alcatruz

Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt

30.9.12

 

Trupedinte

A prashow must go on
Numa bela manhã de domingo, uma trupe à Porta Férrea como, era da praxe, se formavam.
Em vez do silêncio de rigor, cantavam, tocavam e dançavam sob um pendão legionário.
Obviamente não procuravam manter as normas académicas tradicionais mas as esmolas dos turistas a quem também procuravam impingir postais ilustrados e panfletos turísticos; não havia vendedores futricas.
Há muitos, muitos anos, sentou-se a meu lado um velho suíço, alto e magro que me perguntou donde eu era.
Ah; Coimbra, já lá estive”. Era o Prof. Guido Fanconi, um dos papas da Pediatria. E contou-me que ali assistira à cena de formatura de um estudante de Medicina.
Só vestido com a capa e a pasta de fitas amarelas”.
Fora impedido de fotografar a cena com o argumento que se tratava de uma cerimónia e não de um espectáculo. Mas alguém terá segredado ao novo doutor que se tratava “do Fanconi”.
Fanconi, Fanconi... esse nome recorda-me qualquer doença que eu devia conhecer... deixem-no tirar a fotografia....”
Era a praxe, uma cerimónia com raras excepções justificadas. 

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Social-consumismo

O consumidor vota com o dinheiro;
deposita-o na urna do supermercado do seu partido.

O poder do voto foi substituído pelo poder económico?
-Creio que sim. Num país como o nosso nota-se perfeitamente.

- Sim, é preciso desmontar muita coisa. E a participação direta das pessoas também está sujeita à manipulação ideológica do discurso dos mercados. A transformação de cidadãos em consu­midores subverte o conceito de democracia. Com o consumo, estão a ar­ranjar um sucedâneo que não é racional nem livre - um narcótico - para dar às pessoas a ideia de que não terão muito poder ao nível da política, mas no que interessa, no dia a dia, têm todo o po­der. 
Como a ideia de não irem a uma manifestação mas ao supermercado no Dia do TrabalhadorAntónio Hespanha.  Actual-Expresso. 29-10-2012

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29.9.12

 

Austeridade conotada


A atitude radical não é sinónimo de "extremismo", antes apela a um combate dirigido à raiz dos problemas. No momento de "negação" e de bloqueio que nos aprisiona nesta "sociedade da austeridade"... Elísio Estanque
* Uma das raízes do problema será a conotação vexatória que se vem atribuindo à palavra austeridade; curioso que a esquerda pareça preferir a "sociedade do consumo" à "sociedade da austeridade" (“se deixe dominar pelo que agrada”) e que os ecologistas não se distanciem deste abuso.

austeridade  (latim austeritas, -atis) 
2. Cuidado escrupuloso em não se deixar dominar pelo que agrada aos sentidos ou deleita a concupiscência. (Priberam)

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Realismo utópico

A primeira viagem de circum-navegação

Há uma terra aonde, enfim,
muito a leste não fosse o oeste já.
   Álvaro de Campos, 1915 
1. Já na América do Sul, rebentou um motim na nau “San Antonio" onde a tripulação aprisionou o capitão e regressou a Espanha, onde espalharam ofensas contra Fernão de Magalhães.
2. Na encruzilhada onde nos encontramos, os nossos decisores permanecem prisioneiros dos mesmos esquemas mentais e ideológicos onde foram formatados, insistindo nas mesmas receitas erradas, apesar de saltarem à vista os seus efeitos desastrosos. Elísio Estanque
 3. No decorrer da travessia do Atlântico, os comandantes espanhóis começaram a contestar a navegação. 
Em Janeiro, a frota entrou numa larga enseada. De início, pensou que seria a passagem para o outro lado do continente sul-americano. Após semanas de pesquisa, concluiu que se tratava apenas de uma vasta enseada a que se irá dar o nome de rio da Prata. Esta busca infrutífera foi motivo para mais um motim, por parte de dois comandantes espanhóis. Um dos comandantes foi morto e o outro abandonado à sua sorte, na Patagónia.
Mesmo “não conhecendo nada, não sabendo o que era o mundo”, de acordo com as palavras do jornalista Gonçalo Cadilhe, Fernão de Magalhães nunca perdeu a determinação.

