alcatruz

Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt

14.7.09

 
SNS, a opinião dos utentes



M. Villaverde Cabral, P. Alcântara da Silva. O Estado da Saúde um Portugal. ICS&MS 2009

Felizmente que os sociólogos vêm analisando a opinião dos utentes do SNS português: 13% consideram que têm de ser completamente revisto -- a mesma percentagem de alemães relativamente ao seu Serviço de saúde; melhor, só os franceses, japoneses, suecos e holandeses.
Mais de metade acha que precisa de grande melhoria, tal como os canadianos, ingleses, suecos e neozelandeses. 30% acham que funciona bem, embora possa melhorar.
Confirmam o que eu procurei demonstrar há anos (O tremendo SNS, o melhor serviço público português. Público 2003)
O SNS... mal gerido pela tutela “...de forma rígida, estática e defensiva face a todas as mudanças” (Sakellarides C. Relatório do DGS, 1999), maltratado pelos médicos, abusado pelos utentes, explorado pelo lucro e crucificado pelos media consegue ser, com os seus enormes defeitos – listas de espera, urgências, ineficiência, desperdício, empirismo, pouca consideração e demasiada incúria -- o melhor serviço público português.
Consertem mas não estraguem.


 
Quatro receitas do Dr. Vasco Moscoso para evitar o contágio

1. Portugal não tem um regime jurídico para conter a pandemia da gripe A. "A lei não permite o internamento compulsivo de um cidadão sem a intervenção prévia de um juiz"; uma situação de emergência não se compadece com a espera por um mandado. PLF, professora de Direito da Saúde na ENSP.
2. O presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública entende que a gripe deveria constar da lista de doenças transmissíveis que originam o afastamento temporário da escola.
3. O presidente da Confederação Nacional dos Pais defendeu o adiamento da abertura do ano escolar até que estejam reunidas todas as condições.

4. Já a Confederação Nacional Independente de Pais manifestou-se contra o adiamento por causa da gripe A, defendendo antes um rastreio nos primeiros dias de aulas. Público 09.07.2009

PGR teme "cerco à liberdade" em nome da segurança. Público 10.07.2009
Ou seja, saber se "a liberdade deve estar sempre em primeiro lugar" e que "isso tem um preço", ou optar por "securatizar" todos os espaços públicos. JMF. Público 10.07.2009.

* Tudo ou todos (tal como nada ou nenhum) são palavras que inquinam qualquer discussão; uma boa pergunta de escolha múltipla nunca usa essas palavras.
Nunca será possível "securatizar" todos os espaços”; a escolha não é entre tudo (internamento compulsivo; comunicação obrigatória, adiamento da abertura do ano escolar ou rastreio nos primeiros dias de aula) ou nada mas a de factores que expôem dados indivíduos ou grupos a um maior risco nas circustâncias concretas que poderão variar com o tempo. Esta escolha é que define uma sensata política de saúde.

A epidemiologia, a Ministra da Saúde e o PGR ajudam a prevenir a propagação do alarmismo vírico.

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... a que chamamos Fama?

Cirurgia alivia sintomas da paralisia cerebral
A cirurgia de tratamento consiste na colocação de uma pequena bomba de infusão de medicamento, implantada por baixo da pele do abdómen, que administra continuamente doses de medicação de forma precisa. Público 14.07.2009

* É isso que diariamente fazem milhares de bombas de insulina. “Cirurgia” notável é o que há anos fazem as enfermeiras de prematuritos que conseguem canalisar veias mais estreitas que as agulhas. Canalisar e mantê-las.

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JOGO DE FORTUNA E AZAR

O Tribunal da Relação de Lisboa considera que a ASAE tem funcionado de forma ilegal, uma vez que é inconstitucional a sua transformação em órgão de polícia criminal, ocorrida em 30 de Julho de 2007.

* Dois anos para dar conta que a tão badalada ASAE é inconstitucional!
Espera-se com preocupação a deliberação da Relação sobre a legalidade da batalha de Diu que, há 500 anos, D. Francisco de Almeida travou sem ouvir a Corte.

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13.7.09

 
Tantos futricas como doutores

52 mil vagas disponíveis nas Universidades e Politécnicos; metade dos recém-nascidos terão vaga.

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se uma imensa Coimbra

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Os responsáveis pelos principais grupos privados comemoram os 30A do SNS 2

Os três maiores grupos – Mello Saúde, Espírito Santo Saúde e Hospitais Privados de Portugal (HPP) da CGD - facturaram 527 milhões de euros em 2008.
Eu esperava que os responsáveis pelos principais grupos privados da saúde que operam em Portugal avaliassem os resultados tanto em termos de lucros das empresas como em termos de ganhos em saúde. Estranhei mas não fiquei surpreendido pela declaração que o DN atribui ao
responsável do grupo HPP: nos últimos 30 anos o SNS trouxe inúmeros ganhos aos cidadãos. Uma das grandes diferenças das últimas décadas foi mesmo o orçamento com esta área: "Há 30 anos, gastava-se 2% do PIB com a saúde e hoje a percentagem subiu para 10%". "Dos gastos totais em saúde em Portugal, "15% é paga aos privados, a que somam cerca de 20% para medicamentos". A despesa inclui ainda as áreas das análises clínicas e laboratoriais, transportes e até a hemodiálise contratada com os privados.

