alcatruz

Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt

31.7.05

 
respigos

As esmolas dos G8 e as boas intenções "pop"
Em Julho, os gran­des deste mundo –G8 (e Comissão Europeia) - de­clararam querer acabar com a po­breza em Africa. Cantores e gru­pos «pop» juntaram-se à intenção....
As dí­vidas ao Banco Mundial e ao Banco Africano de De­senvolvimento de 15 dos países africanos mais po­bres foram perdoadas .

(Em África) a sida é devastadora ... mas a malária mata ainda mais gen­te. Metade da população vive com menos de 1 dó­lar por dia. Só 58% da população tem acesso a água potável.
A tanta pobreza, porém, juntam-se fabulo­sas riquezas ... de homens de Estado africanos: Abacha (Nigéria) 20 mil milhões de dólares; Houphouet Boigny (Costa do Marfim), 6; Babangida (Ni­géria), 5; Mobutu (Zai­re), 4; Traore (Mali), 2....
Por is­so, antes de dar mais dinheiro a África, conviria interromper a rou­balheira sistemática de fundos até agora consignados ... Conviria também acabar com o subsídio escandaloso de produ­tos agrícolas europeus e nor­te-americanos que põe fora do mercado mundial a produção dos agricultores africanos e que há de­zenas de anos os vem arruinando.
Estas medidas - contra os clepto­cratas africanos por um lado e o proteccionismo euro-americano por outro - ajudariam mais Afri­ca que mais alguns milhões de dólares, pouco e mal usados.
José Cutileiro. Expresso. Internacional 30-7-2005

 
Manuel Alegre no seu quadrado

Não, não estás só; apenas te dás conta de quão mal acompanhado tens andado.
Sabes muito bem o que te move e por que causa lutas; não és de levares a carta a Garcia sem cuidar da mensagem que leva.
Não te limitas a defender a fronteira da ameaça de quaisquer tártaros; era isso que nos tentavam ensinar na recruta, mas em vão. A decepção embota o discernimento.
Não. Sabes muito bem por que resistes; sabes muito bem em que guerra estás. Apenas me pergunto se te não terás enganado na batalha.


30.7.05

 
respigos

Horror a factos simples
Em Portugal talvez não se puxe da pistola quando se fala de cultura, mas salta-se para as trincheiras sempre que se esgrimem números. Esta nossa dificuldade em lidar com factos simples - e os números, na sua abstracta aproximação, são sempre uma forma simplificada mas objectiva de descrever uma realidade - talvez explique a dificuldade em obter certos elementos que permitiriam formar opinião sobre algumas decisões polémicas. Senão como explicar que o Governo não revele em que estudos se baseou para decidir gastar nesta legislatura 220 milhões de euros com o novo aeroporto da Ota...

Há que procurar fundamentar uma opinião mas evitar a idolatria dos números; procurar saber que realidade concreta se encontra sob a abstracção numérica.
Os números são como o dinheiro ... há o limpo e o sujo que convem não misturar.
E também há que distinguir factos simples de análises simplistas; são os números ou a falta deles que leva às trincheiras da OTA?

29.7.05

 

O alerta encontra-se onde menos se espera.
Metade da população ingere gorduras e hidratos de carbono em excesso. (Henrique de Barros. U. Porto)
Um terço dos portugueses tem excesso de peso (Inquérito Nacional de Saúde 1999), tal como 31.5% das crianças escolares (Padez C . U. Coimbra -- Am J Hum. Biol 2004), que se esperaria magras.
"O homem, com os seus dentes, cava a sua sepultura”. Congresso de Medicina Popular, Vilar Perdizes (2001)

 
respigos

1. Universidade aplica regime de prescrições
De acordo com a legislação aprovada há dois anos na Assembleia da República, um estudante que não terminar o curso no limite de tempo previsto, acrescido de dois a três anos, não poderá prolongar a ocupação de um lugar que pode fazer falta a outro aluno.
"A decisão, a concretizar–se, deixará de fora da universidade largos milhares de estudantes". (DG–AAC)

Finalmente. Uma medida justa que representará “largos milhares” de novas vagas na UC.
Espera-se que os casos excepcionais sejam tidos em conta.


2. O novo presidente da
Entidade Reguladora da Saúde é especialista em economia e finanças internacionais ... provavelmente as áreas do SNS que mais preocupam o Ministério da Saúde.

28.7.05

 
respigos

Os elefantes brancos que preocupam os 13 economistas
“Parece ter emergido uma corrente de pensamento que acredita que a superação da crise pode estar no investimento em figura públicas ..." "Porque a situação é séria e o País não pode, ..., embarcar em mais experiências fantasistas, importa dizer (...) que a sua eventual concretização poderá ser desastrosa para o País.”
O
editorial do DN critica o “Manifesto dos 13” por não “chamar os bois pelos nomes” mas engana-se quando julga tratar-se do Ota e do TGV; os dois elefantes brancos que preocupam os 13 são outros.

27.7.05

 
respigos

Mário Soares: “... é impossível não ver nele o símbolo de uma época, de uma geração política, de uma prática e de um sistema. Ele é inevitavelmente o candidato do regime. É o seu ponto forte, mas é também o seu ponto fraco. Elegê-lo seria declarar definitiva a impotência, já não só da esquerda mas também do regime por inteiro, em se renovar e regenerar.” Manuel Queiró
Bernardino Machado: Presidente da República, em 1914 e, pela segunda vez, em 1925; mandato interrompido pelo movimento militar do 28 de Maio de 1926.

