alcatruz

Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt

30.4.06

 
Os Directores Gerais

A postura, o lenço ornamental, o fácies e o biotipo não enganam – são (eram) fidalgos que perderam o título mas não as mordomias e a prosápia. Os nomes persistem e a pronúncia é a sua senha nesta sociedade discreta – nasalam os ditongos e intercalam is nos advérbios de modo a que, mesmo que os não vejam, saibam com quem falam. Obviamiente.
São os descendentes das famílias nobres que D. Manuel chamou à corte para substituir os judeus na gestão da Casa da Índia. Com a República perderam os títulos mas não o poder nem a prosápia. O 25 de Abril nunca existiu.

São os Directores Gerais, guardiães do protocolo, primos segundos do Duque de Salina, com mestrado em Londres no Sir Humphrey Appleby College.


 


Natália Correia


 
Última tarde

Há que ter muito cuidado com os convites. Endereçá-los às instituições é um risco; se a ocasião é propícia, o director considera que o convite lhe foi dirigido.
Muitos estão burocratizados, viciados em ofícios e alíneas, formatados em protocolos e em “material e métodos”, incapazes de comunicar em português corrente; parece não perceberem do que falam.
Depois, tendem a cumprimentar toda a gente e agradecer com tal efusão que mais parece considerarem o convite como um favor; lembram as “cortesias” das touradas à antiga.
Toda a gente critica a Universidade e as suas praxes mas tendem a copiar (mal) os seus tics. E ainda por cima não dominam a tecnologia do computador portátil que teimam em trazer em vez da pen-drive. Preferem imagens da net às dos arquivos nacionais que se esperava mostrassem.

Salvou-se Cláudio Torres que curto-circuitou o tema; fê-lo de forma excelente mas foi admoestado pelo moderador.

29.4.06

 
Os títulos do Público

Socorro: somos todos privilegiados
um por cento da população, tem por hábito chamar privilegiados aos restantes 99%
Os carenciados
O carenciado é o resultado do desaparecimento de duas figuras que marcaram o século XX: o proletário e o pobrezinho
O adivinho
Em Portugal, o Estado social não é um benefício, é uma doença em fase terminal
História de um fracasso
Mas continuava a haver o défice e a dívida, sempre crescendo, e um funcionalismo exuberante e mal pago.
Uma segunda leitura
a perspectiva dos "de cima" - onde estamos quase todos os que escrevem e opinam - mas dos "de baixo".

 
respigo

Menos Estado
O BE de acordo com VPP: Para baixar o número de funcionários públicos e reduzir o défice, José Sá Fernandes, vereador do Bloco de Esquerda, propõe deitar abaixo a Direcção-Geral da Administração Pública.

28.4.06

 
Nem propinas nem Bolonha

Três centenas de estudantes da Universidade desfilavam em Coimbra. Ali vai 3% da academia, a descer para a Baixa como a água da chuva; pela via direita e pelo caminho mais fácil. Protestam contra o governo, o reitor, Bolonha e as propinas. Alguns cartazes reclamam melhor ensino; não se conseguem ler os outros.
O sinal proíbe a inversão de marcha de quem sobe.

 
O legado do humor e o da língua

Património mundial de origem portuguesa
As intervenções em português foram deprimentes -- pessimistas, desanimadas, burocráticas ou ressentidas. Salvou-se Cabo Verde mas a cor do video (incompatível ?) era má. A excepção foi o Brasil.

A intervenção mais interessante e mais animadora foi a da queniana Elizabeth Wangari, chefe da Unidade africana do World Heritage Centre da UNESCO, que sublinhou o legado da língua portuguesa no mundo.
Foi uma surpresa ouvir-lhe dizer que o vietnamita actual se baseia no português de quinhentos. Terei ouvido bem ? Fernão Mendes Pinto teria gostado de saber.


 
Muito mal tratado

 
M’banza Congo. Património mundial de origem portuguesa

S. Salvador no período colonial, M’Banza era a capital do antigo reino do Congo, cujo rei foi convertido ao catolicismo no Sec. XVI sob o nome de D. Afonso I. A cidade foi aportuguesada com casas de pedra e telha e rodeada de muralhas. Os sinos das igrejas foi o que mais impressionou os súbditos que o cognominaram “rei dos sinos”.
Ordenou que toda a gente se convertesse; quem não adorasse a Santíssima Trindade ou usasse amuletos arriscava pena de morte. A rainha–mãe ... Zinga recusou e teria sido enterrada viva, como exemplo; lá está o sinal do túmulo.

Os antigos reis despachavam à sombra de uma árvore que ainda hoje persiste; não haverá outra igual na região. Vimos uma fotografia de 2004; já então estava ameaçada por plantas parasitas que a sufocam. O responsável lamentou a falta de verbas que cortassem os ramos parasitas... Lá, as verbas ainda não sobem às árvores.
Do outro lado, a Ilha de Moçambique veio embrulhada no DR e conspurcada pelo “fecalismo a céu aberto”...
Ensinaram-nos as técnicas de restauro da laterite das igrejas de Velha Goa , gastas pelo tempo, as monções e os pássaros.

