alcatruz

Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt

28.2.05

 

"Abraço Lusófono" Quantas palavras de origem portuguesa há nesta fotografia da Malásia ?
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Novas licenciaturas
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Muxima como Cunha Moraes a viu em 1885 (África Occidental)

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"Abraço Lusófono" 4
Muxima, Páscoa de1963
Médico duma Companhia indígena nesta aldeia à beira do Quanza. Todos os soldados e quase todos os furriéis eram africanos.
De manhãzinha fazia as consultas e visitava os doentes do "hospital", acompanhado do experiente enfermeiro do Serviço de Saúde oficial; a partir das cinco e meia da tarde a temperatura tornava suportável o volley, mas só até às seis e um quarto que a noite caía rapidamente, quase sem crepúsculo. Mas não era a falta de luz que nos obrigava a suspender o jogo -- poderíamos continuá-lo à luz de milhares de relâmpagos de centenas de trovoadas que se desencadeavam todos os dias, sempre a essa hora; o que nos impedia era a chuva grossa que caía em catadupas e a que se seguia a invasão dos mosquitos...
Os colonos brancos que restavam, continuavam com a vida que sempre haviam tido. Não apreciavam que o médico só os atendesse depois de terminado o serviço oficial. Nunca perguntaram o preço da consulta nem a agradeciam; a "tropa" estava lá para os defender-- às suas propriedades, vidas e saúde. De qualquer modo não privei muito com eles.
Os furriéis eram angolanos com o curso liceal; Angola não tinha Universidade o que os impediu de continuar. Procurando saber a razão desta guerra que não sentia minha, eram eles os interlocutores privilegiados.
Muxima era conhecida pelo seu santuário procurado por mulheres estéreis. O padre, negro, ali vivia com a mãe. Convidou-me para o almoço de domingo de Páscoa; ali estavam também dois dos "meus" furriéis.
A mãe do padre à cabeceira da mesa.
Velha (da idade que eu tenho agora), negra, vestida com os panos tradicionais, presidia ao almoço com uma atitude de discreta e inesperada fidalguia; usava os dedos para levar o funje à boca, com a elegância com que comeria cerejas. Todos os gestos eram delicados, quase solenes. O almoço era frugal mas muito agradável--funje de mandioca e peixe do rio (bagre?) frito em óleo de palma.
A conversa começou com evocações familiares mas rapidamente evoluiu para a guerra; eu era o único branco, médico e "português". Cada um evocou outras Páscoas com a família. Os pais dos meus amigos eram comerciantes e percorriam Angola no seu negócio; durante as férias, os filhos acompanhavam-nos. Nas "cantinas" da estrada era frequente só serem admitidos pela porta de trás e servidos em zonas separadas.

Durante o almoço foram-me contando as inúmeras formas de discriminação a que eram sujeitos, umas mais brandas que outras. Tudo num tom coloquial, tranquilo e sem rancor, como se se tivesse passado há muito tempo ou a outros.
Por fim não pude deixar de perguntar porque estavam do "nosso" lado.

--Tinham visto os massacres da UPA no Norte de Angola, em 1961; assim não...

27.2.05

 

Casa da Telha, pousada na guerra.
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"Abraço Lusófono" 3
seu cravo...
Durante a guerra de Angola, eu era médico duma Companhia indígena (soldados angolanos) que estava aquartelada na Casa da Telha, uma encruzilhada entre Ambrizete e Tomboco, 200 Km a norte de Luanda. Só uma vez estive doente; foi exactamente no dia seguinte que, muito combalido, tive que atender o Zumba, já meu conhecido de uma sanzala próxima (Uéne). Tinha sido atacado por uma pacaça e, por sorte, tinha sobrevivido muito mal tratado. A pacaça é um búfalo selvagem de boa carne e força bruta que os angolanos temem mais que o leão ou a onça.
Levantei-me a custo e fui vê-lo, todo retalhado, cara, membros e abdómen, com um testículo à mostra e sem um olho. Nenhum órgão vital atingido, pleura e peritoneu intactos; um milagre.
A situação ultrapassava a minha competência, de mais a mais naquele estado. Rejeitou definitivamente a transferência para Luanda e pediu que o tratasse como pudesse. Não tive outro remédio e passei a tarde a remendá-lo, quase desmaiando de vez em quando. A costura não ficou mal e, como não infectou, em poucos dias estava capaz doutra. Só não consegui reimplantar o olho que lá ficara no mato e me trouxeram, lavadinho, no dia seguinte.
Agradeceu-me muito e, quando fui rendido, veio oferecer-me um garnisé, “para um churrasco” que pela dureza, deveria ter a idade do dono. Com a galinha vinha esta carta, numa caligrafia impecável:

Uene, 12-4-1964
Exmo senhor doutor da Casa da Telha
Quero que este bilhete lhe vá encontrar da excelente saúde, a minha graças ao senhor está cumo desde os tempos também não está muito mal. O seguinte eu estou muito alegre e contente sobre o tratamento que o senhor doutor me fez desde a primeira doença até desta vez que eu fui ferido na pacaça.
E eu tenho que vir aí para gente despedir-se; se não despedirmo vou ficar com muita tristeza. todo o respeito envio-o esta galinha para fazer um pequeno chorrasco e uma lembrança para o senhor Doutor.
Muitos e muitos agradecimentos e ao mesmo tempo desejamos um resto de vida muito feliz.

Obrigado
O seu cravo
Zumba Zau

 

Óscares -- os velhotes da lata com a lata dos velhotes com os velhotes...
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respigos
A última aparição
Dizem que o Papa apareceu à janela do hospital mas nem todos o terão visto dada a chuva e o reflexo da vidraça.
Dizem que o Papa terá pedido para rezarem por ele.
Um Santo Papa a pedir que rezem por ele ? Custa a crer que este Papa tenha feito tal pedido quando morrem duas crianças por minuto por malária, uma praga evitável.
Se não foi Karol, quem terá sido?


Óscar ao espelho e os velhotes
O Aviador tem 11 nomeações para o concurso desta noite. Se não contasse a história do realizador dum filme teria a mesma cotação ?
Um espelho em vez da objectiva ? O actual paradigma autista da fotografia também contamina o cinema ?
Em 2015 será nomeado um filme que conta a história de Scorsese que realizou um filme que conta a história de Howard Hughes que realizou um filme que conta a história... como nas antigas latas de café “Velhotes”.

26.2.05

 
Viradeira
Afinal o Congresso extraordinário do PSD será em Pombal e não na Figueira da Foz.
Dª Maria I teria gostado do local escolhido para a viradeira.