 

Há quinze anos: os fogos de Verão, a Volta a Portugal, o eterno retorno, o caldo requentado, o mais do mesmo, o manifesto dos 13, os mesmos de sempre, o roto para o nu, o “dejá vu”, o rabo na boca, o disco rachada, a rotação da Terra, a translacção da Lua, as estações do ano, a sonora redundância, a ecolália, o começo do fim, o enredo da meada, o ciclo vicioso, em alta velocidade.

 
respigos

A marcha lenta dos camionistas
dificultar a vida dos outros...” para atingir os nossos objectivos. (ANTRAN, na Antena 1).


Um degrau: o fundamentalista incitaria a “dificultar a vida dos outros” até torná-la impossível.

26.7.05

 

museu virtual

 
respigos

O SNS.SA e as comissões administrativas.
O
Tribunal de Contas reprovou a forma como em 2004 foi feito o controlo da despesa e da qualidade dos serviços prestados pelos hospitais, centros de saúde e outras unidades financiadas pelo SNS. Estão em causa o Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde (IGIF), as administrações regionais de Saúde (ARS) ou a Unidade de Missão para os Hospitais SA.

Com um Ministério da Saúde exclusivamente composto de gestores, economistas e administradores escolhidos por critérios de confiança e sem os constrangimentos dos concursos públicos, seria de esperar muito melhor. Se seria de temer que «… salvo honrosas excepções,” muitas “destas pessoas exibisse uma despudorada ignorância da realidade da Saúde...” (
Salis Amaral, Presidente do Conselho Científico da FCML) dados os critérios de selecção, também não surpreende que o TC critique tão severamente a forma como não terão “feito o controlo da despesa e da qualidade dos serviços” “... à frente dos quais foram colocados gestores neófitos e desconhecedores, alguns de uma maneira ridícula, dos problemas específicos da Saúde." Diniz de Freitas, HUC/FMC.


 
respigos

Em 2003, mais de ¾ (78 %) do volume de mercadorias que atravessou as fronteiras fê-lo por estrada, 17% por via marítima e os restantes 5% por comboio. Observatório Transfronteiriço Espanha-Portugal.

A ligação Lisboa/Madrid por TGV será a solução ?


25.7.05

 

Queiramos ou não, muitas localidades obrigam-nos a atravessá-las, como que para pagar portagem. Uma cidade sem uma via circular externa é um burgo medieval.
Nas autárquicas, escolham o candidato que se comprometa com uma circular externa.

 
respigos

Palavras mais pesquisadas no SAPO
1. nuas 2. matadinho 3. mulheres 4. fotos 5. gratis 6. portugal 7. jogos 8. euromilhoes 9. porto 10. mapa

No bazar, o cliente tem sempre razão; quem quere ouvir falar em economia, défice, produtividade, política, eleições ou candidaturas ?


 

Há problemas na obra do Hospital Pediátrico.
Em tempo de seca, as obras do novo Pediátrico de Coimbra vêm sofrendo atrasos devido a água em excesso nos terrenos onde foi decidido implantá-lo.

Onde uns veriam oásis de oportunidades, outros alegam problemas.

 
respigos

"Cada português vai pagar mil a 1500 euros pelo TGV"
Luís Cabral. Professor de Economia da Universidade de Nova Iorque

Campos e Cunha alertou: os projectos para a Ota e o TGV precisam de ser avaliados antes de avançarem, ponderando os seus custos e benefícios económicos e sociais.
É difícil encontrar hoje alguém credível que defenda a Ota e o TGV.
Sarsfield Cabral.

24.7.05

 
Gaivotas ao volante

Aproximam-se a toda a velocidade, quase nos abalroam para nos ultrapassar e logo guinam para a direita – quase nos tocam como que para nos empurrar para fora da estrada.
Se acontece encontrarem-nos na faixa esquerda a ultrapassar alguém, acendem os farois e buzinam até que lhe cedamos a via que parece considerarem sua.Olhando com atenção aquelas caras zangadas vejo que o nariz tem a forma do bico amarelo das gaivotas com as características manchas vermelhas da fúria; não buzinam, gralham. Vendo melhor, o que parecia cabeças de gaivotas são condutores com bonés americanos de baseball, com uma pala demasiado comprida para tão pequena cabeça.

Como as gaivotas, também esta praga vive à custa do que desperdiçamos com o consumo excessivo de que esta mesma praga lucra e promove.
Se não nos precavemos, ocupam o país como sua reserva privada como as gaivotas nas Berlengas.


 

Melhor fora terem apoiado a candidatura de Bernardino Machado

 

O insuportável fardo dos símbolos murchos e encharcados.
É tempo de arriar bandeiras antes que os mastros quebrem; guardá-las para dias de festa.

23.7.05

 

comparem as notícias de primeira página

 
Praga de gaivotas chega a Coimbra

Passou por mim um pseudo skin-head com um enorme bull-dog atrás, à solta; não grasnou, não rosnou nem sequer olhou. Cada vez há mais gaivotas destas.

 

Berlenga 3

O azul verde da água transparente compensa este mal-estar e o de ver pescadores como “taxistas” de barcos que levam turistas às grutas; até as gaivotas deixam de pescar para viver à custa do turista -- uma veio roubar uma sardinha assada do nosso prato. A beleza agreste do ilhéu compensa tudo. Vêm-se cardumes de peixes enormes mesmo ao lado do molhe; corvos marinhos nadam melhor do que voam. Só vi uma árvore -- uma figueira que rasteja pela encosta.
O barulho contínuo das cagarras só se atenua à noite; deixa dormir uma terra sem luz eléctrica numa noite de lua cheia. A gralhada recomeça de madrugada. Habituamo-nos ao ruído; mais difícil é tolerar a borrada – as cagarras borram tudo – as casas, os barcos, os toldos e, sobretudo, o magnífico granito rosado. De tudo escorrem manchas brancas de escória das gaivotas – se se alimentam nas lixeiras humanas, imagina-se o conteúdo dos excreta.
A Berlenga é um santuário de gaivotas que se mantêm com razias às lixeiras de Peniche; era isso que faziam os piratas medievais. Para o evitar, foi construído o belíssimo forte (Sec XVII), abandonado dois séculos depois, que já foi Pousada e agora é pousada cheia de jovens.