 
Elites egoístas

“...deve ser muito difícil encontrar no mundo mais desenvolvido elites mais egoístas, com menos sentido social, mais desinteressdas com as dores dos que são trucidados pela roda da vida e com o sofrimento dos seus concidadãos, do que as elites portuguesas.” JM Júdice (antigo estudante da UC)

 

Um “outro Abril”

Um “ponney” da UC lê a proposta de um "compromisso cívico" para o Plano Nacional de Acção para a Inclusão (PlaNAI) social.

27.4.06

 

O Conselho das Repúblicas anseia por “outro Abril”.
Um Abril onde se possa escrever nas paredes em sentido proibido.

 
Jogar à democracia; torná-la banal
Azar no Pavilhão do Futuro; consumo no da Modernidade
Em resposta à inauguração do Casino Lisboa, "um sonho de querer dar à capital um equipamento turístico em que a cidade se possa entreter" (
Stanley Ho), Coimbra espera comprar a modernidade no novo Forum.
"Queremos democratizar o jogo, torná-lo banal" diz o director da nova mega-roleta; “queremos democratizar o consumo; torná-lo banal” replicará o do Forum.
No 32º aniversário do 25 de Abril.

26.4.06

 
O Estado e a Junta de Freguesia do Rochoso

Ontem, 25 de Abril, o telejornal da SIC abriu com a notícia de que Valentim Loureiro fora ilibado de todas as acusações no processo "Apito Dourado"; mudei de canal para ouvir o PR apelar ao consenso nacional num "compromisso cívico" para a inclusão social.
Reconheço que a SIC teve razão; tão grave quanto a exclusão social é o poder dos chico-espertos, duplo efeito da força centrífuga do processo que degenerou o 25 de Abril, favorecido pelo desleixo e negligência do poder.
Espero que a mesma incapacidade de fundamentar uma acusação pública se verifique na da alegada "tentativa de assassinato político e desportivo" do major,
para que o Estado não tenha que responder por "perdas e danos", tal como a Junta de Freguesia do Rochoso que teve que pagar os telefonemas eróticos feitos pelo seu ex-presidente.

 
Excesso de álcool, de sono e de erros humanos

Mais de 200% de causas de acidentes de viação mortais
*Nove em cada dez (91%) acidentes com vítimas mortais registados nas estradas portuguesas foram provocados por
erro humano, revela um estudo da Brigada de Trânsito da GNR, que analisou os 903 acidentes com vítimas mortais registados em 2005.
As principais causas foram o "excesso de velocidade" (30,3 %), a "infracção rodoviária" (23,6 %) e a "distracção do condutor" (11,3 %).
* Os acessos de sono inesperados são responsáveis por 83% dos acidentes mortais na estrada, afirmou a especialista em doenças do sono do HSM. O 1º Janeiro 6-3-2004
* Quase metade dos condutores mortos em acidentes de viação em 2004 acusou excesso de álcool, em quantidades punidas por lei, segundo dados do Instituto Nacional de Medicina Legal.
Público 3-5-2005

25.4.06

 
32 anos depois

Mais pequeno, melhor, muito mais livre, muito mais direitos, muito menos deveres mas muito maior dívida.
Muito mais alto nível de vida, melhor qualidade de vida ? Grande frustração.
Se valeu a pena ? Quem viveu antes não tem dúvida. A resposta está agora nas nossas mãos.

 

25 de Abril

 

24 de Abril

24.4.06

 

É prohibido affixar annuncios n'esta propriedade; é perigoso saltar o muro.

 
respigo

A Natureza tem horror ao vazio, ao silêncio e ao imperialismo.
A relação dialéctica é uma lei biológica que se não pode ignorar; sem um bom adversário não se joga bem ping-pong .
“...dir-se-ia que o "medo do comunismo" faz falta às democracias existentes. Sem a ameaça da URSS e dos seus aliados no Leste europeu, nem os partidos, nem os sindicatos teriam construído o "modelo social europeu", sob o impulso de social-democratas, socialistas e democrata-cristãos, nem o patronato teria aceite as concessões que permitiram as "reformas" efectuadas nas sociedades europeias do pós-Guerra
." Mário Mesquita

 
Matemática nos carris

Nas finais das Olimpíadas Portuguesas de Matemática aparecia o se­guinte problema (Nuno Crato. Expresso): «O Alexandre e o Hercu­lano estão na Estação de Campanhã à es­pera do comboio. Para se entreterem, de­cidem calcular o comprimento de um comboio de mercadorias que passa pela estação sem alterar a velocidade. Quando a frente do comboio passa por eles, o Ale­xandre começa a andar no sentido do mo­vimento do comboio e o Herculano come­ça a andar no sentido oposto. Os dois ca­minham à mesma velocidade e cada um deles pára no momento em que se cruza com o fim do comboio. O Alexandre an­dou 45 metros e o Herculano 30. Qual o comprimento do comboio

E se tivesse sido em Stª Apolónia ?

