alcatruz
Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt
11.5.05
arqueologia da memória 2Meio século depois de deixar o colégio (de Nun’Álvares, em Tomar, o CNA) trocaram-se velhas fotografias: quase todos de gravata; a maioria dos “bichos” vestia capa e batina. Recordaram-se os sucessos, as paródias, os namoros, os castigos. Não vi quem se queixasse dos castigos justos – e a disciplina era severa e as canadas doíam. Talvez por serem oportunas e, em regra, proporcionadas, não tenham deixado sequelas ... pelo menos entre os que se reúnem; é possível que outros não encontrem razões para recordar.
Recordou-se a feijoada clássica, que foi saudada por muitos -- foi escolhida para a ementa da primeira destas reuniões -- mas detestada por alguns. Curiosamente dois deles confessaram que disso tiraram partido – não tiveram dificuldade com o rancho militar. Lendas que a memória tece.
Quando quatro partilham o quarto, não há segredos. A história tem várias versões; uma conta que teríamos combinado “arranjar namoro” naquele ano. O que é certo é que só um cumpriu; casou com essa cachopa que só agora sabe o que aconteceu e que ele recorda. Naquele tempo era prudente “pedir namoro” por escrito – era a “declaração”. O E. isolava-se a escrever; por fim pediu-nos parecer e lá nos juntámos a retocar a carta. Enquanto a resposta não vinha, “esperávamos” quase tão interessados quanto ele; quando a proposta foi aceite, foi uma festa verdadeiramente partilhada.
Na garraiada, o bicho atacou e todos fugimos; todos menos um que não conseguiu. Ao ver o amigo em apuros, alguns regressaram a ajudá-lo. Esses alguns poderiam não ter sido “nós”. Assim expusemos um espinho que há 50 anos nos ralava. A risada compreensiva não só absolvia essa nossa “cobardia” como outras semelhantes que todos teríamos feito e que também ficariam perdoadas por extrapolação. Absolvida que, para nós, aquelas falhas não prescreviam. Nunca conheci quem tivesse levado porrada.Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigoNunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,Arre, estou farto de semi-deuses!Onde é que há gente no mundo?
Álvaro de Campos. Poema em Linha Recta
Álvaro de Campos queixava-se porque o Fernando Pessoa morreu cedo; se tivesse chegado à nossa idade, teria visto que os amigos se riem agora das porradas que terão levado. Reformados, já estamos numa idade que nos permite olhar o passado com complacência e rirmo-nos do que mascarámos e do que sofremos por não conseguir. Não é cinismo, nem descrença, nem ainda o Nirvana; é sageza.
Recordo um amigo que teria estado prisioneiro dos japoneses, em Timor, durante a Grande Guerra. Recordo as torturas a que ele dizia ter assistido e sofrido. Acontece que parece que só eu me lembro. Não sei se terei sonhado mas, para mim, Timor passou a ter um rosto; e o Japão também.
Para presidente da comissão da festa de fim do curso, elegemos o Domingos Arouca, creio que o único negro do curso, que viria a ser o político influente de Moçambique depois de recusar cargos no regime colonial (via Marcelo Caetano de quem fora aluno e o considerava) e de nunca ter militado em partidos maioritários. Já naquele tempo era um dos mais maduros do curso; a história dele é uma outra Peregrinação em África. Moçambique para nós era o Arouca e o Ceita.
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