou em dar-lhe como epitáfio a máxima de Balzac: «Por detrás de todas as grandes fortunas esconde-se um crime».Os seus três irmãos, no famoso processo da herança Sommer, em 1959, acusaram-no de apropriação indevida de acções da Cimentos de Leiria; dez anos depois, inspirador de Fátima Felgueiras, foge para o México, a fim de escapar a um mandado de captura no âmbito daquele processo; pelo meio, em 1961, torna-se o principal accionista do Banco Pinto e Sotto Mayor, posição que terá comprado com um cheque de valor inferior ao acordado, mas que mandou descontar mal subiu a Presidente do banco. Mais tarde, Marcelo Caetano impediu-o de comprar o BPA, cujo dono, Cupertino de Miranda, se prepararia para iludir.Depois do 25 de Abril e da nacionalização dos seus bens, exila-se no Brasil, onde prospera sob a ditadura militar. Não tarda a processar o Estado português, exigindo uma indemnização de 80 milhões de contos. Faz um acordo com Cavaco Silva, mas logo volta a processar o Estado. Entretanto, quando os alemães quiseram receber o preço dos equipamentos que comprara para a sua cimenteira no Brasil, disse que o devedor era o Pinto e Sotto Mayor, exibindo actas, que terão sido adulteradas, da Cimentos de Leiria, e o banco teve que pagar. Em 1994, compra o Pinto e Sotto Mayor, e fica com a maioria do Totta e do Crédito Predial, numa operação controversa que foi dispensada de OPA. Em 1999, sem dar conhecimento ao Estado, e embora tendo propostas de banqueiros nacionais, vende todo o seu grupo, entretanto aumentado, ao Presidente do Santander.
Este homem era António Champalimaud que, em testamento destinou um terço da sua fortuna a uma fundação, cuja finalidade será a investigação na área biomédica. "
J. Paulo de Oliveira. Tempo Medicina.

 
A história no condicional

Se... estas quatro pessoas (Champallimaud, Irmã Lúcia, Vasco Gonçalves e Álvaro Cunhal) tivessem sido democratas ... os últimos cinquenta anos de história teriam sido diferentes. E Portugal era hoje um país melhor.
António Barreto.
Se Cunhal não tivesse existido, a nossa democracia não seria hoje diferente.
Mário Pinto.


 
Na pele de outro

Absolvido. Ninguém será capaz de imaginar o que é estar na pele de Michael Jakson; nem ele.


 
respigos

A greve dos professores e os exames dos seus alunos
Qual seria a sua reacção se um rapazote, zangado com um professor que o tratou mal, impedisse um miudito de ir a exame ?
Os professores aceitariam fazer reféns entre os seus alunos ? “Desde que satisfaçam as minhas exigências, não impedirei que os meus alunos façam exame.”
Não seria de esperar que os sindicatos de professores já tivessem inventado formas de reivindicação que poupassem inocentes ? As greves operárias são mais selectivas.

Qual seria o resultado de um referendo sobre a greve nos serviços públicos ?



 

Domingo à tarde. Dizem-me que não havia lugar para um carro no Retail Park de Taveiro. Os portugueses tentam reanimar a economia com o consumo interno.
A maioria do que compram é importado, mas não se importam; têm uma perspectiva globalizada.

 

Anúncio ambulante.
Todas as camisas ostentam dizeres e exibem a marca; toda a gente parece orgulhar-se dos seu ofício de anúncio ambulante.
Há um século, a promoção dos Armazens do Chiado era um biscate para desempregados ensanduichados entre dois painéis publicitários; a paga era pouca mas os requisitos eram mínimos. A necessidade compensava a situação constrangedora.
Agora não só se aceita gostosamente promover uma marca como se aceita pagar mais para poder desempenhá-lo.

 
Buchas na IKEA

Era um sábado quente--- roupa leve, para ir à praia, que torna ridículos os corpos balofos de “mangas de alpaca”, de calções e sapatas.
As bolsas-cinturões sob a camisa pareciam disformes pneus de gordura mas era o contrário – era a gorda protuberância que simulava a bolsa marsupial. Não era o receio de novo “arrastão” na praia, era a redundância balofa que sobressaía na sobriedade da IKEA.
Se tivesse que dar nomes adequados a estes biótipos, todos começariam por B: um redundante B maiúsculo (a negrito) para as mulheres; um enorme b minúsculo, no caso dos homens.