 
Reformas de fundo
“... confiado eu nestas esperanças ..., me embarquei para este reino, tão contente e tão ufano com os papéis que trazia que tinha para mim que aquele era o melhor cabedal que trazia de meu, porque estava persuadido que me não tardaria mais a mercê que enquanto a não requeresse.
Prouve a Nosso Senhor que cheguei a salvamento à cidade de Lisboa .... em ... 1558, governando então ... a Rainha D. Catarina, ...., que santa glória haja, a quem dei a carta que lhe trazia do governador da Índia, e lhe relatei por palavra tudo o que me pareceu que fazia ao bem do meu negócio. Ela me remeteu ao oficial que então tinha a cargo tratar destes negócios, o qual com boas palavras e melhores esperanças, que eu então tinha por muito certas, pelo que me ele dizia, me teve os tristes papéis quatro anos e meio, no fim dos quais não tirei outro fruto senão os trabalhos e pesadumes que passei no requerimento, que não sei se diga que me foram mais pesados que quantos passei no decurso do tempo atrás.”

Fernão Mendes Pinto. Peregrinação. Escrita de 1568 a 1578, editada em 1614.

"A palavra dos reis era sagrada, quando os reis governavam: agora apenas reinam. Um amanuense de secretaria basta para entupir os canais por onde aflui a misericórdia do rei ao povo. "
Camilo Castelo Branco. Memórias do Cárcere. 1881

Até Camilo julgava que dantes era melhor ...

 
Em que votaram os portugueses
Dependem directamente do Orçamento do Estado (funcionários, pensionistas e subsidiados) 43% dos portugueses (62% dos de mais de 24 anos). Medina Carreira
A maioria terá votado:
a) Reformas de fundo
b) Reformas desde que...
c) Continuidade dos fundos
d) Leopardo
Qual a sua opinião?

 

"café lusófono"
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"abraço lusófono" 2
Na Damba, Norte de Angola, meses depois do terrorismo de 1961, a vida começava a reorganizar-se. Emídio Sancho, médico do exército português, descrevia:
“Em todas as sanzalas seres esqueléticos, semi-nus e andrajosos com grande percentagem de doentes. Nas culturas não se encontram mais que primitivas e inadequadas alfaias e os mercados, que em alguns lugares se realizam e que se chamam "praças", são uma caricatura grotesca dum vulgar mercado. Os únicos produtos possíveis de adquirir são galinhas e ovos. Os restantes são punhados de espigas de milho e ginguba (amendoim), malavo, ratos assados (?) espetados em paus e gindungo (piri-piri).
O dinheiro corrente é variado predominando, em Quitato, notas do "Centrale Bank van Belgich - Congo Ruanda-Urundi".
A falta de sal e sabão deu origem a alguns episódios que levaria toda a noite a contar.
No que se refere à instrução o aspecto é desolador. Poucos são o que se fazem entender em português corrente. Na zona de Camatambo, das prováveis 600 crianças em idade escolar, cerca de 50 frequentam uma espécie de escola improvisada de tábuas, em que o professor é um jovem que tem a 4ª classe e fala pior o português que qualquer miúdo da 2ª classe metropolitano. Só 1/3 dos alunos tinha papel e lápis e grande parte deles deslocava-se 20Km a pé para chegar ao local. Todos andrajosos e descalços. Todos magros e sujos. Estranho--mas todos com um intenso desejo de aprender.

Um episódio para finalizar:- Uma rapariga de Banza Lembo, chamada N'zumba estava embrulhada num pano em que se estampava, repetida e paradoxal, a palavra "LIBERTÉ".

25.2.05

 
"Abraço Lusófono"

O tema da VII Semana Cultural da UC é um convite a revisitar a "lusofonia", no plano da nossa memória, da nossa história presente, dos nossos afectos e emoções.
Vamos a isso; cartas do início da “guerra de Angola”. Documentos vivos que a ajudam a explicar. Há 42 anos que espero que o autor (Albertino Almeida) os publique. Uma amostra:
1962 - "Do Quibeca, sobeta do povo Quingungo--"Agora que já está tropa e é bom, já vai melhor; mas primeiro era ruim tempo. O chefe de posto costumava mandar apanhar cabras e galinhas pelos cipaios e quando o dono ia no posto pedir dinheiro pagava 15$00 por cabra e 2$50 por galinha. Se o dono recusava preço então toca de levar porrada no focinho e puta que pariu todos os chefes de posto.
Eles costumavam vir pedir gente para ir trabalhar no contrato e quando não aparecia ninguém, o sobeta levava palmatoada, e tinha de ir. Era no Uige e no Songo e noutras partes onde tem café. E lá, quando não tinha forças para trabalhar levava com pau nas costas e com chicote. Muitas pessoas morreram no contrato e gente ficar com medo por causa disso. Nos primeiros tempos ganhava 20$00 por ano e no fim já pagava 800$00 por ano e para vestir, sacos e comiam funge, feijão e peixe seco e se ficava com fome não comia mais; mesmo peixe podre tinha que comer para matar a fome. E se fugiam ao contrato nem sequer ligando ao tempo que já tinham trabalhado, vinham prender no povo e mandar para a terra donde fugiram..."
Quingena, sobeta do povo Lemba, estando presente declarou que "o maneira porque falou o outro é mesmo igual". E as mulheres disseram que "também era igual maneira".
De Kumona, do povo Camatambo:- "Nos primeiros tempos chefe mandava chamar gente, homens e mulheres, para trabalhar na granja e não pagava. E também carregar paus das pontes e trabalhar nas estradas por conta do Estado e não recebiam nada. Faltando homens, o soba apanhava porrada. Depois mandava apanhar seus animais e se reclamavam recebiam pouco ou então porrada. Era como o chefe queria".
António Sanda, do povo Vunda disse que era o mesmo em Quindunga, Quimbolo, Vunda, Quizaco e Quizimba".

“Para estas coisas serem contadas foi necessário um longo convívio, durante meses, com estes homens. De início medrosos e por fim confiantes e até amigos. Foi graças a um amigo, Albertino, que consegui colher estes elementos para te contar. Nada de novo para mim (porque vi e ouvi); no entanto, ouvidas através do gravador, são impressionantes”. (Emídio Sancho)

 

respigos

O Portugal que funciona
Um Centro de Saúde exemplar. “O segredo? Não nos limitamos a receber ordens de cima nem a aceitar horários que nos eram impostos por lei. Juntámo-nos e organizámos o trabalho em função das necessidades da população que servimos” Centro de Saúde de Fernão Ferro
Uma escola pública de sucesso. “Os alunos têm bons resultados e a escola até ocupa uma boa posição na classificação nacional .... a escola segue a sua vida, para lá das decisões de Lisboa e dos sucessivos ministros... com “uma liderança forte e um projecto educativo específico”. “Temos problemas , só que trabalhamos bastante”. Escola EB 2,3/S de Canas de Senhorim.