 

Stª Apolónia

23.4.06

 
Chernobyl: the true scale of the accident

Duas décadas depois do maior acidente nuclear da História, ainda não são conhecidas as consequências da explosão, mas as crianças foram as principais vítimas. Muitas delas têm sido tratadas em Cuba. (Expresso)
Os efeitos do desastre foram recentemente avaliados pela
OMS: Para além dos “thousands of workers exposed in the early days who received very high radiation doses, and for the thousands more stricken with thyroid cancer … we have not found profound negative health impacts to the rest of the population in surrounding areas, nor have we found widespread contamination that would continue to pose a substantial threat to human health, within a few exceptional, restricted areas.”
Ainda hoje, na Polinésia, há danças rituais durante os eclipses. Teme-se que se se não cumprirem as cerimónias propiciatórias...
Não está em causa a boa-fé nem a generosidade dos médicos cubanos, nem a eventual eficácia das suas intervenções; o que receio é que essa eficácia não esteja provada e possa não ser mais que convicção.

A luz que cura é a mesma luz que cega.

22.4.06

 
Economia em época de receio da gripe das aves

Uma perspectiva optimista de desaceleração.
1. Uma série de documentos do Banco de Portugal, do FMI e da OCDE divulgados esta semana alertam para riscos à concretização das previsões económicas do Governo.
A evolução da actividade económica portuguesa registou uma ligeira melhoria, pelo quarto mês consecutivo, disse o Banco de Portugal

2. Lê-se no Lancet que Portugal era (Novembro 2005) o país menos bem preparado para enfrentar uma pandemia de gripe das aves entre os 21 estados europeus com planos de prevenção.
Cinco meses depois, peritos do Centro Europeu consideram Portugal bem preparado para gripe das aves

3. Espero que o modelo seja o mesmo; é mais fácil preparar bem um plano que ter resultados de medidas postas em prática.
Quando se tenta impedir a queda de um avião, há um período entre o início da desaceleração e o começo da subida. Esse período é tanto mais longo quanto maior a duração e a velocidade da queda.
Durante esse período, uns dirão que a queda continua; outros, que já se vislumbra o sucesso. Ambos são rigorosos; quem terá razão ?

 
Tribunal Judicial Universitário em Coimbra
Um tribunal normal, útil aos cidadãos e também aos alunos de Direito, que assim poderão articular as aulas com a actividade forense.
Excelente iniciativa que se segue à da Faculdade de Medicina, 447 anos depois.
E alli verá as ágoas
“cada três meses, cada um dos quatro lentes de Medicina visitasse o Hospital durante uma hora de manhã e meia à tarde para os estudantes praticarem”. “... e ahi se sentará ho doctor a huma mesa e os estudantes se assentarão em huns bancos a redor della”.. E alli verá as ágoas ... e tomar seus pullsos e dar todo comselho e remédio.

Estatutos da Universidade de Coimbra 1559
Alfredo Rasteiro. O Ensino Médico em Coimbra. Quarteto 1999
Em 1774, na Reforma da Universidade, estes Hospitais passaram a ser administrados pela Universidade.

 
Da emigração para a farmácia

Remessas de emigrantes— cada português recebe 1 em cada dia útil da semana. Expresso (4-3-2006); é o que cada português gasta em despesas privadas com a saúde.

 
Peritos consideram Portugal bem preparado para gripe das aves
Linguagem adversativa
Peritos europeus afirmaram estar "bem impressionados" com o plano português para a gripe das aves, mas recomendaram uma maior coordenação a nível regional.

Se Portugal parece estar bem preparado, porquê o mas em vez do e ?
Porquê reservas quando os peritos apenas propuseram melhorias ?

 
"a estimulação cognitiva é absolutamente essencial"

Reparem no método escolhido e nos termos usados nesta investigação.
No conjunto de idosos submetido a sessões de estimulação cognitiva, a partir de um computador, a investigadora registou melhores resultados.
actividades significativas.
prioridade à visão e audição

falta um neurofitness,
exercício mental

neuroestimulação,
Há, contudo, um problema sério com a população idosa portuguesa: uma parte muito significativa é analfabeta ou iliterata. O que limita o âmbito de intervenção em áreas de treino mental.


Foi o temor deste tipo de cutura que terá levado Ribeiro Sanches, “à semelhança de muitos intelectuais das Luzes, a opor-se à extensão do ensino à globalidade da população, impondo-lhe rígidos limites, sobretudo no caso das populações rurais, a fim de não estimular, pelo desejo de melhor vida, a migração para as cidades, o despovoamento dos campos e a extinção dos ofícios.”

 
"Dificuldades que tem um Reino velho para emendar-se". (Ribeiro Sanches)

O declínio de memória nos idosos pode ser revertido. A falta de uso mental é a grande responsável pelos défices da população idosa.