Não lhe chamarão Bolinha ou Bucha porque é um termo que já não descrimina.
O único algarismo adequado para a medida da roupa seria o 8.


19.6.05

 

A IKEA é uma agradável surpresa. Uma imensa montra de coisas úteis, bem pensadas e muito bem construídas, sóbrias, de belo efeito e a preço acessível. Predomina a madeira, modelada como se fora plástico mas mantendo a textura e a cor específicas. Como as antigas feiras antes do plástico -- uma feira do Sec XXI.
Quase não há bugigangas; grande cuidado na segurança dos artefactos para crianças. Os brinquedos têm um padrão clássico --- cavalos, ursos, comboios, palhaços, "robertos" e uma qualidade notável.
Muitos móveis terão que ser montados em casa, pelos compradores; em todo o lado se apela à participação do utente, por razões cívicas e económicas.
A imagem ideal da social-democracia à escala global.


* Os brinquedos são feitos na China e no Viet Nam, nações de requintadas civilizações. Como é possível que custem 2€ ? Como é possível que os produtores se contentem com tão pouco ? Como é possível que fiquem contentes com este "socialismo de mercado" ? Milénios de feudalismo, um século de colonialismo e a decepção de quase meio século de socialismo concreto, explicá-lo-ão?
* Esta economia social-democrata, este capitalismo "de rosto humano" teria sido possível sem o contraponto comunista do outro lado da fronteira ?



18.6.05

 

Pastores do Pombalinho. Fatias da serra. (mãos, pedras, cabras, partilhas).

"A Arte começa onde a natureza acaba" (Kandinsky). Alguns artistas, deslumbrados com a Natureza, quiseram, atrevidos, melhorá-la; tentam deixar ali a sua marca -- a land art.
Será necessário mexer; não bastará reparar e mostrar ?

 

A crise da União Europeia. Psicanálise de um rapto.

17.6.05

 

Apetece gritar, mas ninguém grita
.....
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.


Torga, Dies Irae, 1950

 

"- Então estiveste na Índia. Divertiste-te?
- Não.
- Aborreceste-te?
- Tão-pouco.
- Que te aconteceu na Índia?
- Fiz uma experiência.
- Que experiência?
- A experiência da Índia
- E em que consiste a experiência da Índia ?
- Consiste em fazer a experiência do que é a Índia
- E o que é a Índia ?
- Como hei-de dizer-te ? A Índia é a Índia.
...
- Diz-me isso por meio de um conceito, de uma sentença, de um slogan.
- Pois bem, a Índia é o contrário da Europa.
- Continuo como dantes. Era preciso que, primeiro, me dissesses o que é a Europa.
- Prefiro encontrar uma definição para a Índia. Digamos, então, que a Índia é o país da
religião.
- E é por isso que é o contrário da Europa? Mas a Europa também é religiosa.
- Não, a Europa não é religiosa.
- E, no entanto, tem o paganismo do Mediterrâneo e dos países nórdicos, o Catolicismo,
a Reforma...
- Não importa. A Europa não é religiosa.
- Então, o que é a Europa?
- Se fosse um indiano, talvez o soubesse dizer. Como europeu isso torna-se difícil.
- Então, imagina que és um indiano.
- Bem, como indiano dir-te-ei: a Europa é aquele continente onde o homem está convencido
de viver no centro do mundo, onde o passado se chama história e a acção é preferida à
contemplação; a Europa é onde se pensa, vulgarmente, que a vida vale a pena ser vivida,
onde sujeito e objecto convivem em boa harmonia e duas ilusões como a ciência e a política
são tomadas a sério, onde a realidade nada esconde, quando ela própria, afinal nada é.
Que tem a Europa a ver com a religião ?"


Alberto Moravia. Uma visão da Índia (trad Jorge Feio). Arcádia 1964


 

Terra mãe. Land Art ?
"A Arte começa onde a natureza acaba”(Wassily Kandinsky).
« …a paisagem é sem dúvida anterior ao ho­mem… » (Saramago. Levantado do Chão)

A paisagem não preexiste ao homem. Antes era a Natureza; a paisagem estava lá mas ainda o não era. Só o foi quando o observador nela reparou; como a fotografia.