O Portugal que funciona. Única, Expresso, 18-2-2005

Belos exemplos de serviço público; seria bom saber qual a resposta do poder central; saberá que existem? Terão estudado estas iniciativas de sucesso ? Qual a recompensa ?
Se os hospitais melhorarem o atendimento, mais doentes ali acorrerão. Por que hão de tentar melhorar se os recursos serão sempre os mesmos?
Que ganham os centros de saúde em procurar atrair e cuidar melhor dos doentes? Mais trabalho com os mesmos recursos.
Um SNS tem normas específicas; o enxerto avulso de regras liberais desvirtua o sistema e perverte a situação -- a melhor oferta apenas se traduz em mais trabalho, sem a consequente retribuição.
A tutela do MS não estimula e parece
incomodada com a excelência.

24.2.05

 

Não à co-incineração ! Há alternativas em Coimbra, que respeitam o protocolo de Quieto (Affreudite, blog)
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Flamenco
No jardim do velho Pediátrico está uma família cigana. Uma mulher (mãe?) chora. Chora e canta, que é flamenco aquele belíssimo lamento triste. Sem viola, os ciganos fumam.
Está Sol nesta límpida manhã depois da chuva.
Ela chora a cantar e o dia ficou mais triste, a luz mais baça, um arrepio.
Os hospitais hão de ter um jardim para as mães poderem chorar cantando.

 

A farra durou pouco. Afinal a rosa renasceu; veremos quanto dura.
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23.2.05

 

A procissão vai no adro
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Não estaremos a dar demasiado valor à política?

Daqui a meio século não se olhará para os actuais partidos e campanhas eleitorais como nós olhamos para as velhas guerras religiosas?
Os partidos são como que confrarias com o seu patrono que nos protege se o honrarmos, guardando o seu dia de festa, cumprirmos a praxe, pagarmos a côngrua; tal como nos partidos, basta pagar as quotas (a bula com que se compensa a inércia) para ter os direitos inerentes -- que quase se resumem a eleger (e poder ser eleito) quem nos vai representar junto do divinizado poder central. Delegamos e esperamos com fé e esperança a graça de um favor. Um milagre, se formos dignos.
As eleições são uma espécie de festa do todos-os-santos; preparada pelos sermões dos comícios (com públicas profissões de fé), pelas procissões com os andores e os candidatos sob o pálio nas ruas engalanadas, ao som das filarmónicas. Os pendões são as bandeiras dos partidos; nos cortejos comemoramos a vitória do nosso Deus contra o dos turcos.
Só o nosso é verdadeiro; só ele nos salvará.
Não estaremos a esperar que os políticos façam por nós o que nós não ousamos fazer, como outrora se esperavam milagres dos deuses? por interferência dos santos do poder local da nossa freguesia?
Não terá a TV substituído o oráculo de Delfos?
Que muitos acreditem que o universo foi criado por Deus, é compreensível; o que me preocupa é a crença que algum deus continua a vigiar o processo universal, podendo intervir nele e, a pedido de alguém, alterar as leis que Ele próprio terá criado com infinita sabedoria.
Não é Brama que me preocupa, é Vixnu (e, sobretudo, Shiva).
Mas será possível alterar este estado enquanto aceitarmos (com as Universidades) que o acesso ao ensino superior seja decidido centralmente no MES? que o acesso ao internato médico seja decidido centralmente no MS? que o processo da colocação dos professores seja decidido centralmente no ME? que o governo resolva todos os nossos problemas ?

 
respigos
“.... o eleitorado português ... É conservador, corporativo e retrógrado...” Vasco Graça Moura no Dia europeu da vítima de crime. DN 23-2-2005

Não perder o "Syrial killer"

22.2.05

 
PSL considera a hipótese da Figueira da Foz; para o Congresso do PSD, claro.

 

Finda a eleição, os painéis já estão prontos para promover outras utopias.
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Cumprir os manadamentos e pedir com muita fé

No dia da reflexão: reportagem da SIC sobre SPA (salut per aqua) lisboetas emergentes -- o bem estar conseguido por duas horas de massagem, em ambiente luxuoso e a preço correspondente. O utente não tem nada que fazer senão entregar-se ao prazer que outrem lhe proporciona. Um gozo passivo, remunerado e donde sai artificialmente feliz até dois dias depois.
Recorda os balneários romanos servidos por efebos ou as casas de fumo da China do Sec XIX. A cara dependência da droga -- dos medicamentos, dos partidos, dos outros, de deus e dos santos.
Eu não preciso fazer nada, basta pagar bem ou cumprir os mandamentos e pedir com muita fé.
Por isso se exageram as expectativas no novo governo, na chuva anunciada e no Sebastião que há de vir.

21.2.05

 

A desarmar a festa.
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A desarmar a festa
O Luis que me não leve a mal mas não tenho outra sigla.
De qualquer modo, a APU já lá vai e as argolas da esquerda tinham conotações sinistras.

 

PS - 42% PSD - 27% PP- 4.4%
O povo não se cansa de levar porrada. Presidente da Junta de Souzelas (As Beiras)
O povo não tolera demagogia nem erros de ortografia.(Veritas, blog)


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Previsão de chuva fraca
Metade dos eleitores está satisfeita, um quinto está triste e um terço esteve-se nas tintas.
Só a chuva satisfaria a todos.

 
PS. Maioria absoluta -- responsabilidade absoluta
PR. Responsabilidade absoluta -- razão absoluta

20.2.05

 
Mcballot
A afluência de eleitores aumenta substancialmente depois do almoço. Muitos vêm de automóvel, o que entope o trânsito; o autocarro buzina impaciente.

Sugiro que, enquanto se espera pelo voto electrónico, se pense numa urna a que se possa ter acesso sem sair do carro como no McDonald.
PS. Associe-se também à proposta de FNV.