O mesmo se passa com as nações: quem ignora o passado está condenado a repeti-lo (Santayana); mas, quando se repete a história, esta surge sob a forma de farsa (Marx). Os velhos tendem a repetir-se.

21.4.06

 

Um modelo para a indústria portuguesa.

Que não seja “labor intensiva”, outros fazem-no mais barato e agradecem que não lhe façam concorrência.
Que não seja “capital intensivo” ou “tecno-exigente”, outros dispõem deles mais facilmente.
Que não faça lixo e com um mínimo de efeitos secundários.
Que seja útil, que use recursos disponíveis (inteligência e técnica) de forma elegante.
O objectivo é dar um acabamento final de qualidade a bons produtos que outros produziram, de forma a torná-los excelentes.

Um modelo é a cultura do tremoço ou a meta-análise.

1. O tremoço cresce em terrenos pouco exigentes donde extrai o azoto. Para o conseguir, o tremoço utiliza o concurso simbiótico de bactérias fixadoras de azoto (Rhizobium radicicola), comensais das raízes.

Cada um faz o que melhor sabe para conseguir um alimento adequado a mamíferos, numa embalagem elegante e ergonómica.
Os cachos de flores amarelas crescem em andares, como os pagodes chineses, para usar a energia solar da forma mais eficiente e encantar quem as vê -- insectos e humanos.

2. As meta-análises: alguns dos melhores grupos do mundo trabalham no terreno para produzir investigação; os sucessos serão seleccionados pelas revistas mais exigentes, depois de escrutinados pelos melhores peritos. A meta-análise é a revisão sistemática de grandes ensaios clínicos publicadas em revistas médicas da mais alta qualidade com critérios editoriais muito exigentes; como o que o grupo de
Vaz Carneiro acaba de publicar. Um cognac Napoleon, produto da destilação dos melhores vinhos que outros produziram.
Como no alambique, tudo o que é necessário é uma boa escolha, uma cuidada análise dos dados tratados pelo calor e uma sensata extracção do essencial, condensada pelo frio.
Este cognac será posto ao serviço dos que mais precisam e não dos que mais podem.


 

Tremoço em Idanha-a-Velha.

20.4.06

 
respigo

Pena de morte
China lidera tabela das condenações à pena de morte, tabela que inclui países como o Irão, a Arábia Saudita e os Estados Unidos. Na lista constam a Indonésia, o Japão e o Paquistão. Amnistia Internacional
Se se excluir a Europa, parece a lista das economias mais florescentes.

 
respigo

Compreensão lata ou estreita
Entender não significa aceitar. Há que entender a causa e o processo da doença para melhor a exterminar sem fazer o mesmo ao doente; tratar a doença e compreender o doente.

 
Mais ou melhor
Fazer com que cada português produza mais por hora, única via de garantir o enriquecimento, está nas mãos de todos e de ninguém.
Creio que a opção é produzir melhor e não apenas produzir mais; se fizéssemos bem à primeira, a produtividade duplicaria.
E deixar de produzir o escusado; concentrarmo-nos no essencial.

 
Mais petróleo que água
Cada português consome um barril de petróleo (159 litros) por mês, cinco litros por dia, um valor superior aos da França, Alemanha e Itália.
Gasta um volume de petróleo superior ao da água que ingere (2L); tanto quanto para lavar as mãos.
O consumo médio da
água em casa é de 120 litros diários por pessoa; 5% no lavatório.

19.4.06

 

Páscoa na Idanha 13

O rosmaninho da beira da estrada floriu para nos acompanhar ao Rosmaninhal, terra do xisto e da cal, da arquitectura mais elementar com um belo pelourinho.
Véspera do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.
A procissão era pequena; não houve quem levasse os pendões do Espírito Santo.

 
Páscoa na Idanha 12

Ressurreição na Primavera
Cultivam cereais às escuras durante a Quaresma; os caules moles e descorados caiem dos vasos – são as “cabeleiras” que ornamentam as igrejas. Espera-se que a luz pascal sintetize clorofila que lhes ressuscite a cor verde como lá fora, que este ano choveu bem.

Os terrenos planos parecem abandonados, só os muros persistem; não são inúteis – apenas trocaram de função -- já não dividem, adornam, floridos. Cores a perder de vista das flores amarelas (malmequeres, tremoço, giesta), brancas de imensas estevas e roxas do rosmaninho e de outras; paixão e ressurreição -- Primavera.

 
Páscoa na Idanha 11

Terras de fronteira, longe do poder; todas têm uma Misiricórdia, em regra com uma bela capela – a fachada da de Segura é notável. Os interiores das de Proença (Velha e Nova) são excelentes.

As confrarias parecem activas; cuidam dos vivos e dos mortos, das festas e dos enterros com a naturalidade habitual. Senhoras vestiam as imagens das santas; até há pouco, tal cerimónia era reservada a mulheres adultas e interdita a homens e a crianças. Como eu era médico velho fui tolerado, mas evitaram que fotografasse a imagem sem a cabeleira (“careca não”).