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"Não há alternativas"


“Está tudo bem assim e não podia ser doutra forma.”
Salazar

Hoje, o discurso de que "não há alternativas" é o argumento ad terrorem do Governo e do poder. É falso, propagandístico e o seu principal efeito é cobrir tudo o que tenha origem no Governo como sendo inevitável e infalível.
...
... havia e há alternativas ... para quem não aceita a chantagem de que o país se divide entre quem não quer a austeridade e quem é "bom aluno" e paga as dívidas. Este preto e branco é outra versão do "não há alternativas"
.
 JPP

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28.9.12

 

A Obra do Tuga

INE: Défice no primeiro semestre atingiu os 6,8% do PIB 

 A inflação começou a desaparecer, as taxas de juro baixaram de forma dramática e pareceu haver dinheiro para todos os investimentos, mesmos os mais disparatados, e para um consumo sem limites. 
Embebedámo-nos, como se embebedaram os gregos, os espanhóis e os italianos.
O resultado de tantos anos de escolhas erradas foram duas dívidas gigantescas.
 A dívida pública está a um passo de ultrapassar os 120% do PIB. 
E a dívida externa (que inclui as dívidas das empresas, dos bancos e dos particulares ao exterior) disparou para valores ainda mais estratosféricos, tendo uma evolução negativa muito rápida, pois em 1995/96 Portugal praticamente não tinha dívida externa.
O crescimento da dívida pública é o resultado dos défices acumulados pelo Estado; o crescimento da dívida externa é a consequência de há quase 15 anos Portugal ter sistematicamente consumido, ano após ano, mais 10% do que aquilo que produz. JMF

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A Obra do Fidalgo


É uma singu­laríssima casa nobre inacabada, do séc. XVIII, sobran­ceira à estrada de Vila Boa de Quires. 
No primeiro relance pa­rece o cenário de um conto orien­tal.
É majestosa e inverosímil.
 A construção foi iniciada por um fidalgo desejoso de erguer naquele sítio solitário uma espécie de réplica Ibérica (digamos), do palácio de Assurbanípal.
Um dia, quando visitava a obra, o arquitecto teria caído e perdido a vida. O promotor da obra (talvez já abalado de recursos por tão dispendioso sonho), viu no acidente um mau agoiro e desistiu da construção da grandiosa mansão. Como exótica ruína é difícil apontar algo que se lhe assemelhe. Guia de Portugal

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Vale a pena?


"Devem e podem aceitar-se todas as inovações medicamentosas, de que se esperam benefícios em termos de saúde, mesmo que mínimos?", interrogam-se dois investigadores.
 "A resposta a esta pergunta pode certamente basear-se em critérios de custo-benefício, mas não está apenas nas mãos dos especialistas de ética, dos economistas ou profissionais de saúde. Ela é inerente ao debate público que a sociedade civil deve ter; deve ser a tradução de preferências colectivas esclarecidas."

*Onde está: medicamentosas ... leia-se: autoestradas, rodoPPPs, automóveis, telemóveis, moda, empréstimos, férias, amuletos, bugigangas, promessas, anúncios...
Onde está: em termos de saúde ... leia-se: em termos de bem-estar, qualidade de vida, equidade, sustentabilidade, sensatez ...
 Se se não fizer isto estar-se-á a colaborar no consumismo insensato que nos trouxe aqui e só aproveita ao clero dessa igreja.

Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinos e de impérios:
...Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com quem se o povo néscio engana!

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27.9.12

 

Conselho de Ética para a Arte da Vida.

Sagaz consumidora conhecida
de fazendas, de reinos e de impérios:
...
Chamam-te Fama e Glória soberana,
nomes com quem se o povo néscio engana!

 O presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida sublinhou a necessidade de avaliar se fará sentido aplicar um tratamento de 50 mil ou 200 mil euros a um paciente na expectativa de acrescentar dois meses à vida, independentemente da qualidade dessa.