 
Quanto custa subir ao altar
A "subida ao altar" (beatificação) custa entre 250 e 350 mil euros, valores que as igrejas nacionais recuperam normalmente com a venda de artigos religiosos. (Expresso)
São os fiéis que acabam por pagar o custo da beatificação, comprando "artigos religiosos"; qual a fracção desse valor que os fiéis recuperam -- qual a taxa de pedidos atendidos ? Maior que a das promessas eleitorais?
Se a taxa de pedidos atendidos e a dos compromissos eleitorais cumpridos não for superior à que um devotado ser humano for capaz com suor, engenho e arte, poderá questionar-se a utilidade da crença numa entidade mágica capaz de alterar a ordem natural das coisas sem o nosso esforço.

 
Há meio século
Naquele tempo também havia eleições; eleições “assistidas” para evitar que nos enganássemos. Os caderno eleitorais eram depurados dos “espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perdição das almas” e os resultados eram convenientemente podados.
Nas eleições de 1958, um amigo deu-se conta que o seu nome constava nos cadernos da sua aldeia e nos de Coimbra; com algum problema de consciência votou em Coimbra de manhã, meteu-se no comboio e a meio da tarde estava na aldeia decidido a votar outra vez para corrigir a previsível falcatrua oficial.
Não teve oportunidade; a urna tinha encerrado mais cedo por terem votados todos os eleitores.
--Só votaram cinco na oposição, disseram-lhe; e ele teve que ficar calado.
De qualquer modo, cinco ou seis que diferença fazia?

19.2.05

 
Um conselho a gnus *

Uma manada de gnus à beira de um rio infestado de crocodilos.
Um dos gnus bebe olhando um crocodilo mesmo à sua frente...; o resto é o que seria de esperar.
Tal como os acidentes rodoviários, as quedas das crianças, o sexo avulso, a publicidade e o voto.

* agnus é a palavra latina para cordeiro

 

respigos

Misericórdia

“A questão da saúde é que vai ser necessário melhorar profundamente o serviço” .... para corrigir “as dramáticas deficiências do nosso” (SNS). Manuela Morgado
Eis alguns índices objectivos dessas deficiências:
* A mortalidade infantil foi a 6ª melhor da Europa em 2003; em 1980 era a 24ª.
* O SNS foi classificado no 12º lugar mundial (OMS 2000)
* "85% da população considera satisfatória a cobertura e a prestação dos cuidados nos serviços públicos" (Villaverde Cabral. "Saúde e Doença em Portugal, 2002)


É bem verdade que:
“Um ministro incompetente é tão perigoso quanto um pleno de ideias brilhantes que não mande fazer as contas”. Com a notável a isenção deste e doutros candidatos a reformadores do SNS (... a reforma do sector está a «ser assumida pelos profissionais de saúde como sua». Patinha Antão. DN 2-12-2004) podemos reflectir tranquilamente e votar em consciência.

 

respigos

Benvindos, mal-aventurados cépticos ...

“... a cultura socialista democrática ... (ainda) não conseguiu ... desfazer-se do mito ... da Cultura, como sinónimo de Verdade, mesmo não revelada.
Acontece ... que a Cultura não é o lugar de revelação alguma, é apenas o lugar onde todas as revelações são examinadas e discutidas sem fim...”
Eduardo Lourenço

18.2.05

 

Tenha cuidado em quem vota; tenha cuidado onde bota o papel.
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17.2.05

 
A que distância estamos do Céu

A crer no que os pastorinhos de Fátima terão dito (Mistérios de Fátima - RTP1, 16-2-2005), a Senhora revelou-lhes que a Guerra terminaria “nesse dia” mas tal só aconteceu um ano depois.
Esse atraso poderá ajudar a calcular a distância da Terra ao Céu. Maria foi uma mulher onde Deus terá encarnado; não sendo divina, estava sujeita às leis do Universo que Ele criou. O atraso poderá ser atribuído à viagem ao Céu donde teria de ser emitida a ordem de cessar-fogo.
Assumindo que a velocidade da comunicação fosse da ordem da da luz, seria possível calcular essa distância. Melhor será dizer estimar, dado que a velocidade poderá não ser exactamente a da luz, pois os pastorinhos declararam que a imagem era “mais brilhante que o Sol”.

Por outro lado, não é seguro que a velocidade da luz seja constante (Magueijo. Mais rápido que a luz) no luminífero éter galáxico.
Mais simples é admitir que, para quem vive na eternidade há dois mil anos, a noção de “hoje” não tenha o significado estrito que lhes atribuímos.

 

sinais sugestivos ?
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Há sessenta anos
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16.2.05

 
"Perdi a voz, mas não perdi a esperança ...".

Foi simpática a reacção dos outros candidatos quando Jerónimo de Sousa teve que abandonar o debate. Em resposta ao seu apelo a “medidas que preservem os 75 mil postos de trabalho que estão em risco no sector têxtil” o líder do PS... prometeu “criar 150 mil novos empregos nos próximos quatro anos”.
Por seu lado, o líder do PSD .... pôs a banca a pagar "mais do dobro de impostos do que pagava". Sócrates garantiu a promessa eleitoral de transformar os hospitais SA em empresas públicas; "um sinal evidente de que não queremos privatizar a gestão dos serviços de saúde".
Jerónimo Sousa, terá ficado grato: "Perdi a voz, mas não perdi a esperança ...".
Pouco a pouco, a esquerda tem conseguido que a direita assimile os seus valores e os inscreva nos seus programas; este é o seu contributo decisivo para o processo histórico. Espero que a direita e a social-democracia assumam também a proposta do PCP de "devolver a qualidade de vida aos portugueses sem aumentar a despesa pública”.

 

Rembrandt. De anatomische les van dr. Nicolaes Tulp - 1632


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o debate final

Rembrandt. A lição de anatomia do dr. Tulp. 1632

No Sec XVII, o Dr. Tulp demonstra a perfeição da “humani corpora fabrica” – mostra o movimento dos dedos pela tracção dos tendões.
A mão e o cérebro atento – a lógica
Quase quatro séculos depois, cinco (4) portugueses analisaram as imperfeições da nação. Entre anúncios de champôs, de telemóveis, de alimentos em lata e de um Banco, procurou-se a culpa em vez da causa.
A culpa dos suspeitos do costume – a pesada herança dos “outros”. A culpa nunca é nossa.
Os cristãos-velhos contra os cristãos-novos. Estes (tanto os agiotas como os empreendedores) ameaçados de expulsão; àqueles – os justos instalados – promete-se o paraíso se continuarem a acreditar nos apóstolos.
A teoria dos humores em vez da razão.