16.6.05

 

Imagem do funeral do último D. Sebastião, convicto, não de ter ganho Alcácer Quibir, mas de que aquela batalha não era a última.




 

"O que mais há na terra, é paisagem. Por muito que do resto lhe falte, a paisagem sempre sobrou, abundância que só por milagre infatigável se explica, porquanto a paisagem é sem dúvida anterior ao homem, e apesar disso, de tanto existir, não se acabou ainda. Será porque constantemente muda: tem épocas no ano em que o chão é verde, outras amarelo, e depois castanho, ou negro. E também vermelho, em lugares, que é cor de barro ou sangue sangrado. Mas isso depende do que no chão se plantou e cultiva, ou ainda não, ou não já, ou do que por simples natureza nasceu, sem mão de gente, e só vem a morrer porque chegou o seu último fim. Não é tal o caso do trigo, que ainda com alguma vida é cortado. Nem do sobreiro, que vivíssimo, embora por sua gravidade o não pareça, se lhe arranca a pele. Aos gritos."
José Saramago. Levantado do Chão 1980


 

Agricultores de Montemor o Velho. Arroz duro. (terra, água, engenho, suor)
"A Arte começa onde a natureza acaba" ( Wassily Kandinsky). Alguns artistas, deslumbrados com a Natureza, quiseram, atrevidos, melhorá-la; começaram por ali deixar a sua marca -- a land art.
Será necessário mexer; não bastará reparar e mostrar ?


 

Agricultores alentejanos. A reforma agrária. (terra, orgulho, charrua, suor)

"A Arte começa onde a natureza acaba" ( Wassily Kandinsky). Alguns artistas, deslumbrados com a Natureza, quiseram, atrevidos, melhorá-la; começaram por ali deixar a sua marca -- a land art.
Será preciso mexer; não bastará reparar e mostrar ?


 

Serralves em Coimbra.
Alberto Carneiro. OS 4 ELEMENTOS. "Ferro, plástico, fotografia e elementos naturais".

O "elemento natural" é um loureiro. O plástico simula a ar e a água; a terra é saibro vermelho e o carvão negro representa o fogo. Apagado.

 

Serralves em Coimbra.
Richard Long (EARTH CIRCLE) instalou um círculo de pedaços de granito. A falha ao meio sugere o "percurso de um rio", o Douro

 
Serralves em Coimbra. Pavilhão Centro de Portugal. (Até 26 de Junho)

Escultura e paisagem. Land art
"A Arte começa onde a natureza acaba” (Wassily Kandinsky).

Alguns, deslumbrados com a Natureza, quiseram, atrevidos, melhorá-la; começaram por ali deixar a sua marca -- a land art. (Seria preciso mexer; não bastaria reparar e mostrar ?)
Como não era fácil levar lá muita gente, resignaram-se a trazer a montanha aos museus; melhor, fotografias e elementos.

15.6.05

 

Aqui jaz

 

"A Passionária pediu a palavra.
Levantas os olhos dos papéis que estão em cima da mesa e olhas para a Passionária. Está visivelmente nervosa. Ajeita uma mecha de cabelos brancos. Depois cruza as mãos, descruza-as e desdobra o papel que tinha preparado."
Jorge Semprún. Autobiografia de Francisco Sanchez. (trad. Bandeira de Lima) Moraes 1982

Posted by Hello

 

"Lá vai o português, diz o mundo, quando diz, apontando umas criaturas carregadas de História que formigam à margem da Europa.
Lá vai o português, lá anda. Dobrado ao peso da História, carregando-a de facto, e que remédio --- Índias, naufrágios, cruzes de padrão (as mais pesadas) Labuta a côdea do sol-a-sol e já nem sabe se sonha ou se recorda. Mal nasce deixa de ser criança: fica logo com oito séculos."
José Cardoso Pires. E agora, José ? Moraes 1977