 * Fará sentido ...? na expectativa de ...?
  Boa questão não apenas para decidir a estratégia terapêutica mas para todas as decisões estratégicas importantes.
Tudo isso tem de ser muito transparente e muito claro, envolvendo todos os interessados”..

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limpar a casa


Homens que limpam a casa são mais felizes
* Ou os homens felizes limpam a casa?

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Telepsiquiatria - entrevista depressiva


«O que pensam os portugueses sobre a depressão?» 
é um estudo da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria 
realizado com recurso a 1001 entrevistas telefónicas.

* A LUSA resumiu e interpretou os resultados do que classificou como estudo:
Um quarto (24%) dos portugueses admitem já ter sofrido de depressão.
Mais de metade dos portugueses
reconhece que a depressão é uma doença 
... que requer tratamento clínico e medicamentoso.
Na
opinião dos portugueses, a melhor opção para tratamento da depressão 
é o acompanhamento psicológico e a psicoterapia e os medicamentos.
Quase toda a gente (96%) 
acredita
que a crise fez aumentar os casos da doença.

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26.9.12

 

memória



em Silves
..“esculpido como uma jóia”.
Saramago. Viagem a Portugal.

............................................................cruzeiro do Padrão do Salado 
..........................................................................................em Guimarães. O cruzeiro executado em 1342, foi oferta de um negociante vimaranense, residente em Lisboa, de nome Pero Esteves. De um lado apresenta Cristo, na cruz; do outro, a Virgem entronizada sob um baldaquino. Raul Proença. Guia de Portugal. 

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“precisamos de professores para melhorar o sistema educativo....”



Cerca de três dezenas de pessoas, incluindo professores, vaiaram o ministro da Educação à chegada ao novo centro escolar em Ermesinde.
... os manifestantes … apuparam Nuno Crato e chamaram-no de «gatuno, gatuno».
"Nós precisamos dos professores para melhorar o sistema educativo....”
* Precisamos de professores que ensinem e eduquem e de jornalistas que tenham aprendido a redigir e a distinguir apupos ou vaias de insultos.

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25.9.12

 

latria

Transforma-se o amador na cousa amada.
Os cidadãos em consumidores,
consumidores em mercadoria.
Políticos em quadros,
quadros em colaboradores,

economistas em abonadores
jornalistas em media.

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O padrão


Reputa, instituto, reputa
Portugal mantém o 19º lugar no ranking de reputação mundial do Reputation Institute.
A classificação atribuída anualmente pelo instituto tem um peso significativo nas receitas que um país consegue obter através do turismo e do investimento directo estrangeiro.

* Os jornais logo se apressam a publicar as hierarquias de “reputação” que os consumidores do G8 atribuem sem a menor cuidado na análise ou no distanciamento; aceitando os termos do jogo fazem o jogo da propaganda dos distribuidores de consumíveis – agindo como seus involuntários agentes

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Museu da Ciência

26 de Setembro – 15 horas
A TEORIA DO CAOS: DE HOMER SIMPSON AO FUTURO DO PLANETA M. Paula Serra de Oliveira, Universidade de Coimbra 

24.9.12

 

Bugiganga placebo

"Não conheço outra resposta à crise que não seja o consumo".

*Consumidores de todo o mundo, consumam.
(do Manifesto social-consumista)  
Comam chocolates, pequenos, comam chocolates
Olhem que não há remédio mais doce para a crise.
Aqui está uma palavra de ordem capaz de unir todos os consumidores mas nem todos os cidadãos.
O resultado do social-consumismo foi converter os cidadãos em consumidores.
Por isso se chamava "cacau" ao dinheiro.

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23.9.12

 

A linha


Restaurantes registam queda brutal no consumo e exigem medidas. 

* Novas medidas que as antigas estão largas.

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sociobiologia atrevida

respigo
Pede-se, isso sim, que não se leve o país à desesperança e ao desespero. Com a obrigação de reduzir um défice de 6,6% para 2,5% em dois anos, é isso que está em causa.