Não se apelou a participação dos cidadãos na restauração do país; os tendões apenas poderão escolher quem os há de fazer mexer.
Cada época usa os meios de que dispõe. Rembrandt usou a pintura para demonstrar; os 4/5 esqueceram o poder da TV– nenhum projectou gráficos ou quadros com dados (Portas levou alguns mas não estavam preparados para TV).
Aceitaram usar a TV como púlpito sujeitando-se aos ditames dos media; preferiram a eloquência do sermão à lógica dos factos, o recurso à emoção ao apelo ao raciocínio.

São estes cinco que se propõem governar o país ?

15.2.05

 

ao gosto do freguês
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Mais do mesmo?

Nem mais um cêntimo para as universidades. Fátima Monteiro. Público 30-10-2002
Gastar menos e gastar melhor? António Barreto Público 13-2-2005


O lema não é “mais e melhor” nem “mais do mesmo” mas “melhor sem mais”.
Nem um euro a mais para o orçamento de Estado. Os candidatos deverão explicar como se propõem fazer muito melhor com os mesmos recursos.

Doutro modo qualquer um poderá ser ministro.

14.2.05

 
respeitinho

A suspensão da campanha é a prossecução dela por outros meios *

* com respeitinho a Clausewitz

 

PCP. A resistência. Só o C não tem ponto final.
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Mais, melhor e maior do mundo, tudo.
*“Quando for grande quero pilotar o avião mais rápido do mundo, dirigir o melhor filme do mundo e acumular a maior fortuna do mundo”.
Howard Hughes (O Aviador, um filme de 100 milhões de dólares)

* “Emigrei ilegalmente e aceitei este trabalho para poder ter dinheiro para comprar tudo o que quisesse”. Uma emigrante de leste detida numa rusga.

 

respigos

Impressionante
A morte da irmã Lúcia é uma notícia impressionante que constitui um momento impressionante para Portugal e para o mundo, ...., porque ela teve também uma vida impressionante. Santana Lopes, PM.
vida impressionante (adenda)

13.2.05

 

J. Tabarra. "Strada one of us"
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BES Photo; tentativa de procurar a linguagem plástica do insólito e do trivial ?
Os critérios de selecção do júri deste concurso de fotografia patrocinado por um banco parece terem privilegiado a imagem do trabalho e da técnica -- o trabalho braçal da mulher a dias e a imagem digital.
1. "A Experiência do Lugar". Numa cinzenta madrugada, uma mulher limpa o chão e arruma as cadeiras de uma cantina. A luz oblíqua revela as nódoas e os objectos mais inesperados; tão inesperados que se diria terem sido ali postos de propósito.
Usará saltos altos para se não sujar ?
Noutra sala, um vídeo mostra o suplício da empregada – todos os dias tem que fazer exactamente a mesma monótona tarefa: encerar o chão de uma sala à maneira antiga, de joelhos de cá para lá; por isso está de luto penitencial. Farta deste trabalho forçado e aborrecida de morte (?), usa um candeeiro de mesa como se fora uma enceradeira eléctrica.
2. Uma outra sala presta homenagem à imagem digital mostrando as fotos que se desperdiçavam quando se usava o filme nas festas de família. Ao que ontem se deitava fora com pena ("I Love My Photos"), atribui-se o estatuto estético de antiguidade, acelerando a história.
3. Noutra cena ("Strada One of Us") algo terá caído dum automóvel. É de noite; os faróis acesos iluminam o motorista que, acocorado, procura em vão, encandeado pela luz. Em vez de se zangar, fotografa-se naquela ingrata posição, procurando registar a eventual sedução do inesperado incidente. À luz dos faróis, o brilho dos olhos do homem de gatas evoca os da caça grossa na savana africana mas sem a elegância felina da onça nem a força da pacaça.
4. Por fim, outro artista procura elevar a doença à categoria de arte ("The Time Is Now). A doença de Nieman-Pick resulta de uma anomalia do metabolismo que leva à degenerescência das células nervosas; é característica a cor vermelho cereja do fundo do olho. Se se conseguir ignorar o sofrimento destes doentes, conseguir-se-á fruir a beleza da cor cereja da pupila; para isso é preciso olhar os olhos esquecendo os doentes. Não é fácil mas há quem consiga.

É curiosa a insistência no auto-retrato em quase todas estas colecções. Um duelo em que disparam contra a sua imagem no espelho (um suicídio virtual no palco -- olhem para mim senão morro !).
A AICA premiou a "profunda capacidade de renovação das linguagens plásticas”.

No CCB até 27 de Fevereiro.

 
As eleições

Como “a maioria das revoluções que se fazem em seu nome”, as eleições são o intervalo dado ao povo para “mudar de ombro para suportar a costumada carga" (Goethe, citado por Eduardo Lourenço. O Labirinto da Saudade).
O tolerado Entrudo que precede a costumada Quaresma.

 

Ainda me não convenceram
Posted by Hello

12.2.05

 

respigos

* Guidelines para redigir notícias da primeira página do Expresso

A notícia ... terá tido origem ....
É esta a convicção de várias pessoas próximas de ...

... a apoiar a convicção .... estranham a rapidez com que ... reagiram à notícia...
... dando a ideia ......

Os jornalistas só terão que preencher os espaços em branco.

A educação, a justiça e a saúde ... estão num estado desgraçado” (Política à portuguesa); em que factos ... terá tido origem ... a convicção do director ?



* "O país em que a ocupação geral é estar doente...” (Eça de Queiroz. Os Maias. 1888) tem agora mais outra: a de comprar coisas.
Enquanto esta epidemia durar e consumir desenfreadamente for uma obsessão, continuarão as inevitáveis cedências do poder político à força dos patos bravos e dos especuladores para que se arredondem zonas de protecção, se esbatam as fronteiras de PDMs e das reservas ecológicas ou agrícolas.
Continuaremos a ver PR, ministros e bispos e até ex-futuros reis desempregados de Impérios em saldo nas inaugurações de Colombos e de FreePorts, catedrais do consumo supérfluo.

Enquanto o poder faz que governa, ministra, promulga, reina e abençoa, o lucro-a-haver governa-se e “reina” connosco.

 

em Macau
Posted by Hello

 
saldos

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
....
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra – louvado seja o Senhor! – o que nunca tinha pensado comprar.

António Gedeão (Máquina de Fogo, 1961)

11.2.05

 

Menos, isto é, mais sóbrio, parco, regrado, comedido.
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O consumidor clássico, o responsável e o outro.