Atribuíam às imagens da Senhora um pudor idêntico ao seu; humanizavam o divino.


 
Páscoa na Idanha 10

A antiga Sé da Idanha a Velha tem duas tinas exteriores escavadas no chão; uma na fachada Norte e outra na do Sul (um baptistério paleocristão dos séculos VI ou VII).
Porque seriam duas ?


 
Páscoa na Idanha 9

Idanha, terra de muitas gentes, incluindo os Templários.

O domínio dos Robalo, fidalgos com palácio em Monsanto, com pedra d’armas que ostenta um banal peixito com orgulho heráldico. Além de uma capelita em Idanha-a-Velha têm uma capela (Sec XVII) na Misiricórdia de Proença-a-Velha. Domínios garantidos neste e no outro mundo.

 
Páscoa na Idanha 8

Restam os velhos, animados pela arribação dos emigrados e com as visitas – gentis, informam, ajudam, oferecem a casa, alfaces e laranjas da horta, anseiam por diálogo.
Na tarde de domingo regressa o silêncio, o deserto. Salva-se o Centro de Dia.
Velhos e velhas de negro, silenciosas, à porta das casas de xisto, na fraca sombra da parreira da entrada. Galilés como em tantas capelas da região.
Velhos silenciosos que falam, pensam, sentem, vêem televisão, escolhem e votam “como nós” mas completamente fora do circuito, fora da luta implacável pela vida, pela “vidinha” nesta selva.
A globalização não passou por aqui; só a TV a mostra.
Uma invisível maioria que se não exprime, que não tem partido ou movimento que os represente, que lhes dê tempo de antena.
Uma questão tão “fracturante” quanto outras, mas mais antiga e menos lhamativa.

 
Páscoa na Idanha 7.

Terras antigas, abandonadas.
Restam os velhos e as casas antigas muito bem preservadas. Tudo impecavelmente limpo; para o compasso ? Todos os domingos os crentes vão a casa do Senhor; na Páscoa, Ele retribui a visita.
As antigas povoações (Proença e Idanha, as Velhas) foram abandonadas; uma sorte – a arquitectura não foi adulterada, as tradições antigas mantiveram-se. Originais, castiças.

Caiam-se os aros das portas e janelas, para evitar a entrada dos espíritos, do mau olhado ? Já não vasos mas os aros ficam, à espera.
Assim não ficará a Terra quando se der a emigração para Marte ou Vénus.

 
Bichos II

morce­gos que voam por toda a biblioteca e se alimentam dos pequenos bichinhos que po­deriam atacar os livros
Biblioteca de Mafra. Actual.Expresso 14-IV-2006
Os
insectos mais comuns em Portugal que danificam o papel são os piolhos dos livros .. e o caruncho.

Os piolhos dos livros
Há insectos que não podem passar sem papel; antes de tudo procuram-no nos jornais, livros e todo o tipo de celulose impressa. São os insectos bibliófagos, entre os quais o piolho dos livros.
À beira do rio os piolhos dos livros mata-bicham jornais, na pressa de saber o que se passa no mundo; melhor, o que se diz que se passou e o que outros dizem disso.
Preferem isso a olhar a água do rio que nunca voltará a passar debaixo dessa ponte.
Depois, saciados de novidades vão às livrarias. Preferem ler a pensar; melhor, preferem pensar sobre as opiniões dos outros que arriscar a reflectir o que vêem.
Felizmente que há morcegos que gostam tanto destes piolhos dos livros quanto estes do papel impresso; sem isto já só restaria a encadernação dos livros das bibliotecas antigas.
Tal como os censores históricos e os críticos, os insectos bibliófagos não escolhem– comem de tudo.
A ciência criou um bichinho (Cochrane) que se dedica a comparar o que se prognosticou com o que aconteceu; verificou que o valor prognóstico de muita literatura científica tida por boa não é muito diferente do dos boletins metereológicos. (BMJ 1991 303: 798-799)
Pena não haver insectos Cochrane que soubessem fazer essa monda antes da publicação, mas há normas que ajudam a minimizar o erro. JPA Ioannides. Why most published research findings are false. PLoS Medicine

Os fundamentalistas destas espécies, contarão sempre com o contraponto dos sábios morcegos.

18.4.06

 

Páscoa na Idanha 6

No Centro Cultural Raiano de Idanha-a-Nova, outra bela surpresa – As forma da Fé – 800 anos de Património Artístico nas Terras de Idanha.
Estatuária dos Secs XIII ao XIX, de artistas franceses, espanhóis e locais.
Exemplar.

 

Páscoa na Idanha 5

No fim, a Junta de freguesia oferece a ceia ao ar livre -- uma generosa comunhão de pão e vinho. A primeira ceia da Páscoa, parca como a última teria sido.
Por trás, o imponente palácio dos Marqueses da Graciosa.

 
Páscoa na Idanha 4

A Senhora do Adufe também espera confeitos

 
Páscoa na Idanha 3

Agora o largo da igreja está cheio; a multidão espera que o padre atire confeitos ao povo, sacos de amêndoas(180 quilos, dizem) que toda a gente tenta apanhar, de braços no ar...
O sagrado e o pagão coexistem harmoniosamente.