 

Berlengas 2

As gaivotas esperam-nos em cima dos muretes para proteger a reserva. Mesmo sem sair dos trilhos somos (sentimo-nos) ameaçados. Não só pela gralhada – também com voos claramente intimidatórios. Hitchcock.
Senti-me árabe em Jerusalém, judeu na Palestina, cristão em Islamabad, católico em Belfast, branco em Harlem ou na Cova da Moura (onde nunca fui).


 

Berlengas 1

Um calhau granítico a 10Km da costa sedimentar da Europa calcária; um pedaço da América que desistiu da deriva. Reserva natural de uma multidão de gaivotas com imensos filhotes. De dois mil em 1980 serão agora mais de cinquenta mil mas parecem milhões -- uma ruidosa praga. Devem considerar-nos uma ameaça e reagem consequentemente; eu sinto o mesmo. Elas sentem-se em casa e consideram-me intruso, tal como eu.

 

Peniche, o forte e o porto. 3

No largo do forte instalou-se uma feira “popular” com barracas de farturas e "churros". Esperam-se carroceis e barracas de tiro. É o largo do negócio, a bronca satisfação da mesquinha iniciativa privada à solta.
As esplanadas das inúmeras tascas e restaurantes ocupam metade da largura dos passeios. Algumas provisórias, muitas estruturas definitivas, umas maus pirosas que outras. A apropriação dos lugares públicos pelos patos bravos com a conivência dos poder autárquico e a preguiçosa indiferença popular.
Quando Salazar pretendeu florestar os baldios, os serranos recusaram alienar o terreno comunitário; Aquilino morreria outra vez ao ver os filhos dos pescadores a servirem à mesa. Os lobos já não uivam; preferem repartir o saque.
Projectam transformar o forte em pousada – a Pousada das Penas Pesadas ... Terá suites com nomes sugestivos -- estátua, sono.
Nos arredores, muito lixo, pasto dos milhões de gaivotas das Berlengas; estas lixeiras, fruto do consumo desenfreado dos últimos anos explica e alimenta a praga das gaivotas. Nem as fantásticas formações rochosas das falésias escapam; salva-se a Nau dos Corvos. Ali, estes impedem que os patos bravos e as gaivotas borrem tudo.



 

Peniche, o forte e o porto. 2

A saída é constrangedora - desleixo, abandono; estava mais bem cuidada há 40 anos, quando era prisão política e dois condiscípulos, Lousã Henriques e o Domingos Arouca, ali penaram.

22.7.05

 

Peniche, o forte e o porto 1
O forte, construído para defesa dos ataques de fora, foi transformado em prisão que o perverteu. As portas que se fechavam por dentro, começaram a fechar-se por fora; as grades foram feitas para impedir o assalto, não a fuga.
Não bastava prender, era necessário amolentar. Cá dentro a solidão e o silêncio contrastariam com a liberdade dos barcos e das gaivotas. Era indispensável resistir: um poema (Dias Coelho?) recorda o Ariane de Torga; os desenhos de Cunhal são notáveis - Brughel, Pavia, Eisenstein. Uma inesperada ternura a branco e preto. Uma descida da cruz profana; a esperança na ressurreição do filho do homem.
O pátio para os curtos passeio dos presos era a abóbada da cisterna para colher a escassa água da chuva. Lajes áridas, sinistras, rodeadas de paredes de janelas como olhos gradeados. Só cal e ferro; cor, só a do céu. Ruído, só o das gaivotas; o gralhar destas chegaria a ser insuportável.



19.7.05

 
A solução do Mokambo

Na emigração
Um grão dissolve-se
Um punhado cria grumos

Na colonização dá-se o inverso:
Um grão enquista

Um punhado derrete.


 

 

Onde Sancho vê moinhos,
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos!
Vê gigantes? São gigantes!

António Gedeão. "Movimento Perpétuo", 1956

 
Nomes das coisas

Pelmá -- belo nome de aldeia. Curto, sonoro, original. Última sílaba acentuada para que se frua toda a palavra.

18.7.05

 

Governo privilegia a produção de energia eólica.
Pina Moura, presidente da Iberdrola Portugal, afirmou que a eléctrica espanhola estará "atenta às oportunidades de investimento na área eólica".

Agrada-me este tipo de energia renovável, independente, segura e não poluente; agrada-me sobretudo a versatilidade dos geradores -- quando houver vento produzirão electricidade; quando necessário produzirão brisa artificial, tão necessária à calma coimbrã.