O consumidor clássico procura a melhor relação qualidade-preço. O consumidor responsável recusa-se a comprar produtos e serviços que desrespeitam o ambiente ou são feitos à custa da exploração humana. União Geral de Consumidores. Público, 14-2-2002

Procura-se o cidadão sóbrio, parco, regrado e comedido.
Que use em vez de gastar; que se sirva do mercado sem se deixe levar.
O mercado e o comício sucedem na mesma praça.


"Apelar à moderação nos consumos em Portugal é uma mensagem difícil de fazer passar junto da primeira geração que começa a consumir segundo os padrões dos países desenvolvidos. Não surpreende, por isso, que os ambientalistas evitem abordar esta questão". H. Schwarz, Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável. Público, 15-2-2002

Isto foi há 3 anos; as coisas mudaram entretanto.

 
Segundo Mohamed Said al-Sahaf, ex-Ministro da Informação do Iraque, Santana está «muito perto» da vitória.
Se Mohamed said...

 

É esta a Coimbra que queremos - uma placa que nos separa ?
É esta a perspectiva duma lista à Assembleia da República ?
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¡No pasarán!

"Assim se vê a força do PP" no comício do Palácio de cristal.

"Coimbra devia impedir Sócrates de entrar na cidade" Nobre Guedes. TSF Online

A direita radical apropria-se das palavras de ordem dos “rojos”.
Confirma-se a repetição da história, agora como farsa.


10.2.05

 

respigos

Cavaco Aposta em Maioria Absoluta do PS
Terça-feira, 08 de Fevereiro de 2005

Ex-primeiro Ministro Incomodado com Notícia do PÚBLICO
Quarta-feira, 09 de Fevereiro de 2005

... título de primeira página o PÚBLICO errou.
Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2005

A produtividade portuguesa é metade da europeia. Isto é, os portugueses têm que emendar o que fazem; só acertam à segunda. O PÚBLICO, só à terceira.

 

respigos

SNS ...um patamar de excelência...

O economista António Borges, o vice-presidente do banco Goldman Sachs sublinhou a boa prestação do sector nos últimos 20/30 anos, considerando que a Saúde em Portugal é «um dos sectores onde tem havido mais evolução e mais progresso». «Hoje há de facto um patamar de excelência que não nos envergonha quando comparado com o que há de melhor no mundo», ... destaca o problema da eficiência como uma das maiores dificuldades do país.
Defendeu, uma melhor gestão dos recursos para evitar os desperdícios, «criando incentivos e regras que permitam canalizar os recursos para uma utilização mais eficiente». Expresso on-line 10-2-2005
De que outro sector da vida portuguesa se pode dizer o mesmo? É pena, mas não há.

Já em 1988 a OECD (Economic Surveys, Portugal 1998) atribuíra a baixa produtividade dos serviços de saúde portugueses, à má gestão dos recursos e à falta de autonomia e de responsabilização.
O diagnóstico está feito desde há 17 anos; a terapêutica adequada continua à espera.
Apesar de uma “má gestão dos recursos e à falta de autonomia e de responsabilização” a Saúde em Portugal é «um dos sectores onde tem havido mais evolução e mais progresso» “nos últimos 20/30 anos”. «Hoje há de facto um patamar de excelência que não nos envergonha quando comparado com o que há de melhor no mundo».
As críticas e as promessa de quem não fez o que devia, pouca confiança merecem.

9.2.05

 

Quarta-feira de cinzas

O funeral do consumo

A rua António Jardim é muito estreita pelo que só tem um sentido; há um troço com placas de proibição de estacionamento dos dois lados. Num destes lados, essa proibição é sistematicamente violada; do outro, a placa está virada para a parede, envergonhada com a falta de civismo.
Ninguém cumpre e ninguém vigia. A polícia passa mas não repara.
Quando passa o carro do lixo, formam-se filas de tristes residentes que seguem o desfile do desperdício como se fora o funeral do excesso do consumo.


 

O país que queremos ?
Posted by Hello

 
O meu programa de governo Consome Menos :
Usar
Um terço da pasta de dentes que habitualmente usa e gastar o tubo até ao fim.
Um terço de champô que habitualmente gasta com metade da frequência.
Metade do sabão (1/3 se for líquido) que habitualmente gasta.
Um terço do detergente que habitualmente gasta, num volume duplo de água
e consertar as canalizações, onde se perde metade da água (DN 30-03-2002)
Metade da água do banho; lave as mãos com a que poupou.
Água e sabão em vez de toalhetas... com detergente e desinfectante.
Uma (e não duas) folha de papel de cada vez, para enxugar as mãos.
Um terço dos perfumes e um décimo dos cosméticos
Um quinto da roupa
Um quinto de CDs e um décimo de DVDs
Um terço dos brinquedos comprados
Metade da electricidade- feche as luzes; desligue o aquecimento uma hora antes, feche as portadas ou as persianas.
Metade do peixe, da carne, do queijo e dos ovos que habitualmente costuma.
Dois terços do pão, massas, arroz, batatas e o dobro dos legumes e da fruta.
Um quarto dos doces com metade da frequência habitual.
"Doses" nos restaurantes de acordo com as normas anteriores, a dois terços do preço.
Um décimo de cerveja e de “refrigerantes” e metade do vinho e de sumos
O verso e o reverso das folhas de papel-- poupa metade das árvores sem necessidade dos recursos e dos químicos que a reciclagem implica.
Não procure um medicamento logo que se sinta em baixo; ele não vai resolver-lhe todos os problemas. Só os de saúde ... e nem todos.
Transportes públicos duas vezes mais que o habitual e andar a pé três vezes mais.
Duas vezes menos o telefone; vá lá (a pé) duas vezes mais -- fará exercício sem ter de ir ao "ginásio", passeia e visita os amigos.
Recupere a casa dos seus avós em vez de comprar uma residência secundária nova
Poupe tempo; o seu e o dos outros -- chegue a horas.

Não aconselho fazer tudo pela metade; há processos seguros para o levar até ao fim e repetir, sem riscos.
Beba água, respire fundo, passeie, sorria, ame, conviva com os amigos, ajude, estimule, brinque, leia, repare... ; recomece e deixe-se de coisas.

8.2.05

 

Terá valido a pena ?
Posted by Hello

 
Consome menos”: o/a meu/minha partido/a, se quiserem.