 
Páscoa na Idanha 2

No cimo do cruzeiro da fachada, uma cegonha beneplácita; o Espírito Santo da Idanha ?

 
Páscoa na Idanha

Sábado à noite, na matriz de Idanha (a Nova), a missa de aleluia; dada a diferença horária de Jerusalém começa às nove da noite.
No início, o velho padre anuncia a saída do cortejo pagão; a missa continua enquanto os sinos repicam. Lá fora, os que saíram e outros tantos que os esperam desatam a apitar furiosamente, a tocar cornetas, a agitar chocalhos o que quase suplanta a filarmónica.
Um barulho do outro mundo, um ambiente fantástico vai percorrer toda a vila enquanto a missa decorre tranquilamente. Quando a multidão regressa está a missa a acabar; acaba tão bem como começou – ao som de adufes que uma dúzia de mulheres toca enquanto cantam aleluias e toadas à Srª do Almortão, minha tão linda raiana... Do altar, o padre dirige o coro e orquestra; magnífico.

13.4.06

 

�L'essentiel est invisible pour les yeux�

 

Janela velha, Porto.

 
gastos com a saúde

Se me não enganei, o Estado gasta diariamente 2.5 com a saúde de cada português e este paga mais 1 em despesas com a doença.
O Estado paga um
subsídio de alimentação e o cidadão o café.

 
Parecer magistrados

"Trata-se de um estudo de mercearia, de um mero cálculo aritmético." "É um estudo superficial, de natureza quase aritmética." Foi desta forma que magistrados se teriam referido ao estudo que serviu de base ao Ministério da Justiça para reduzir as férias judiciais .

* Mercearia, mero cálculo, quase aritmética, são consideradas exemplos de métodos lastimáveis.

 

Na Torre de Londres

 
Um safanão a tempo é quanto basta” recorda o Supremo bom pai de família.

O Supremo considerou provado que um menor deficiente ficou "de castigo num quarto sozinho quando não quis comer a salada à refeição, tendo aquele ficado a chorar por ter medo".
"Qual é o
bom pai de família que não manda um filho de castigo para o quarto quando ele não quer comer"?

* Realmente, qual é ?
* O quarto escuro é a última medida educativa a tentar mas só depois de se terem esgotado as três primeiras; o acórdão sabia isso.
* Na despensa, às escuras, para que a criança comesse a salada confundindo-a com o arroz doce. Bem visto.


Felizmente o vice reconhece que o Supremo "tem por função apreciar a conduta concreta e não definir políticas de educação a menores”

12.4.06

 
Mais cólera em Angola
A epidemia "continua a agravar-se” admitiu o ministro da Saúde angolano: foram registados 6791 casos da doença e 326 mortos.

 
"toda a espécie de mentiras"

«Dificilmente se compreende que muitos órgãos de informação portugueses tenham desencadeado um coro de insultos contra os mais altos dirigentes angolanos e toda a espécie de mentiras sobre o nosso regime e as nossas instituições», Jornal de Angola e site da agência de notícias ANGOP.
“Nenhum jornalista angolano, nenhum comentador, ... se lembrou de invectivar os governantes portugueses por terem permitido que crianças à guarda do Estado português tivessem sido abusadas sexualmente. Ninguém fez a lista dos corruptos que, segundo magistrados portugueses, crescem como cogumelos à sombra do aparelho de Estado e estão a exaurir a riqueza de Portugal»,

Pelo menos os portugueses puderam saber disso pelos “órgãos de informação portugueses”.

 

Olivais/Quioto

Portugal 10% acima da meta de Quioto. Emissões de gases poluentes aumentaram.

Quase três milhões não têm qualquer ligação à rede de
drenagem.

 
O Dia Mundial da Voz celebra-se a 16 de Abril
Rastreio da Voz 2006 no Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital de Santa Maria
Trata-se da primeira vez em que a marcação para um hospital público é efectuada por e-mail/SMS

* O que eu esperava era que um rastreio da voz fosse feito pelo telefone

 
Contrição
JPP, além de Le Monde Diplomatique lê muitos livros e revistas e disso tira bom proveito de que eu também, ao lê-lo e a ouvi-lo, aproveito.
Nada pior para uma boa causa que um mau argumento.

11.4.06

 
Como se desbarata a razão embrulhando-a em preconceitos.