Antes usar uma energia acabada de gerar que uma armazenada há milhões de anos; antes uma fonte aérea que uma subterrânea -- antes Eolo que Plutão mas Zéfiro, de preferência.
Só me preocupa o interesse da Iberdrola; de Espanha nunca veio bom vento. E não gosto de ver o país virado para donde vem o vento.


 
respigos

“a “classe média” ou a “baixa classe média” são o lugar por excelência onde o ressentimento se acumula. A figura do jovem, que se julga vítima de uma ordem iníqua, e está disposto, em nome da revolução ou do islão, a rebentar com ele e o universo para mudar a história não é original.” Vasco Pulido Valente

1. Os terroristas suicidas de Londres pertenciam à segunda geração de emigrantes.
2. Os mais problemáticos emigrantes dos PALOPs são jovens da terceira geração.
3. "
Os emigrantes portugueses de primeira geração tiveram muito êxito, no Canadá e estão satisfeitos com a vida que lá têm; a situação da segunda geração é diferente, e muito complicada porque eles não estão dispostos a fazer os trabalhos que os pais fazem ou fizeram ... estudos feitos nos Estados Unidos demonstram que a situação piora da segunda para a terceira geração."
Armando Oliveira, professor do Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais da Universidade Aberta

Os novos emigrantes consideram o copo meio cheio; os das gerações seguintes consideram-no meio vazio. Estes tendem a atribuir à discriminação étnica as dificuldades de inserção (muito diferentes das dos filhos dos ex-rurais autóctones?) e a revoltar-se contra a resignação das gerações anteriores e contra a humilhação a que estarão sujeitas.
Thackeray dizia que eram necessárias três gerações para fazer um gentleman. Agora, leva menos tempo a fazer dum emigrante um revoltado.


17.7.05

 
respigos

O destaque do Público do hoje foi a música portuguesa
Quem ouve rádio sente falta de diversidade e de música portuguesa.”
Procurei as frases "Lugar ao Sul" e Rafael Correia, mas não as encontrei.

 

cravado do Expresso a 30-7-2005

 
“O nome que no peito escrito tinhas”

Artistas desvendam o segredo de Inês de Castro, revelando “O nome que no peito escrito tinhas”. Pavilhão Centro de Portugal (Ínsua do Bentos em Coimbra).
Apesar da indelicadeza e de Inês não ser espanhola, o “Spanish kiss” de Catarina Campino é uma excelente ideia, muito bem conseguida com uma exímia sobriedade. A “Coroa de flores” também. Não percam.

 

25º aniversário do curso de Torga na antiga República do Norte, na Ladeira do Seminário.
Da Fotobiografia.

 
Escritores andaram no trilho de Torga

Um dia, no meu quarto ano, soube que Miguel Torga iria ser homenageado pelos seus condiscípulos. Naquele tempo, Torga era para mim apenas o poeta libertário do
“Ar livre! Que não respiro, ou são pela asfixia?”
“Ar livre! Que ninguém canta com a corda na garganta”
Cântico do Homem 1950
Lá fui; era ao cimo da Ladeira do Seminário, na República onde tinha vivido. Lá estava a lápide com os dizeres votivos. Ali estava o seu curso, comemorando os 25 anos de formatura. Todos “velhos” de gabardina e chapéu. Entre eles, “Condercet”, amigo de meu pai e Albertino de Barros, meu professor de Obstetrícia que fotografava o grupo.
Por fim Torga agradeceu da varandita. Ali estava o poeta, a figura escanzelada, a cara talhada à podoa, voz áspera de Armstrong que começou:
-- Em Panoias, lá para os meus sítios ...
Eu estava encantado pela beleza e pela lhaneza do texto evocativo e pela coragem do “velho” expor em público as suas emoções juvenis e em no dizer de forma tão simples.
Mais tarde quando o li, no Diário, a redacção era um pouco diferente ou a minha memória me tinha atraiçoado; prefiro a versão que recordo. E Torga continuava:
Caio Calpúrnio Rufino nesta parede, por vosso enternecedor ... carinho”
Torga lamenta “a crescente dificuldade de soletrar o nome de Caio Calpúrnio Rufino, funcionário romano” na mais conservada das inscrições votivas de Panoias. Sempre que passo na Ladeira recordo a cena sem precisar de ler a lápide.

 

Dakar vai sair dos Jerónimos
Ainda bem; nunca lá devia ter entrado.

16.7.05

 
respigos

1. Gastos milionários na GALP
Presidente do BPI defende:
Ordenados em Portugal devem baixar 10%

bem pregam freires Tomases

2. SIC sábado
08.01 O Jornal da noite começa com a notícia: Léo acaba de chegar a Lisboa
21.21 O Jornal da noite acaba com a notícia: ESPÍRITO SANTO LÉO


a vingança da Impresa

 
Respigos

1. Equidade na idade da reforma
em matéria de idade de reforma, o fim dos regimes de excepção deixa de fora ... empresas públicas (no BP, na CGD, etc.), onde se mantêm
reformas"douradas".
Governo, associações e sindicatos das forças de segurança não se entendem. As divergências têm a ver com as reformas, o congelamento e progressão nas carreiras e ainda os sub sistemas de saúde.

2. Forças de segurança em greve ameaçam fazer reféns. É natural ?
O Sindicato da Polícia
ameaça bloquear o trânsito nas duas pontes sobre o rio Tejo.
não há greves eficazes sem dor, sem prejuízo, sem vítimas. Faz parte mesmo da possibilidade de eficácia de uma greve, que é o que uma greve pretende. ... É natural por isso que os sindicatos as tentem realizar quando atingem ou mais pessoas, ou interesses de grupos, que possam levar governos ou empresas a recuar.”


15.7.05

 

arqueologia contemporânea, vista do CAV, Pátio da Inquisição, Coimbra.

 
tentar perceber o absurdo

Na Fonte das Virtudes, na Terra do Nunca, no Quase em Português

14.7.05

 

"At first, the citizens resist the temptation of trafficking with beastly terrorism, but soon they empathize with depravity, for "to understand is to justify." One by one, individual by individual, the citizens begin to change color, shape and substance. They join the herd. They become rhinoceroses."

Compreender é começar a ceder ? A estratégia da luta é baixar a cabeça, fechar os olhos e investir sempre a direito...?


J'espére en la victoire finale des forces du bien. Ionesco, Le Figaro, 1993


 
respigos

1. Desastre em Matemática
“...uma parte dos resultados deve-se à prova... tinha critérios de correcção demasiado restritivos... demasiado exigentes” “AsBeiras” 13-VII-2005
Pena que a Associação de Professores de Matemática não se tenha manifestado antes da publicação dos resultados.