“Vivemos viciados no consumo. ... o que nos dá prazer é o acto de comprar.... . Sobreendividamo-nos.... Estimulados pela publicidade e pelos valores da sociedade de consumo, compramos excessivamente, por impulso de ter, até, o ... de que não precisamos. Andamos consumidos pelo consumo”.
Dulce Furtado. Compulsivos, Excessivos, Consumidos. Público 4-12-2000

Pretende-se resolver esta situação aumentando o rendimento ou a produtividade. Não creio que seja eficaz. Pode resolver-se a dependência aumentando o poder de compra dos drogados?
Tendemos a atacar todos os problemas gastando mais e mais dinheiro (António Borges. Expresso 24-2-2001) ou poupando nos trocos -- medicamentos genéricos em vez de racionalizar a prescrição.
Portugal necessita produzir mais ou consumir razoavelmente? Passeiem pelas montras e calculem a taxa de bugiganga; reparem no que transborda dos caixotes do lixo.
Um país com metade da produtividade média da UE mas com três quartos do rendimento (Sarsfield Cabral. Público, 21-7-2001) e que o gasta todo e se endivida, terá que ter défice; mas o país continua a consumir alegremente sem se importar que as importações (+10%) aumentem mais que as exportações (+5%).
* Portugal importou cerca de 90% da energia que consumiu em 2000. (DN 2-12-2002)

"Vivemos, numa sociedade da insatisfação por não poder consumir o que a publicidade lhes propõe". (EXPRESSO 14-7-2001). Um em cada cinco jovens portugueses está deprimido. (Teresa Correia, Henrique de Barros, Fac. Medicina Porto. DN 22-3- 2002)

Se se tentar equilibrar o défice apenas pelo aumento da produção sem regrar o consumo, mesmo que melhore a produtividade aumentará o lixo mas não a satisfação.
Os dois temas da campanha: o consumo (a produção e o poder de compra *) e o destino do lixo.
Mesmo a educação é vista como meio de aumentar a produtividade e a justiça como meio de dissuadir a economia informal.(se os tribunais funcionassem bem, a economia portuguesa poderia crescer 11% ao ano)
Afinal, queremos um país mais gordo ou mais forte? mais gordura ou mais músculo? mais músculo e/ou mais cérebro? mais saudável ou mais medicado?
Um país mais ou um país melhor?

* PSD - A subida do poder de compra dos cidadãos ... depende ..., de um aumento da produtividade.

* PS - Regresso ao crescimento económico. O compromisso é pôr a economia a crescer 3% ao ano durante a próxima legislatura.


7.2.05

 
O meu partido Consome Menos
Nesta vida de pouca actividade e abundante fécula... (Aquilino Ribeiro Geografia sentimental)

* Os portugueses consomem demais pelo que não admira que um terço dos portugueses tenham excesso de peso (Inquérito Nacional de Saúde 1999); as crianças não são excepção. (Cristina Padez, Universidade de Coimbra). Também não admira que dois terços dos adultos portugueses tenham valores elevados de colesterol (FP Cardiologia e SP de Aterosclerose. 2001)
* A OMS e a FAO (2003) confirmaram que a melhor forma de fazer frente às doenças crónicas é consumir pouca gordura e açúcar, comer fruta e legumes e praticar uma hora diária de exercício físico. No entanto, mais de 70% dos habitantes do Porto são sedentários e uma em cada três mulheres com idade superior a 40 anos é obesa. Metade da população ingere gorduras e hidratos de carbono em excesso. (Henrique de Barros. Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. DN 7 Dez 2001)

E não é só à mesa que o consumo é excessivo:
* Por cada 10 portugueses há 8 telemóveis. 99% têm TV em casa. (INE 2004) 70.6% das casas portuguesas têm, pelo menos, dois televisores, o maior valor europeu. (Observatório Europeu do Audiovisual. Dez 2004). Temos o ... o maior número de proprietários imobiliários, ... uma média de 1,5 automóveis por habitante, o maior número de turistas no Nordeste brasileiro. (Miguel Sousa Tavares, Público, 31-12-2004)
* Um terço do orçamento familiar é para o carro. (JN 29-7-2003)
* Os habitantes do Alentejo e das Beiras compram 4,5 vezes mais roupa que os da região espanhola de Castilla-La Mancha, que gasta nisso 8,1% do orçamento mensal, enquanto os do Alentejo e Beiras gastam 35,8 % (DECO- DN 10-07-2002)
* Os portugueses gastam muito em medicamentos; relativamente ao PIB não há país que gaste mais.(OECD Economic Surveys, Portugal 1998). Consomem duas vezes mais medicamentos que os países europeus de referência. Metade dos portugueses não deixaria de interpelar o médico se ele terminasse a consulta sem lhe receitar um fármaco. (Villaverde Cabral. “A Saúde e a Doença em Portugal” 2001)
* Sete em cada dez portugueses têm um cartão de crédito. (DN 12-11-2002)
* Mais de metade dos portugueses dizem estar preocupados com a falta de dinheiro. (O tempo de uns, o tempo dos outros, Chronopost International. DN 11-07-2002 )
* O endividamento dos portugueses está a aumentar de forma preocupante: 88,4% dos particulares e 81,3% das empresas. (Banco de Portugal- DN 19 -7-2001)

Precisamos de tantas coisas?
Porque razão as compramos sabendo que não temos com que?
Quanto tempo dura a satisfação da compra? Quanto demora a ressaca?
Não é este o paradigma do mundo da droga?

 

O novo lema da velha sensatez
Posted by Hello

6.2.05

 

Começou a campanha eleitoral para esclarecer os indecisos e converter os cépticos.
Posted by Hello

 

respigos

Prenda ou consolo?

Santana Lopes e Sócrates, mal saíram do seu frente-a-frente televisivo, foram jantar em restaurantes “in” de Lisboa. O líder do PSD foi com colaboradores e amigos à A Travessa, tendo o líder do PS optado pelo pós-moderno Bica do Sapato. Expresso 5-2-2005

* Pela prestação no debate nenhum merece louvor.
Os candidatos a PM que aceitam que os media lhes formatem o discurso ao gosto americano, não merecem mais que McDonald.

* Depois de uma longa pré começou hoje a campanha oficial.

Não é longa demais? O Entrudo não chegaria? Começou em Domingo Gordo, terminava na Quarta feira de Cinzas.