Posted by Hello

 
respigos

A exploração dos recursos naturais.
A União Europeia está a utilizar mais de duas vezes os recursos naturais que tem à sua disposição no continente. relatório Europa 2005 do WWF (
Fundo Mundial para a Vida Selvagem).
Na Europa, a pegada ecológica, que compara o que as pessoas aproveitam da natureza com a capacidade que esta tem de se regenerar, aumentou 70 % desde 1961. "Apesar dos Vinte e Cinco terem apenas 7% da população mundial, utilizam 17 % da oferta mundial de recursos".Portugal ocupa o 18º lugar entre 148 países e o 9º lugar entre 25 europeus. À sua frente Portugal tem, em primeiro lugar, a Suécia, a Finlândia, a Estónia, a Dinamarca, a Irlanda e França.

 
respigos

A redenção de Champalimaud.
“aquele que foi em vida o homem mais rico de Portugal, alguém que ao morrer reservou um terço da sua fortuna para criar uma Fundação”.

Alguns julgam que os homens ricos têm sempre uma dívida para com a sociedade e que, com estes gestos, apenas a redimem. Outros, porém, recordam que é ao buscarem a riqueza que geram riqueza, para eles e para a comunidade, ao investirem, ao inovarem, ao criarem empregos ou novos produtos, também ao pagarem impostos. É por isso que qualquer país necessita de ricos, pois a riqueza não é uma realidade estável que se distribua equitativamente, mas algo que se cria e multiplica e só assim cresce para todos.

 
respigos

Crer para Ver: “à custa do seu trabalho”.
De acordo com a Merryl Linch, os 10.400 milionários existentes em Portugal em 2003 subiram para 10.800 no fim de 2004, o que é um indesmentível sinal de retoma e de esperança no futuro. Não me lembro que tenha havido 400 pessoas a ganhar o Totoloto ou o Euromilhões, portanto é de crer que muitos dos novos milionários - tecnicamente definidos como aqueles que têm "mais de um milhão de dólares (cerca 816 mil euros) investidos em activos financeiros" - conseguiram essa distinção à custa do seu trabalho.

 
respigos

"O Governo socialista realizou 1.094 nomeações nos primeiros dois meses e meio de mandato, número que ultrapassa as 1.034 nomeações feitas pelo Executivo de Santana Lopes no período comparável."
Mesmo demais, são metade das que o governo anterior (SL+DB) fizeram.



14.6.05

 

"As mulheres que labutam de sol a sol na terra portuguesa costumam definir o seu destino com esta frase concisa e trágica: "A nossa vida é muito escrava".
Maria Lamas. As mulheres do meu país. 1948. Caminho

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"Na gândara há aldeolas êrmas, esquecidas entre pinhais, no fim do mundo. Nelas vivem homens, semeando e colhendo, quando o estio poupa as espigas e o inverno não desaba em chuva e lama. O inverno e a morte".
Carlos de Oliveira. Casa na Duna. (2ª edição) Coimbra Editora 1944.

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"Le pays est on ne peut plus fertile, mais généralement trop peu cultivé, parce que
les habitans, riches de l'or et des productions des Indes, se procurent à leur tour,
chez les étrangers, presque toutes les denrées qu'ils leur fournissaient autrefois.
Avant leurs découvertes dans les mers lointaines, les Portugais étaient laborieux
et cultivaient leurs terres avec soin; mais la richesse, tout en augmentant le luxe,
éteint l'industrie; elle assoupit les peuples dans une molle paresse qui, en les rendant
tributaires des autres nations, amène insensiblement la ruine de l'État, et en facilite
toujours la conquête. Ainsi l'extrême abondance de l'or occasionne quelquefois la
chute des empires."


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bons começos

Para responder ao óptimo desafio do Luís, recordo alguns começos.
Como o livro começa pela capa, copio algumas e imagino outras.


13.6.05

 

O que Álvaro Cunhal dizia devia ouvir-se de pé.