2. Há algum médico na sala ?

A Médis está preocupada em socorrer os clientes que se engasguem. Na verdade, o risco inerente a quem come sofregamente não é uma prioridade do SNS.

13.7.05

 

Título de "As Beiras" de 12-VII-2005.
Um plano seria óptimo; o problema é que os pinhais se estendem por covas e cabeços.




 

No funeral das finanças, o governador do Banco de Portugal lê o testamento à nação endividada.

12.7.05

 
O terrorismo como pandemia. Um modelo biológico.

3. É um modelo a considerar na luta contra a pandemia terrorista num mundo dominado pela pulsão consumista e pela obsessão produtivista, pelo primado do lucro e do sucesso a qualquer preço, onde os fins justificam os meios e também pelo uso indiscriminado de antibióticos pela paranóia anti-séptica.
Reconhecer que, quando as armas e as tácticas que usávamos contra os agressores se revelam ineficazes há que reconsiderar a velha estratégia das vacinas e dos probióticos, métodos ecológicos muito mais selectivos.

Mais do que negociar com os terroristas, tentar apoiar a flora simbiótica endógena, estimulando-a a rejeitar mutações indesejáveis – no terceiro mundo e nas comunidades emigrantes. Não agredir escusadamente a flora intestinal (crenças e países árabes ?) que se arrisca a ser subvertida por estirpes virulentas; procurar atenuar a inflamação nas zonas onde o instável equilíbrio entre o hospedeiro e a flora (Israel-Palestina) se arrisca a despertar o primitivo impulso do lacrau (a translocação bacteriana que mata o hospedeiro e, consequentemente, a própria flora agressora).
Porque as bactérias resistentes não reconhecem fronteiras, também o uso de antibióticos tem que ser criterioso obedecendo a uma
estratégia global.



 

O terrorismo como pandemia. Um modelo biológico.

 
O terrorismo como pandemia. Um modelo biológico.

2. Desde há milhões de anos convivemos com micróbios; por vezes matam alguns de nós mas ninguém poderia ter sobreviveido sem a flora bacteriana com quem firmámos um equilíbrio dinâmico, com mútuo benefício.
No último meio século ocorreu um facto que alterou profundamente esta dialéctica biológica – o uso de antibióticos, hoje universalizado.
Os antibióticos são produtos que alguns micróbios usam para destruir outros – são armas genocidas. Quando usadas em Medicina, procuram destruir as bactérias virulentas clássicas -- os cocos, os bacilos, os treponemas.... --- mas flagelam todas as outras. Algumas estirpes conseguem resistir e, libertas das suas concorrentes naturais destruídas pelo antibiótico, tornar-se-ão ainda mais virulentas e proliferarão sem entraves. Conseguem mesmo transmitir essa capacidade a outras bactérias— os plasmídeos são o veículo dessa informação eventualmente letal.
A flora intestinal que convivia em simbiose com o hospedeiro fica salpicada de mutantes resistentes que se não integram e podem causar lesões destrutivas fatais (a enterocolite necrosante), tanto pela sua capacidade destrutiva (cito-toxina) como em resultado duma reacção desastrada.
O lactobacilo (do iogurte) tem sido usado com algum sucesso na prevenção dessa doença, alegadamente por impedir a colonização e a fixação de estirpes indesejáveis. É a centenária estratégia probiótica de Metchnikoff.
Tal como se diz da Al-Caida, as bactérias resistentes não constituem uma organização hierarquizada, mas integram grupos com a mesma ideologia, ligados numa rede laxa, podendo actuar autonomamente. A informação genética dos plasmídeos são o equivalente dos “memes” facciosos da doutrinação de algumas madrassas e de alguns imãs -- versões fanáticas do Corão como as do Livro Vermelho de Mao, do Verde de Kadafi, de alguns catecismos, ou de certos “guide-lines” defensivos.

Alguns micróbios têm receptores de virulência (Vi) com grande apetência por memes facciosos quando potenciados pelos miasmas do lucro do petróleo.
Poderão estar inactivos muitos anos, convivendo com os hospedeiros durante muito tempo (as células adormecidas) passando despercebidas aos sistemas de vigilância (policial ou imune) que os tomam como seus cidadãos ou bactérias da sua flora.
Esperariam uma oportunidade para agir; então a eficácia dos antibióticos seria nula e as consequências desastrosas.
Alguns seriam agentes patogénicos das aves ou dos macacos, espécies que se haviam habituado a defender-se. O contacto íntimo – aviários superlotados para produção intensiva -- teria permitido que alguns colonizassem humanos, com as consequência terríveis em populações virgens dessa experiência.

Terá bastado que uma pessoa contaminada com “pneumonia atípica” viajasse de Hong Kong para Toronto para, em pouco tempo, morrerem 44 pessoas.


 
O terrorismo como pandemia *. Um modelo biológico.
* O modelo não é original.

1. Terá bastado que uma mulher contaminada com “pneumonia atípica” tivesse viajado de Hong Kong para Toronto para, em pouco tempo, morrerem 44 pessoas; um exemplo do que poderia ter sido um ataque bio-terrorista. “Eles atacam quando querem, como querem, do modo que querem. Nós somos incapazes de definir um lugar, um instrumento, uma técnica, uma vontade. Até que de súbito o ataque cai sobre nós. Onde não esperávamos nem sabíamos, em nome do que não entendemos.” Eduardo Prado Coelho

“O texto divino é claro quanto à necessidade de provocar “o máximo dano possível". O operacional tem portanto de certificar-se de que mata o maior número de pessoas. Se não o fizer, espera-o o fogo do Inferno. Nós não fazemos a distinção entre civis e não civis, inocentes e não inocentes. Apenas entre muçulmanos e infiéis. E a vida dum infiel não tem qualquer valor.”
Este terrorismo tem mais de epidemia que de guerra; poderá ser útil explorar a semelhança.