*A manifestação do dia 15 foi o equivalente social da convulsão quando se procurava corrigir rapidamente a hipernatrémia severa das crianças desidratadas. 

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Escorrer algum


respigo
trickle-down economics (muito resumidamente, se se derem todas as condições aos ricos para se tornarem ainda mais ricos, alguma coisa sobrará para os outros).
* Seria como deitar areia na serra da Estrela na esperança de que alguma escorra para compensar a erosão das praias.

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22.9.12

 

Testamento vital


Se
a presença do Ministro de Estado e das Finanças para participar no Conselho de Estado a solicitação do Presidente da República, não foi proposta pelo PM 
e a alternativa ao abandono da TSU "foi negociada com Cavaco, BP e Concertação Social", à margem do referido ministro,
  o abandono do governo e a certidão de óbito não foi só da TSU.


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Espero que, agora, se não caia no oposto.

Arquinho, Amarante, em cujo termo nasceu Agustina.
Dizia-lhe o P. Simão Rodrigues dos seus súbditos de Coimbra, em 1547: 

"Esta gente toda é de extremos, como sabeis".
Agustina Bessa-Luis.  O Mosteiro.

(Prima para ampliar)

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E a prece foi atendida

Basta”, gritaram os manifestantes durante as oito horas do Conselho de Estado

S. Pedro: “Não somos cegos nem surdos 
Governo deixa cair TSU em Belém
Outono chega neste sábado... com chuva

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21.9.12

 

Responsabilidade cívica


O estudo de opinião...  indica que para 77% dos inquiridos o desempenho do actual Governo (coligação PSD/CDS) é mau ou muito mau, com 74% a responderem que é mesmo pior ou igual ao do ex-primeiro-ministro José Sócrates (PS).
No que diz respeito às intenções de voto, se as eleições fossem hoje assistiríamos a uma viragem à esquerda, que teria uma maioria absoluta confortável. O PS vencia com 31% dos votos, seguido do PSD com 24%, da CDU com 13%, do BE com 11% e do CDS com 7%. Em relação à última sondagem, o PS perdeu 2 pontos nas intenções de voto e o PSD 12 pontos. A queda dos dois maiores partidos beneficiou, sobretudo, a esquerda, com a CDU a subir 4 pontos percentuais e o BE 2 pontos.

*O milhão de portugueses que se manifestaram cívica e ordeiramente no dia 15 terão sido os que deram a vantagem ao PS de Sócrates – cívica, ordeira mas insensatamente - até à  bancarrota e que agora, a avaliar pelos resultados das sondagens, parece terem-se arrependido da deliberação? Outra vez (a)traídos pelo eco de promessas flautas?


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A culpa, a causa e a água do capote


"De quem é a culpa? Será nossa, das pessoas, do Governo também. O banco 'dava' o dinheiro muito fácil e a gente habituou-se." 
Assunção Rodrigues, (76 anos) que revela, apesar de iletrada, uma fluência discursiva que surpreende. Revista Expresso 15-9-2012

Estamos como estivemos muitas vezes na nossa anterior história democrática, como recordou João César das Neves no Diário de Notícias: "O problema estava nos cidadãos honestos, nos trabalhadores patriotas, que queriam mais do que havia. Se somássemos tudo o que as pessoas comuns achavam ter direito, e calculássemos o total daquilo que os contribuintes consideravam justo pagar, os valores não equilibravam. Mesmo eliminando todos os desperdícios, abusos e roubos, o buraco permanecia."
Portugal chegou onde chegou porque teve os líderes que teve. Não apenas os dos últimos anos, mas os das últimas décadas. E também por causa dos partidos que tem. O meu pessimismo não reside nas pessoas que se sacrificam e se revoltam, pois isso é corajoso, é natural e é saudável. Deriva sim dos que as enganaram e enganam, vendendo eternas ilusões. JMF

 * Em que ficamos, “os portugueses” são ou não co-responsáveis pela crise? Só vende ilusões quando alguém as compra; os portugueses são apenas pobres ratos de Hamelin?