Lendo o Le Monde Diplomatique, junto ao Mondego, num dia cinzento, ao lado do barco "Basófias" (vestido à futrica).
Sempre achei que devia haver algo de muito errado numa cidade em que os estudantes gostam de andar vestidos à padre. ... Uma cidade cujas livrarias na baixa são inimagináveis de provincianas, escuras, mal abastecidas, quase sem livros estrangeiros. (JPP, que eu admiro muito)

Do júri dum doutoramento, na Sala dos Capelos, fazia parte um Professor que, em estudante, tivera que sair de Coimbra por um conflito académico. Formou-se e doutorou-se em Lisboa mas nunca perdeu o complexo de ter estudado em Coimbra (“lá perdi cinco anos da minha vida”). Aproveitando o ensejo, tentava menosprezar o candidato que, para azar dele, era um dos mais brilhantes e mais bem preparados dos Professores de Medicina e disso tinha orgulhosa consciência.
A despropósito, perguntou quantas revistas de Medicina lia o candidato que lhe respondeu: três ou quatro.
- Três ou quatro ? casquinou o arguente; só eu assino cinco !
- Mas eu leio-as, Sr. Professor....., respondeu Gouveia Monteiro.

Nada pior para uma boa causa que um mau argumento.

 
A Constituição Portuguesa, "não parece ser capaz de engendrar uma saudável androginia do poder político" - Teresa Beleza, defendeu que as leis, incluindo a lei fundamental, devem deixar de estabelecer uma distinção "unívoca" entre homens e mulheres; estas duas categorias deixam de fora outros géneros, como sejam os homossexuais ou os transexuais.

 
XX- Visões do Feminino
Centro de Artes Visuais (CAV)/ Encontros de Fotografia (Albano da Silva Pereira e Delfim Sardo)

Mulheres fotografadas por mulheres, mulheres que se fotografam a si mesmas, mulheres fotografadas por homens, homens ou mulheres que fotografam homens que parecem mulheres e homens que se fotografam a si mesmos como mulheres."
Nos últimos cem anos, "o estatuto da mulher mudou e a fotografia foi, para o bem e para o mal, o grande veículo dessa mudança".

Photographier c’est mettre sur la même ligne de mire la tête, l'oeil et le coeur. Henri Cartier-Bresson

Que mulheres, que olhar, que escolha ?
O modelo é um travesti cuja imagem ampliada voga sobre a cidade sem o brinco de pérola.
Que mulheres ? Amazonas, A.mazonas, Ama.zonas.
Há peixes que, quando necessário, mudam de sexo quando um deles escasseia.
O olhar – o olhar que trespassa, o olhar de quem se sente fotografada sem querer ou o de quem se deleita com isso; o olhar que baixa, a estranheza do flash na noite- o dos cães e o da dona - dez olhos fluorescentes. Tira-olhos ginândrios.
Só uma mulher labora (1906, quando as mulheres o faziam) sob o peso das trouxas. Helena Almeida continua a procurar o sentido do trabalho. Imagens do absurdo.
O sofrimento, a frustração, a procura desesperada de uma realização satisfatória.
A imagem de si-mesma; o auto-focus. A exibição de si mesma – a clássica gabardina exibicionista.


Se, daqui a séculos, só tiver sobrevivido esta colecção, os arqueólogos que a descobrirem serão tentados a reconstruir o Sec XX à sua imagem; espero que também encontrem as belas fotografias feitas pelo Albano.

A não perder, até 28 de Maio, no CAV, Pátio da Inquisição, em Coimbra.

 

Um olhar travesti sobre a cidade

 
Ana Gomes
Ler esta emocionante crónica.

 
Tortura
"As experiências do século XX com a tortura demonstram que na maior parte dos casos é fútil." Koppl. Episteme: Journal of Social Epistemology.

EPC enfurece-se por Koppl ter procurado analisar objectivamente a eficácia da tortura, “sem um movimento de repulsa.”. Apesar da tortura ser “uma das práticas mais abjectas de que temos conhecimento ... revela a humanidade no seu lado mais lamacento”, o que é certo é que, apesar de toda a repulsa, essa actividade persistiu, se é que se não incrementou, até hoje.
Pode ser que, agora que se provou a futilidade dos resultados, diminua a sua utilização.
O mesmo se espera da tortura estatística a que, por vezes, se submetem os resultados inoportunos.

 
Essência de Europa

No Prós e Contras (RTP 1) discutiu-se a alegada decadência da Europa, que estaria em vias de perder a sua identidade ao questionar os valores fundadores, que alguns equiparam aos do catolicismo.
Argumentos semelhantes aos ouvidos no Prós e Contras de há 500 anos, com Lutero, Calvino, Inácio de Loyola e Erasmo.
Na verdade, quase metade das 30 cidades mais apetecíveis no mundo são na Europa ocidental. R
elatório Mercer

10.4.06

 
Assimetria social

Portugal era tradicionalmente um país sem graves problemas sociais de desigualdade. Havia muita pobreza, mas sem os contrastes de outras zonas do mundo. Ninguém diz isto em voz alta, mas hoje há mais disparidade entre ricos e pobres que na ditadura.

Quando, nos anos oitenta, pela primeira vez chegámos a Goa sentimo-nos em casa justamente pelo relativo equilíbrio social em contraste flagrante com o que víramos em Bombaim.

 

A liberdade como maior graça.
Museu da Misericórdia de Coimbra, Colégio dos Órfãos.