 

A camponesa na feira; uma "senhora de sua casa". Nossa Senhora do Mercado - a auréola proíbe que descanse.
As mulheres que labutam de sol a sol na terra portuguesa costumam definir o seu destino com esta frase concisa e trágica: “A nossa vida é muito escrava”.
Maria Lamas. As mulheres do meu país. Caminho 1948

 
produtividade, patrões e chefias intermédias

Chamado às Finanças para esclarecer o IRS: uma parcela colocada na coluna errada que não alterou o valor do IRS. Para corrigir o “erro”, a coima é de 400.
As repartições de Finanças deste país não terão nada mais rentável para fazer ?
Aspectos positivos: bom ambiente, dados informatizados acessíveis, funcionários diligentes, bem dispostos e delicados. Compreendem o absurdo da situação mas não podem passar disso; já é alguma coisa.
Na realidade, "o problema grave de
falta de produtividade ... não surge apenas nos funcionários, mas principalmente nos patrões e nas chefias intermédias."

 
respigos

Greve ou lock-out dos professores ?
"Sete em cada dez alunos do 9.º ano tiveram negativa no exame de Matemática"

Injustiça
“... não reconhecerem ... o esforço gigantesco que... fazem os professores .... ao conseguirem que, na sua maioria, as nossas crianças e jovens alcancem patamares assinaláveis de progresso....”

A nódoa
Um professor a corrigir provas nacionais sublinha que não é numa prova de 90 minutos que se avaliam as competências dos alunos ... Mesmo em Matemática ?

Estava preocupado com as eventuais consequências desta sua tarefa no destino dos alunos. Remorsos complacentes ?




11.7.05

 
A greve num serviço público; um modelo biológico

Um antibiótico usado para combater uma bactéria patogénica atacará também bactérias inocentes que connosco vivem um simbiose, com mútuo benefício.
De cada vez que um sindicato de serviço público decreta uma greve de modelo operário está a actuar como o médico pouco competente que pretenda tratar uma infecção específica com um tosco antibiótico de “amplo espectro”. Não trata bem a infecção e molesta a flora intestinal indispensável à sobrevivência do doente.
As bactérias simbióticas sacrificadas são os reféns que os sindicalistas flagelam (legal mas ilegitimamente) para atingir os seus fins (legítimos ou não).
É a vida, dirão; talvez seja, mas não deve ser; por razões éticas e também por comezinhas razões de eficácia -- o terrorismo procurava ser selectivo.


 

Pavilh�o Centro de Portugal. Siza Vieira.

 
O mito asséptico

O sabonete “bactericida”, os milhões de doses de medicamento contra a "eventual" pandemia de gripe das aves, a exigência popular da “desinfecção” da escola onde houve um caso de meningite, a preocupação exacerbada com as toxi-infecções alimentares por salmonelas revela o receio pânico do “outro”.
A “marcha contra a criminalidade” do Partido Nacionalista são a vertente xenófoba; a ideia de que, para nossa tranquilidade, deverão ser expulsos ou exterminados (a solução final). Nem acreditam na conversão forçada.
Ignoram a “
hipótese higiénica” – que relaciona um alegado aumento da incidência da alergia com a falta de exposição a micróbios na infância. O SKIP aproveitou, extrapolando, a sugestão de um astuto clínico geral que, há muito pensava que “um bocadito de porcaria não faz mal” desde que não seja na mão do médico.

10.7.05

 
letra minúscula -- a não perder

 
respigos

O estado da Nação na perspectiva PS.
Crescimento económico, produção, PIB...

Há que apostar no crescimento ou no desenvolvimento ? Na quantidade ou na qualidade ?
Toda a produção, mesmo a bugiganga vendável melhora o PIB mas melhorará a qualidade de vida ?
Toda a coisa nova será necessária? Com ou sem RIP ? Com ou sem “externalização dos custos” ?
TGV para quem ? Para algumas pessoas ou para os produtos ?

A vantagem de chegar de Lisboa a Campanhã em 100 minutos em vez de 180 justificará o preço do investimento ? É necessário TGV para retirar o transporte pesado da A1 ?
Em que é que isto melhorará a qualidade de vida ou a equidade entre os portugueses ?

Despejar muita areia na serra da Estrela na expectativa de que alguma chegue às praias, onde faz mais falta, é uma estratégia; não haverá outra menos tosca?

 

Num dos dias mais quentes do ano mais seco, enquanto o país ardia e um fogo rondava Coimbra, um aviãozito anunciava Pirotecnia para esta noite.
Se o fogo for indispensável para o brilho das festas, não seria possível pedir à Universidade que invente um sucedâneo da pólvora, com cheiro e estampidos à mistura que substitua, sem risco de fogo, os foguetes de três respostas, os de lágrimas ou até o fogo preso ? A festa terminaria à meia noite com três morteiros virtuais.
Será possível Prof.
Xavier Viegas ?


9.7.05

 

No convento da Arrábida, um frade pisa a serpente que encima o globo terrestre - em luta pela boa globalizaçao, trinta anos depois da destruição da Armada Invencível.
Visitei-o no dia dos protestos contra a globalizaçao capitalista dos G8. Os contestatário preferiram desacatos mediáticos a uma tentativa de universo alternativo; a serpente e Ben Laden sorriem.

 
Londres 7/07/2005. O terror indiscriminado e a vingança fanática.