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A Junta da freguesia de Stº António dos Olivais exibe um enorme cartaz onde o padroeiro é representado como um ser efeminado, de tez creme, com um menino Jesus ao colo, da mesma cor, aureolados de açucenas. Não creio que Fernando de Bulhões tivesse sido assim; Agustina Bessa Luís também não: António não era um santo no sentido mavioso. Quando se dizia: Valha-nos Stº António, que apoio se poderia esperar de um santinho destes?
O jovem teólogo de Stª Cruz ficou tão impressionado com as relíquias de franciscanos martirizados em Marrocos que entrou no conventinho do frades menores do nova Ordem de S. Francisco de Assis, em Coimbra, para ser missionário. Daí passou a África e depois a Itália, onde morreu aos 36 anos, já com fama de santo.
Parece pouco provável que possa ter tido aquele aspecto de anjinho maquilhado, de olhar em alvo, com que é exposto face ao seu antigo convento.
Não é este tipo de santidade que se espera que uma Junta proponha como exemplo aos cidadãos de Coimbra, em ano de eleições.


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12.6.05

 
Malizia; o défice é grande e a economia patina mas o Algarve está cheio enquanto a TV mostra quem se queixa de ter de subir escadas.
Morre-se quando já não se é deste mundo: Vasco Gonçalves, Teixeira Ribeiro, Raul Lopes, Padre Nicolau, H Pereira da Motta.

 

Malizia
Soap líquido / Liquid soap: vendem água ao preço do sabão, em italiano e em inglês.
Antibatterico: como se não bastasse lavar as mãos (compete com o SKIP que gosta da sujidade).
Estratto del fiore del cotone: É de mestre esta da flor do algodão italiano.

Nutriente dermoprotettivo: tão mau é o sabão que lhe adicionaram um "dermoprotettivo".
Dermatologicamente testato: A confiança que dão estes "testes" que ninguém "testou" .
E importa-se isto.


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Vasco Gonçalves, primeiro ministro da revolução

"Ou se está com a revolução ou se está com a reacção. Não há meio termo...."

Com Vasco Gonçalves, com os seus excessos, a sua confiança, o seu patriotismo, a centelha da sua genial loucura, sentia-se que a utopia revolucionária era possível.
O discurso no Congresso do Escritores e o de Almada -- quando a crista da onda se tinha desfeito -- foram momentos notáveis.
Um cravo vermelho para Vasco Gonçalves; e outro para Melo Antunes que também já morreu.

11.6.05

 

A jornalista expunha as más instalações dum tribunal; uma funcionária queixava-se ter de subir escadas três ou quatro vezes por dia.
Nem os sapatos de ponta afilaaaaada e saltos da altura do degrau aliviavam a canseira.
Talvez o modelo de Tiago Manuel (Actual 10-6-2005) ajude.


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A "mísera e mesquinha que depois de morta foi rainha". Inês, a Constituição da Europa.

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"O grande desvario" de Acácio Lino. MNSR.
Dicionário Ilustrado da História de Portugal. Ed ALFA.

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O Referendo de Alcobaça

O Tratado que estabelece uma Constituição para a Europa poderia chamar-se Inês de Castro.
* Também ela terá sido assassinada por razões de Estado -- o receio da perda da independência fidalga e do consequente risco da perda de privilégios. Nas cortes actuais, pelo contrário, foi o povo que a condenou contra o beneplácito da nobreza.

* Se se persistir no referendo a este Tratado, a Assembleia da República deveria votá-lo no Mosteiro de Alcobaça; no dia 2 de Abril, 645º aniversário do constrangido beija-mão da corte ao cadáver duma rainha póstuma.

 
respigos

Presidente da República também acumula reforma
Os títulos da primeira página do Expresso (10-6-2005) continuam a surpreender-me.
Que relação haverá entre uma reforma privada, que amealhou ao longo de 32 anos com o que poupou numa profissão liberal, com o escândalo de uma reforma principesca, obtida ao fim de 4 anos de actividade no Banco de Portugal, outorgada pela administração de que fazia parte ?
Que relação haverá entre a acumulação do vencimento de uma função pública para que foi eleito individualmente com uma reforma privada obtida previamente e os casos escandalosos que vieram a público ?

Alguém votaria num candidato a PR que não tivesse acautelado o futuro, descontando do seu bolso durante 32 anos para um pé de meia para a velhice ?


10.6.05

 

10 de Junho. Os escudos. Uma forma bizarra em coração; as sombras. Gesso de Loulé.