5.2.05

 

As campanhas de há 30 anos
Posted by Hello

 
O debate a dois; o que eu vi.
Não creio que tenha sido necessário analisar o conteúdo do debate. Muitos o fizeram.
Num frente a frente televisivo, mais importante que o conteúdo é a forma; poderia seguir-se o debate sem som. O impacte seria o mesmo; os estudiosos da comunicação que o digam.
Voltemos à forma:-
a) o tamanho das imagens dos candidatos não era semelhante: face a um JS microcéfalo exibia-se a enorme testa de PSL. O assessor de imagem deve ser frenologista.
b) Em comunicação, a última mensagem é decisiva. Nas “alegações finais” JS debitou a sua cartilha para os jornalistas, ignorando os eleitores. PSL falou para os eleitores, olhos nos olhos, quase convincente. Só o não foi porque a face o não apoiou (perigo das imagens próximas).
Apesar disso ia a ganhar o debate no último assalto quando o perdeu no último segundo; no momento crucial em que apelava à confiança dos eleitores, ainda não tinha acabado a frase (aliás, mal engrolada) e já se virava, enfadado.
A comunicação fundira-se; em vez do candidato surgiu o actor, cansado de repetir tantas vezes o mesmo papel a que está obrigado.

4.2.05

 

Há quem aprecie; há uma estética da intolerância.
Posted by Hello

 

respigos

O debate e o motim

O debate entre os dois únicos portugueses que poderão ser PM.
De um lado, um candidato que já provou ter melhor presença na TV que estofo para PM. Do outro, um tenso candidato programado, debitando respostas formatadas, cujo único sinal de emoção era a zanga e que nunca olhou para nós. Não quero que um Hall zangado decrete por copy-paste.
Nenhum inspira confiança.

No mesmo dia Nobre Guedes, cabeça de lista do PP, exortou: "Coimbra devia levantar à rua e esse senhor (Sócrates) não devia cá entrar”.
NG surpreendeu-me; depois de se ter salientado no debate civilizado promovido pela Pro-Urbe, revelou tics sectários.
Qual o verdadeiro NG que PP propõe como candidato aos eleitores de Coimbra?

3.2.05

 

Civismo lascado; o mesmo furor que corroeu a palavra, saneou uma gaivota.
Posted by Hello

2.2.05

 
a fraca e mulheril natureza ...
"Se a fraca e mulheril natureza me dera licença para daqui onde fico ir ver a tua face, sem com isso pôr nódoa no meu honesto viver, crê que assim voaria meu corpo a ir beijar esses teus vagarosos pés, como o esfaimado açor no primeiro ímpeto de sua soltura. Mas já, senhor meu, que eu de casa de meu pai até aqui te vim buscar, vem tu daí donde estás a esta embarcação onde eu já não estou, porque só em te ver me posso eu ver, mas com me não veres na escuridão desta noite, não sei se na brancura da manhã me poderás enxergar entre os vivos.
Meu tio Licorpinau te dirá o que meu coração em si cala, tanto porque já não tenho boca para falar, como porque minha alma me não sofre estar tão órfã de tua vista quanto a tua estéril condição o consente. Pelo qual te peço que venhas ou me dês licença que vá, e não me negues este amor que te mereço pelo que sempre te tive, para que Deus por sua justiça, em castigo de tal ingratidão, te não tire o muito que herdaste de teus antigos parentes neste princípio de minha mocidade, em que agora por matrimónio me hás-de senhorear até à morte. A qual ele, como Deus e Senhor, por quem é, afaste de ti por tantos milhares de anos quantas voltas o sol e a lua têm dadas ao mundo desde o princípio do seu nascimento".

Fernão Mendes Pinto. Peregrinação (1614).

Carta duma noiva chinesa (que chegava num junco) ao noivo, que a esperaria noutro; acontece que este junco havia sido tomado pelos piratas portugueses que se faziam passar por chineses...
O que se seguiu é uma das maiores vilanias desta história.




 

Contra a co-incineração dos resíduos perigosos.
1. Não há algo de defensivo neste cartaz deste PPD? Ninguém é justo em causa própria.
2. "Extremamente ofendido": o tipo de lixo que não tem outra alternativa.
Posted by Hello

1.2.05

 
"E conquanto estas coisas se faziam com grande presteza, quase que nada nos aproveitava, por ser o tempo tamanho, o mar tão grosso, a noite tão escura, o escarcéu tão alto, o chuveiro tão forte e o ímpeto do vento tão incomportável e de refregas tão furiosas que não havia homem que as pudesse esperar com o rosto direito".
Fernão Mendes Pinto. Peregrinação (1614). Escrito entre 1568 e 1578; quase um século antes de António Vieira.

 
"Até Amanhã, Camaradas" por Joaquim Leitão. (SIC na semana passada)

A coragem, a dedicação, a resistência, a entrega, o altruísmo, o ânimo inabalável, a confiança no futuro e no aparelho, a hierarquização dos sentimentos, o domínio do coração afectivo pelo ideólogo, a capacidade de projectar no futuro o bem estar e a felicidade: os amanhãs que cantam. Avante, camarada, avante...
A disciplina, o método, o cuidado, a atenção aos detalhes, a vigilância, a organização (e a reorganização quando tudo desabava), a autocrítica, o espírito colectivo, o primado da eficacidade, a denúncia das injustiças e a procura de soluções viáveis pela análise concreta dos problemas concretos, integrada numa perspectiva global, a dedicação à causa e a devoção ao partido.
Teria que ser assim para se sobreviver naquele tempo; viveram e sofreram tanto tempo que foi difícil adaptarem-se a um mundo novo que já não era aquele contra o qual lutaram nem é o mundo mítico que tinham projectado e a que tanto tinham aspirado; como os sobreviventes dos campos de concentração.

As revoluções costumam eliminar os seus mentores; Che Guevara deixou Cuba quando a revolução terminou.
Com alguma surpresa, o comportamento descrito no filme evoca tanto a dedicação obsessiva dos quadros do capitalismo emergente como a dos padres da Reforma ou os da Contra-Reforma: Lutero, Calvino, S. Frx de Assis e os jesuítas no Japão - comportamentos que virão a exacerbar-se nos seus discípulos: o pragmatismo, a insensibilidade, a frieza, a miopia, os fins a justificar alguns meios, o maniqueísmo e os vícios insuportáveis dos aparelhos, recrutando crentes entre os zangados, a burocracia, a alienação dos problemas concretos das bases, querendo reformar o mundo à revelia das pessoas, a crença no clero que, tal como partido, tem sempre razão, como Deus, o cliente e "o material".

Os que não queriam aquele país mas pouco faziam para que mudasse admiravam aqueles que o tentavam; discordando embora, continuam a respeitar Álvaro Cunhal e os camaradas. Avante...


 

PPD-PSD: os sinais orientadores do logotipo. PPD à direita e PSD à esquerda ou vice-versa? Como encontrar o sentido desta direcção enovelada?
Posted by Hello

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