O requinte sanguinário é mais do tipo da vingança que duma estratégia de guerra.
Se o ataque fosse contra a globalização imperialista, numa das suas capitais e quando decorria a reunião dos senhores do mundo actual (G8), seria de esperar que as suas estruturas tivessem sido atingidas; nada disso aconteceu.
O ataque teve lugar numa cidade “cristã” onde milhares de muçulmanos decidiram residir (“Somos cerca de 10% da população. Em algumas zonas, somos um terço”), convivendo com o “infiel” cristão e judeu, ignorando as “fatwas” fundamentalistas.
Mais do que contra a globalização, o ataque parece ter sido dirigido contra os os que acolhem renegados e os hereges que não têm pejo em conviver com os ímpios e em adoptar o seu modo laico de vida. O tribunal islâmico da Al-Qaeda considerou que o embaixador do Egipto no Iraque era aliado dos judeus e dos cristãos e, como tal, apóstata (Murtadd), crime punido com a pena de morte.
Não admira que os alvos do fanatismo dogmático tenham sido as cidades mais cosmopolitas do mundo ocidental (NY, Londres, Madrid) e oriental (Bali, Casablanca, Istambul)
Este padrão não é exclusivo do Islão: “O Islão como religião pode ser tão tolerante como triunfalista - tal como a sua religião irmã, o cristianismo. Mas há uma tendência no Islão extremista que vê a modernidade - todo o projecto do Iluminismo - como seu inimigo. Para esta facção, a democracia, a igualdade, o liberalismo político, a separação do Estado e da Igreja, a igualdade entre sexos, o secularismo - é tudo trabalho do diabo.”

Shlomo Avineri. Esta Não É Uma Guerra de Civilizações. Público, 26-9-2001
Há 150 anos, Pio IX condenou como "erro dos tempos modernos" a separação entre a Igreja e o Estado, incluindo a educação laica e o casamento civil, o liberalismo e o socialismo, proclamou o dogma da infalibilidade papal (o que não evitou ter perdido o "poder temporal" apesar do apoio de exércitos estrangeiros e à custa da vida de muitos compatriotas seus).

Ao contrário dos talibans, não tinha o apoio dum Ben Laden.

3. Curiosamente as plutocracias dos países árabes (Emiratos, Arábia) têm sido poupadas; alguma razão haverá.

 
Londres 7/07/2005. O terror indiscriminado e a greve de serviços públicos

Quem o programou, fê-lo para que atingisse o maior número de pessoas, tal como, mutatis mutandis, nas greves: “
não há greves eficazes sem dor, sem prejuízo, sem vítimas. Faz parte mesmo da possibilidade de eficácia de uma greve, que é o que uma greve pretende. ... É natural por isso que os sindicatos as tentem realizar quando atingem ou mais pessoas, ou interesses de grupos, que possam levar governos ou empresas a recuar.”




 

No convento franciscano da Arrábida; estranhos franciscanos eremitas que julgavam que a chave do coração implicava o sacrifíco de não ver, não ouvir e não falar. A data (1622) e a imagem eram bem mais castelhanas que portuguesas.
Compreende-se que tenha sido a Fundação Oriente a adquirir o convento; compreende-se mal que ali tenham lugar os "Encontros da Arrábida"; encontros sob o lema de não ver, não ouvir e não falar ?
Visitei-o na véspera do ataque terrorista em Londres; coincidência ?

4.7.05

 
rainha santa

"Não levantou as mãos, não orou, nem pediu, não mandou: só disse que eram rosas as moedas, e foram rosas. O chamar foi produzir; e o dizer que eram, foi fazer que fossem o que não eram. Em Cristo foi poder ordinário, em Isabel poder delegado; mas infinitamente maior que todos os poderes reais (...).
Enquanto rainha, podia dar nomes, mas nomes que não eram mais do que nomes; enquanto santa, deu nomes que davam ser, e mudavam ser, e por isso maior rainha que todas as rainhas..."
António Vieira. Sermões


 
respigos

O protesto da Associação de Praças da Armada
As famílias vestiram os meninos à maruja e levaram-nos à manif de mãos dadas com as manas e os primos. Todos gostaram muito do pic-nic.
Os marinheiros
aventureiros
são sempre os primeiros
na terra e no mar...

3.7.05

 

No Expresso-Economia.
Valeu a pena o anúncio que o telejornal da RTP aceitou considerar notícia.

 
um post para o outro mundo

Um país de sucessos
É certamente insólito come­çar esta semana um artigo com este título, mas há vida para além das más notícias. Primeiro, um indicador social: há 20 anos, a taxa de mortalidade infantil era de 17,8 por mil em Portugal e uma das mais eleva­das da Europa. Hoje é inferior a cinco por mil, melhor que a média europeia. E o «milagre» não aconteceu apenas pela melhoria das condições económi­cas, mas muito pelo esforço concen­trado de um grupo de pediatras e obs­tetras, que funcionou durante muitos anos deslocando-se de norte a sul, pre­parando enfermeiras e internos, crian­do um modo de transporte dos re­cém-nascidos em risco, reformando as unidades de neonatalogia, sob a orientação do pediatra Nuno Torrado da Silva, que veio da Suíça e não aceita­va que o país não pudesse mudar.
Nicolau Santos. Cem por cento. Expresso 2-6-2005

É reconfortante que se tome como exemplo uma área do SNS e se reconheça o esforço que se fez para melhorar a saúde e o bem estar das crianças portuguesas. Tanto mais animador quanto o exemplo de Torrado da Silva não se extinguiu com a sua morte – no Hospital Pediátrico de Coimbra, no Hospital Garcia d’Orta, na Comissão Nacional de Saúde Materna e Infantil e no Grupo de Registo Nacional do Recém Nascidos de Muito Baixo Peso que, com colaboradores voluntários de 40 Hospitais, mantém um sistema de avaliação contínua de todos os RN desde há 10 anos, reconhecido de Utilidade Pública pela DGS. Por isso os índices continuam a descer – a taxa de mortalidade dos recém nascidos em 2003 era metade da de 1994.
Não sei se o outro mundo tem acesso ao Expresso; o Torrado devia gostar de saber. Vou dizer-lhe.