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10 de Junho. Os escudos. O Império barroco; o escudo em quilha. Calcário mole de Couto do Mosteiro.

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10 de Junho. Os escudos. 1.O Império nascente; o escudo redondo bem suportado num arco perfeito de granito. Alfaiates.

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9.6.05

 
respigo

O maior ecrã do mundo. Optimus open air (2)

O maior ? Preferiria um melhor.
O óptimo ? Quem me dera um bom.
O Optimus é inimigo do Bom.


 
respigos TV

O maior ecrã do mundo. Optimus open air. Doca de Santos
* A maior tela do mundo ! A TV não podia deixar de mostrá-la a ser levantada com a solenidade com que teria sido erguido o obelisco na Praça da Concórdia em Paris. Também ali uma obra estrangeira foi exibida com orgulho.
Orgulho que seria compreensível em quem a fez, mas soa a ostentação balofa em quem a adquiriu – “O Ecrã mede 400 m2. É equivalente a um prédio de 6 andares (deitado)”. “L'obélisque, d'un poids de 230 tonnes et mesurant 23 mètres de hauteur, vieux de 3300 ans, sera offert à la France en 1831 par Muhammad Ali, Pacha d'Egypte”.

* Tela e tecnologia serão do melhor que há (“Som Digital Theater System - é o melhor que existe actualmente em som digital surround. São 34 colunas de som BOSE de alta qualidade. A projecção ... tem uma nitidez impressionante.”).
A tela, tecnologia e até as ilusões são importadas; nem a parede da caverna é nossa.


* Ainda se a mega-imagem fosse projectada num colosso já feito: num pilar da Aqueduto das Águas Livres ou da Ponte 25 de Abril ou numa parede do CCB ... ainda vá, mas poderá um país em bancarrota permitir-se comprar um suporte de ilusões efémeras ?



8.6.05

 
respigo

Joint science academies’ statement: Global response to climate change. 7-6-2005
The national science academies of the G8 nations and Brazil, China and India, three of the largest emitters of greenhouse gases in the developing world, have signed a statement on the global response to climate change.
The statement stresses that the scientific understanding of climate change is now sufficiently clear to justify nations taking prompt action and calls on world leaders … to do the following.
* Acknowledge that the threat of climate change is clear and increasing
* …



 

arqueologia industrial. Taveiro há muito que já não contribui para o efeito de estufa.

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7.6.05

 

arqueologia contemporânea; em breve a burguesia lisboeta imitou a Corte e começou o negócio da neve da Lousã. Tanto a exploraram que se esgotou.

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Poço do Antigo Real Neveiro, na Serra da Lousã, de onde saía gelo para a Corte, em Lisboa.
Para atenuar a calor da Corte, ia a neve de burro, pelo vale do Zêzere até Constança e depois, de barco, Tejo abaixo.

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respigos

O Tratado grego
O ex-tracto: Luís Delgado tentou resumir o
Tratado em seis pontos.
Teresa de Sousa explica porque é preciso parar para reflectir porque não é possível ficar na mesma. “Não faz sentido continuar alegremente como se nada tivesse acontecido, numa fúria ratificadora vazia e suicidária. É preciso parar para reflectir. O que não é possível dizer é que fica tudo na mesma”

A Grécia antiga deve ter tido muitos momentos como este, no final de muitos jogos olímpicos.

6.6.05

 

Mosteiro de Semide; hoje delegação do CEARTE (Centro de Formação Profissional do Artesanato)
Cá fora, janelas gradeadas de espinhos e Passos da Paixão (a OSCE da Fé); lá dentro, imagens de santos benedictos de nomes curiosos: S. Bamba, Stª Ossita, Stª Cinhorinha.
Procurar uma Pietá el-grega.


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Respigo enlameado

SKIP é de opinião que a sujidade faz bem às crianças
A Penicilina é de opinião que o estreptococo faz bem às crianças.
O Continente é de opinião que o consumo lhe faz bem.
Os Ministros das Finanças são de opinião que os impostos ...

A Banca é de opinião que não pode viver sem o ágio.


 
respigos

Suíça reconhece uniões de facto entre homossexuais
Os suíços são prudentes; só reconhecem factos consumados.