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20.9.12

 

Esmolas




Guimarães, Rua de Camões
* Como os moradores desta rua apoiavam os desamparados em 1712; a Previdência de há 300 anos.

Em fevereiro de 1712, os procuradores dos mesteres apresentam, à Câmara de Lisboa, um quadro negro da situação económica e financeira do país.
Mas, em outubro, começa a chegar ao Tejo a frota do Brasil  (com uma carga estimada em 50 milhões de cruzados).
A. Simões Rodrigues. História de Portugal em Datas. Círculo de Leitores 1994



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19.9.12

 

Sacarinas


Nem açúcar é, são sacarinas sem qualquer valor energético.

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A corrupção é uma canalização rota

Olhos nos Olhos - 17 de setembro
A corrupção; convidado Paulo Morais, vice-presidente da Transparência internacional.

A origem desta tragédia é um Estado social para o qual não temos economia. O debate público está monopolizado pelas clientelas - corporativas, sindicais, empresariais e partidárias - que exploram o Estado. Rui Ramos. Expresso 15.9.2012

Ora, depois de um ano de troika, Passos não foi capaz de apa­recer com uma lista concreta de insti­tutos, fundações, repartições, juntas de freguesia e câmaras para extinguir, com o consequente despedimento dos funcionários excedentários. Pior: a co­bardia tem marcado as renegociações das PPP, que vão começar a pingar a sério no próximo ano. Não é admissí­vel que um governo de um Estado de­mocrático (e falido) consagre a exis­tência de cláusulas secretas em contra­tos públicos. Não é aceitável. É porno­gráfico.

Henrique Raposo. Expresso 15.9.2012

* A corrupção e o desleixo são como uma canalização esburacada por onde se escoa a água da rede pública - a energia da res publica. Para manter a pressão de modo a que chegue a todos, mais sensato que meter mais água na rede será tapar os buracos. 
Não é fácil que os pequenos são muitos e os muito grandes estão blindados mas não há outra solução.
Mas também convencermo-nos que a relva cresce bem sem necessidade de tanta água.

Ou seja, em Portugal, é só a despesa que fala e se mexe. E por isso, tem prevalecido a solução orçamental que mais respeita a despesa: o agra­vamento de impostos e de contribui­ções. É aqui que está o verdadeiro falhanço do Governo. Não está na meta orçamental, nem na taxa de desemprego. Está no facto de não ter sido capaz de iniciar outro tipo de debate.
Rui Ramos. Expresso 15.9.2012


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18.9.12

 

Outra história antiga

A tríplice aliança contra a troika em 1385.
1. João das Regras era o nó da tríplice aliança; era o homem da ideia juvenil. Nun’Álvares, chefe da nobreza, o homem da ideia gasta e decadente.  E o rei. 
- “Justo! – murmurou micer Percival de Cornualhes, mercador inglês, que servira de tesoureiro ao Mestre de Avis no princípio da revolução e que era uma espécie de … Rotschild daquele tempo… 
- "Agora, micer Percival, como vamos acerca das duzentas mil libras, que sua real senhoria …. deseja haver adiantadas sobre os pedidos que se hão-de lançar nas próximas cortes?»

- «A vinte por cento estão prontas, visto … não haver real na casa dos contos. Acabo de estar com D. Cibrão de Frandes e com micer Daniel da Preamúa. Altercámos por duas horas: juraram-me que não podiam fazer este serviço a sua mercê por menos uma pogeia; e ainda assim, entram de par­ceria D. Issach-ar, o que mora adiante da Esnoga, e o seu vizi­nho Samuel-Ben-Tibbon, o mercador de arneses.