2.7.05

 
Homenagem

A bela adormecida
Encontra-se o motivo e espera-se o momento -- a luz, o enquadramento, a figura que falta, o pormenor a suprimir. Então dispara-se, procurando captar o instante magnífico.
Este ficará retido e só se revelará plenamente quando alguem se der conta da sua beleza e do seu significado; melhor ainda se descobrir algo que passou despercebido naquele "instante decisivo" ("Blow-up").
Também a fada-má esperou que a princesa atingisse o auge da beleza para a "encantar"; ali ficou adormecida até que alguem especial (um príncipe) reparou no que ninguém notara e lhe devolveu a vida.


Henri Cartier-Bresson na RTP 2; o Mestre. Depois, Carlos V entrou em Roma.
É perigoso falar com os génios; em regra decepcionam. Não foi o caso com este velho fantástico.

 

Basta gastar menos 2% de cada produto para evitar as repercussões do aumento do IVA e ainda poupar algum.

 
respigos

1. Long live aids ?
Vinte anos depois do Live Aid, a fome em África não desapareceu pelo que hoje há outros dez megaconcertos (Live 8).


2. "Todo o país parece estar zangado ...”. Nuno Rogeiro
Jorge Sampaio tem sido um exemplar representante dos sentimentos dos portugueses.

 
respigos

Artur Costa (juiz conselheiro). Direitos sacrossantos.
Eduardo Lourenço, ... ("O esplendor do caos") ... retratou os tempos conturbados, que são estes de implosão de todos os valores em que julgávamos ... assentar, talvez de uma forma demasiado definitiva, uma ordem mais justa, aquilo que talvez merecesse verdadeiramente o nome de "ordem democrática"... Estão neste caso muitos, senão a maior parte, dos direitos que nos habituámos a considerar como fundamentais ou direitos humanos...
Para mais facilmente quebrarem as resistências com que ainda nos apegamos a eles, arranjaram um adjectivo-anátema "sacrossanto". São os sacrossantos direitos adquiridos. Chamam-lhes "sacrossantos" para os diabolizarem, os novos sacerdotes do ideal da precariedade.

Comentário dum amigo: Direitos sacrosantos ou privilégios adquiridos ?
Há, porém, que saber distinguir, entre os «sacrossantos direitos adquiridos», os «direitos humanos fundamentais» (esses definitivamente adquiridos e. como tal, «consagrados nas constituições e em convenções internacionais») dos meros «privilégios» entretanto adquiridos (nem sempre por boas razões) por um punhado de privilegiados.

Estes «privilégios adquiridos», nem «santos» nem «sacros», haverão de se haver, sempre, como «precariamente adquiridos».


1.7.05

 

Cête. 1999; da torre do mosteiro medieval pendiam duas faixas brancas, solidárias com Timor.
Hoje é o dia da "
acção da faixa branca" contra a pobreza.

 
respigos

O pânico e as medidas
1. Freguesia de Felgueiras em alerta por causa de
surto de salmonela
A água consumida na freguesia é apontada como a principal causa de contágio. Na freguesia de Friande, o ambiente é de algum pânico, mas "as pessoas continuam a beber água dos mesmos sítios”.

2. Portugal encomendou 2,5 milhões de doses de medicamento contra vírus da gripe asiática. Portugal é um dos 26 países que estão a adquiri-lo.
.... há duas a três pandemias por século e "uma delas pode estar próxima"… a próxima pandemia tanto pode ocorrer dentro de "meses como de anos".
... o vírus, como potencial para provocar uma pandemia, "ainda não emergiu como tal" e não é sequer de excluir a hipótese de a "eventual" pandemia vir a ser debelada numa questão de dias.
A OMS anunciou que "não existem provas que sugiram que os casos de infecção humana estão a ocorrer com maior frequência ou que o vírus se está a propagar entre as pessoas" mas vai manter o nível de alerta referente à
gripe asiática.

... face a uma eventual pandemia de gripe, "
a lavagem das mãos" é uma das medidas que nunca deve ser descurada, ter-se-á dito no Fórum Luso-Espanhol, em Coimbra.

Felizmente há quem reabilite medidas simples, baratas, exequíveis na prevenção da gripe asiática e de resultados conhecidos na prevenção da diarreia, das infecções hospitalares e na promoção do asseio.


 
respigos

1. "A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) vai impugnar o despacho do Ministério da Educação que definiu serviços mínimos para a realização de exames nacionais durante a greve de professores da semana passada."
Para a FNE, o ensino não é uma “necessidade social impreterível” .

2. O IVA passou hoje de 19% para 21% e vai começar a reflectir-se nas facturas dos consumidores.
mas o SALÃO ERÓTICO ARRANCA COM AFLUÊNCIA SURPREENDENTE .

3. "Espanha, após a Holanda e a Bélgica, o terceiro país do mundo a reconhecer o
enlace de homossexuais."
E Portugal a deixar-se ultrapassar !

4. Os dois grandes projectos para o século XXI : TGV e aeroporto da Ota.
Em que é que estes projectos de grande velocidade irão contribuir para aumentar o bem estar dos portugueses, em especial dos mais desfavorecidos ? O que se esperaria dum governo socialista.

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