 
Fazer bem logo à primeira

* O sensor do carro acendeu; foi reparado na oficina da marca por um mecânico e um engenheiro com uma geringonça electrónica. 30 Km depois voltou a acender.
* O elevador dum prédio de seis andares foi reparado ontem; hoje de manhã, parou.
* A estrada da Beira foi alargada e o piso está óptimo mas, por causa das obras, foi retirada a placa indicadora da saída para Miranda do Corvo. Perdi-me.

Que estes três factos ocorram simultaneamente à mesma pessoa e no mesmo país, algum significado terá.
Quando se queixarem da ineficiência do e da incúria no SNS reflictam sobre o desleixo e a baixa produtividade portuguesas.

“... não pretendo dizer que a administração pública é um poço de virtudes. Não é. Presta serviços que não justificam o dinheiro que consome. Particularmente na saúde, na educação e na justiça. É um santuário de burocracia, de ineficiência e de ineficácia. Mas, infelizmente para o país, os mesmos paradigmas são transferíveis para o sector privado.”
Santana Castilho (a não perder)

4.6.05

 
Casos de arquivo

No Diário de Coimbra de 3-6-2005 lê-se que o MP determinou o arquivamento dum processo “por não ter sido possível... obter indícios da prática de qualquer crime de natureza sexual e sua autoria” ao menino a quem um médico do HP diagnosticou sinais de abuso sexual.
“... por não ter sido possível obter indícios” e “não se mostrar susceptível de efeito útil, nesse sentido, a realização de qualquer outra diligência de investigação” .

Não parece pobre a fundamentação ?

 

arqueologia contemporânea; a escada, a assimptota, o corrimão.

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3.6.05

 
Os trovões de Stª Bárbara

De 10 “creches e jardins de infância” em redor de um Centro de Saúde de Coimbra, nenhum foi considerado ”satisfatório” em segurança e higiene; nenhum cumpria sequer as normas mínimas de higiene da Direcção Geral de Saúde foi dito hoje, no XXII Curso de Pediatria Ambulatória do Hospital Pediátrico de Coimbra.
Se surgisse um caso de meningite num destes infantários, suspeito que muitas famílias exigiriam que o mesmo fosse encerrado para “desinfecção”; exigiriam um processo de eficácia nula para uma doença rara mas mantêm os filhos num ambiente de risco conhecido para doenças frequentes. Conhecerão os infantários onde deixam os filhos ?

 
O mestre da pólvora

* A noite de Coimbra (2 de Junho) terminou com uma surpresa; as luzes apagaram-se quando subiram ao céu foguetes de três e mais respostas que se abriram em repuxos lágrimas, fogo de artifício que incendiou a Universidade e iluminou toda a gente.
Cumpriu-se o vaticínio de Antero:- «A Universidade só iluminará o povo no dia em que lhe pegarem fogo».
Foi bonito mas o esplendor da profecia só durou breves minutos.


* Só muito depois nos demos conta que se não tratava de pólvora, mas de um sucedâneo virtual, tão perfeito que tínhamos a ilusão de cheirar a fumo. Era a homenagem às 34 Universidades europeias do Grupo de Coimbra e o Vice-Reitor honorário Jorge Veiga, alma do Grupo e Professor de Química nos fez esta surpresa em estreia mundial, 200 anos depois de outro. Em 1808, durante as invasões francesas, havendo falta de pólvora, o Professor Tomé Sobral, “
mestre da pólvora”, foi encarregado de a produzir no Laboratório Químico da Universidade. Apesar da falta de matérias primas Sobral conseguiu produzir muita e de boa qualidade.

* A festa foi patrocinada pela Amorim Imobiliária; pena que a Universidade se não tenha ligado a uma empresa mais dinâmica.



 

O p�tio da Universidade depois da Noite de Coimbra de ontem; Lu�s de Matos depurou-a da Torre e do barrocoso rei Jos�. Pena que a magia n�o perdure.
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2.6.05

 

Miranda do Douro. Costanilha, a belíssima rua medieval.
A incúria destroi o património: o número metálico e os suportes dos fios telefónicos cravados na verga centenária.
Mal se lê a ESTALAJE DO ZANBeIRA 1822 REAL E NACIONAL

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