- “Santa Maria val! - exclamou o chancel­er João das Regras - Vinte por cento?.. Mas os pedidos estarão pagos em menos de ano. Quatro sol­dos por libra de vinte?! Micer Percival, isso é desbaratar as rendas da coroa …

- «Vêde, honrado Percival: interrompeu João das Regras - Sua mercê pensa exactamente como eu. Quer dizer­-vos que mais de dous soldos por livra é into­lerável.»
 Alexandre Herculano. O monge de Cister 


2. A TSU em 1385 
- Eis aqui a petição do concelho de Lisboa… Pedem que se ponham em vigor as posturas d’el-rei Afonso para que as mercadorias trazidas pelos tratantes estrangeiros não possam ser vendidas fora da cidade, nem a retalho, senão pelos marcadores portugueses.

Este honrado povo de Lis­boa está exhausto por longos e custosos sacri­fícios. É necessário introduzir-lhe sangue novo nas veias, e não vejo eu em al remédio, senão em apertar algum tanto o colo às sanguessugas que de fora vem sugar este pobre Portugal.
- Na verdade, mestre João das Leis, que os ares de Bolonha e de Pisa e a agudeza de Bar­tolo são maravilhosos para apurar engenhos. Ninguém acha argumento mais a ponto para persuadir um avaro velhaco a abrir a bolsa. D. Cibrão e micer Daniel?! Por S. Jorge! Uns tacanhos, meros instrumentos das usuras de mi­cer Percival. Vivais mil anos, meu nobre chan­celer! Estes cavaleiros portugueses apoquen­tavam-me com os soldos que não cessam de pedir. Teremos com que os contentar. Que os meus bons burgueses de Lisboa esperem mais algum tempo. Mas hão-de irritar-se, e nós de­vemos amansá-los. Parafusai lá, doutor: vede se achais aí pergaminho que valha.  Alexandre Herculano. O monge de Cister.

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17.9.12

 

Comunicado da 5ª Divisão


D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas, sempre crítico, revelou-se escandalizado com a falta de justiça social. "Estou em discordância total com o sistema governativo que existe, neste momento, em Portugal. (...) A estrada fica juncada de cadáveres, isso é uma vilania, uma insensibilidade, uma insensatez", resumiu. 
"É altura de dizer basta!" 

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Vinho Bô

Na capital da cultura

... e vinho um pouco picante, porque não fora emechado e as pipas estavam já muito em vazio. Bebiam-no, alegres, soprando a flor que boiava à superfície das malgas.

Agustina Bessa-Luis. O Mosteiro. Guimarães Ed 1980

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Uma história antiga

História de Portugal
Idade Média

Numerosa clien­tela nobre de segunda categoria
1. A realeza ... tinha geralmente preferido rodear-se de uma numerosa clien­tela nobre de segunda categoria que, por sua vez, estava pronta a servir o poder central com vista a viver sob a sua protecção.
A prodigalidade afonsina para com os nobres tinha os seus custos. As despesas do erário régio para pagar tenças e demais rendas à nobreza atingia valores astronómicos, destinados a manter uma vasta rede clientelar que não podia deixar de ver em Afonso  V um monarca útil e compensador. A nobreza, sobretudo a grande nobreza, estruturava-se cada vez mais pela sua posição relativa face à Coroa, pelos laços de parentesco entretecidos com a família real, pelo montante das tenças que recebia, pelos cargos que ocupava na corte.
2. O reverso da medalha era o descontentamento de quem pagava à Coroa para que esta pudesse pagar aos grandes do reino. E não faltaram os pro­testos em Cortes por parte dos procuradores dos concelhos, habituados que estavam a tomarem a palavra para se pronunciarem sobre a governação.... Embora muitas vezes desconheçamos os seus nomes, os representantes dos concelhos eram, nesta altura, membros das elites urbanas, com experiência adquirida nos seus mesteres de produção ou de comércio, mas também no governo dos seus municípios, tantas e tantas vezes acumulando uma tradição de intervenção activa por parte de sucessivas gerações nas diversas crises por que Portugal havia passado ao longo das últimas sete ou oito décadas. 
Cientes da sua importância económica e social e do peso determinante que tinham tido em várias ocasiões críticas da vida do reino, os procuradores dos concelhos não poupavam nas palavras e che­gavam a interpelar a pessoa do rei. As imensas despesas e os sucessivos e vultuosos pedidos de empréstimos da Coroa suscitaram vivas reacções dos populares por mais de uma vez, como ocorreu nas Cortes de Lisboa de 1459 ou nas de Coimbra de 1472.
As graves dificuldades por que passavam as finanças públicas constituí­ram um tema recorrente, sobretudo nas Cortes do período final do reinado, entre 1475 e 1478. Nestas últimas a Coroa pediu um novo empréstimo, no valor de 80 milhões de reais, considerado «o maior pedido de toda a Idade Média portuguesa».
Não havia tesouro régio que pudesse aguentar tanta despesa, sobretudo num reino que nunca primara pela abundância de recursos naturais no seu território.
Rui Ramos et al. História de Portugal. 2009