 
Está tudo grosso
Alberto João Jardim tinha razão no Congresso do PSD, uma amostra representativa do povo português.

 
Mortos na estrada
A percentagem de condutores mortos em acidentes de viação com uma alcoolémia muito elevada (>1.2g/L) é idêntica à dos peões e à dos passageiros mortos nesse mesmo tipo de acidentes com a mesma alcoolémia.
A percentagem de condutores mortos em acidentes de viação com uma alcoolémia <0.49g/l>
Estes dados referem-se aos 1190 mortos em acidentes de viação que foram autopsiados. A distribuição dos 440 autopsiados de que se não sabe se eram peões, condutores ou passageiros não é diferente da restante.

* Qual o significado destes dados para arquitectar uma campanha de prevenção rodoviária num país onde
75% dos condutores que morreram em acidentes de viação e que acusavam álcool no sangue apresentava uma taxa superior a 1,2 g/L e onde cada adulto bebeu um litro de álcool puro em cada três dias de 2005 ?



 

Se conduzir não beba

1190 autópias no INML

 
Afinal, mesmo sem dados, o Ministro tinha razão

Metade dos médicos/enfermeiros hospitalares de todo o mundo lavam as mãos com uma frequência "extremamente fraca" (menos de cem vezes por dia) um risco de infecções cruzadas, alerta a OMS.
Em Portugal não há dados sobre os hábitos de higiene das mãos dos profissionais de saúde mas quase metade dos hospitais não tinha lavatórios suficientes, pelo que se aceita a alternativa do desinfectar as mãos com anti-sépticos.

Lavar as mãos com álcool enquanto não houver lavatórios ao pé
Os 32 cL de álcool que cada português adulto bebe diariamente dariam para desinfectar as mãos. Cada médico/enfermeira traria um frasco com 32 cL álcool na bata. Desnaturado, para evitar insinuações.

Uma prioridade para a gestão EPE; lavatórios e meios de secar as mãos sem toalha.

 
Quem quer vai ver, quem não quer pergunta

Em Portugal não há dados sobre os hábitos de higiene das mãos dos profissionais de saúde mas sabe-se que 64% dos hospitais tinham normas mas apenas 55,4% as divulgavam. Já quase 70% dos hospitais tinham políticas para o uso de anti-sépticos. A equipa do PNCI verificou que, depois da avaliação, a percentagem de unidades a elaborar e a divulgar as normas de higiene das mãos tinha subido para 88,8%.

* Não seria mais útil avaliar o que se faz em vez de coligir o que as instituições dizem fazer das normas ?

 
Deformação profissional do Dr. Queixote

Nunca aceite elogios pela voz sensual, mas sim conselhos para ir ao médico para tratar a provável laringite crónica, sugere um médico a propósito do Dia Mundial da Voz

 
Um exemplo de iniciativa privada

A Al Qaeda não teve qualquer intervenção nos atentados de Londres; os ataques foram organizados por quatro homens por razões ideológicas. "The Observer"

Uma micro-empresa ocupou um nicho de mercado da multinacional do terrorismo fazendo-se passar por ela.

9.4.06

 
Proselitismo jesuíta

O fausto das Congressos médicos patrocinados pela indústria farmacêutica e as muitas estrelas dos hotéis lembram a Sé Nova em dia de festa—a igreja salão, a talha dourada, a música do órgão, os sermões do púlpito... com que se procura deslumbrar os pagãos com imagens do Paraíso dos crentes.

 
A ciência como instrumento do proselitismo

Francisco Xavier, verificando que a estratégia da Índia só atraía as castas baixas, vai para o extremo Oriente com a intenção de cativar os poderosos. Essa táctica dera bons resultados na China; pelo domínio da Astronomia, os jesuítas presidiam ao Tribunal das Matemáticas de Pequim, do Imperador. Xavier conseguiu converter alguns daimios no Japão, mas o sucesso não foi duradoiro.
A mesma estratégia é seguida pelas multinacionais da indústria farmacêutica; substituíram a estratégia de delegados de propaganda aos clínicos pelo aliciamento de figuras médicas de referência. Convidam-nas a participar nos ensaios clínicos dos seus produtos; os que ficarem convencidos serão agora os seus mais eficazes promotores. Com a fé dos recém convertidos.

 

Arcos da Cordoaria Nacional

 
Xavier na Cordoaria
Exposição na Cordoaria comemora os 500 anos de Francisco Xavier, navarro que estudou no Colégio Português que Diogo de Gouveia dirigia em Paris.
1. Vale o desvio; pelas peças da exposição e pelo significado. Xavier prostra-se perante Inácio, seu amigo agora mestre, antes de partir para a Índia; a obediência total. As colchas que teria coberto o seu cadáver. O culto que Goa ainda agora lhe presta.
2. A arquitectura do edifício é notável; apoia-se em longos arcos abatidos. Só na matriz de Figueira de Castelo Rodrigo me lembro de ver um mais elegante. A fantástica ponte de S. João no Porto é da mesma família.

 


O aparo e o tinteiro

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