Idade Moderna
3. Os reis de Portugal não podiam lançar novos impostos sem consultar as Cortes. Mas tal não aconteceria desde 1697.
Do ponto de vista ritual, como em muitas dimensões políticas, a corte substituiu-se de algum modo às Cortes enquanto forma de representação do reino.
4. A corte, no sentido amplo que abrange não apenas a Casa Real e os detentores dos respectivos ofícios mas também a administração central da monarquia  reforçou-se e tendeu a configurar-se cada vez mais como o espaço monopolizador da vida política. 
Rui Ramos et al. História de Portugal. 2009

2012 
O governo decidiu reduzir a TSU para as empresas compensada pela subida da dos trabalhadores sem ouvir o Conselho de Concertação Social.
 O Presidente do Conselho de Concertação Social, Silva Peneda, ... considerou que o governo violou o acordo assinado em Dezembro.
O Governo compromete-se a não introduzir qualquer aditamento ou matérias diferentes, salvos e previamente acordadas entre as partes subscritoras”. três linhas finais do acordo.
Expresso 15.9.2012
Portugal é a melhor escolha fiscal em 2012 para os da Quinta do Lago
À hora em que Gaspar foi à AR, 350 ricos aprendiam como ficar isentos.
... “o segredo mais bem guardado da Europa”, ou seja, sobre, "como Portugal é a melhor escolha fiscal em 2012” na Europa – apesar da austeridade – para os “ultra high net worth individuals”, milionários como os estrangeiros presentes no salão, 90% deles proprietários de mansões de férias na Quinta do Lago.
“Foi criada uma taxa de solidariedade de 2,5% no IRS para quem tenha um ordenado anual superior a 153300€. Aparentemente a medida tem impacto mas isso não é verdade; ela sós e aplica ao que é ganho acima desse valor”. Um casal com rendimento anual bruto de 350000 € paga uma taxa de solidariedade de 122 euros. “Nada que vos perturbe.
Expresso 15.9.2012

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16.9.12

 

Vendo o triste contribuinte que com enganos


No anterior governo, os portugueses tinham que trabalhar cinco meses para o Estado antes de começar a ganhar dinheiro para si. Com o actual governo, têm de trabalhar sete meses para o estado antes de chegar o dia da libertação do fisco. Nicolau Santos Expresso 15.9.2012

Sete meses de ordenado o contribuinte munia
o Estado, pai da Segurança Social, esperança bela;
mas não munia ao pai, munia a ela,
que a ela só por prémio pretendia.

Os dias, na esperança de que um dia,
passava, iludido pelo isco;
porém o actual governo, usando de trapaça,
em lugar de Segurança lhe dava fisco.

Vendo o triste eleitor que com enganos
lhe fora assi onerada a sua reforma,
como se a não tivera merecida;

começa de servir outros sete meses,
dizendo: – Mais descontara, se não fora
para tão grande desconto tão parca a renda!

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11.9.12

 

o terço certo


Não é genocídio, é estatística.
Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo
O ribeirinho de Gauss

Experimentem retirar o terço menos brilhante de um monte de areia e verão que só o conseguirão quando só restarem dois grãos de areia

Quem prende a água que corre
É por si próprio enganado;
O ribeirinho não morre,
Vai correr por outro lado.
António Aleixo


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