* Avaliar os ganhos que o SNS trouxe os cidadãos em termos de orçamento da Saúde (10% do PIB), do qual "15% é paga aos privados, a que somam cerca de 20% para medicamentos" é, no mínimo, um acto falhado. Tendo a crer que foi o jornal que não teve espaço para referir os ganhos em saúde obtidos.
Ganhos de saúde que é discutível serem proporcionais aos gastos. “Entre 2001 e 2008 assiste-se ao reforço da práctica de duas das principais medidas médicas preventivas. Com efeiro, a esmagadora maioria dos portugueses com mais de 50 anos mediu a sua pressão arterial e o nível de colesterol no último ano (91,2% e 85,4%, respectivamente)” M.Villaverde Cabral, Pedro Alcântara da Silva. O Estado da Saúde um Portugal. ICS&MS 2009
É discutível se essas são “duas das principais medidas médicas preventivas”; para que serve medir a TArt (“no ano passado” (sic) quando a “hipertensão é falsa em 38% dos casos"?
Dosear a colesterolémia quando 1/3 dos portugueses são obesos e não se mexem servirá seguramente para aumentar a conta na farmácia mas é discutível que tal seja proporcional à esperada diminuição do risco.
Pobre povo viciado em drogas e em medo de doenças e que julga evitá-las com análises e com verbas do orçamento – bulas para indulgência perpétua(s).

Um paraíso para os negócios da Saúde; pena ser tão pequeno.

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Os responsáveis dos principais grupos privados comemoram os 30A do SNS

O número de portugueses com acesso aos serviços de saúde privados triplicou nos últimos 30 anos, passando de cerca de 10% para 30% da população portuguesa. Lopes Martins, administrador da José de Mello Saúde. Actualmente, "existirão cerca de 1,5 milhões de portugueses com seguro de saúde, a que se juntam cerca de 1,3 milhões de beneficiários da ADSE e mais 500 mil de outros subsistemas mais pequenos",
Por essa razão, JM Boquinhas, administrador do grupo Hospitais Privados de Portugal (HPP) da CGD calcula "que entre 25% a 30% da população seja cliente potencial do sector privado".
Ou seja, um terço dos portugueses vai aos serviços de saúde particulares, conclui a jornalista.

* Conclusão errada; ¼ a 1/3 dos portugueses é “potencial cliente do sector privado

Factos que os inquéritos mostram:

(M. Villaverde Cabral, Pedro Alcântara da Silva. O Estado da Saúde um Portugal. ICS&MS 2009 )
Consultas – 1/3 recorreu ao privado.
Cirurgia - 7 a 8% diz ter sido operado no privado.

Consultas:

Entre 2001 e 2008 assistiu-se a uma diminuição do recurso a consultas privadas, com mais portugueses a afirmar que não foram a nenhuma no último ano (de 69,2% e, 2008 para 64,6% em 2001). ... acentuou-se o predomínio das consultas de especialidades no sector privado (de 72,0% para 78,9%).
O principal motivo apresentado pelos inquiridos para terem recorrido à consulta privada mais recente no último ano ficou a dever-se à demora para terem nova consulta no Centro de Saúde (25,3%), seguindo-se a falta da especialidade de que necessitavam no hospital público na zona onde habitam (20,8%), o facto de ser mais fácil marcar a consulta (20,5%).


Cirurgia
A percentagem de utentes que recorreram ao sector privado para fazer uma cirurgia manteve-se relativamente estável entre 2001 e 2008, (7 a 8%) declarando a esmagadora maioria dos inquiridos que nunca se submeteu a uma operação fora do SNS (93,1% e 91,6%, respectivamente).
O tempo que teriam de esperar para obter uma cirurgia no sector público é o motivo apontado por perto de metade dos utentes (45,4%) que recorreram a uma clínica ou hospital privado para realizar a sua operação.

“Registe-se a baixa percentagem da população que acede mais frequentemente a cuidados médicos do sistema privado, os quais, não obstante terem sofrido um acréscimo significativo entre os dois anos considerados, não ultrapassam os 1,9% em 2008 (em 2001 era de 0,8%).”

Isto é:
a) todos os que podem recorreram a consultas privadas por “demora de nova consulta no Centro de Saúde ou falta da especialidade de que necessitavam no hospital público na zona onde habitam”.
b) Um terço dos 25 a 30% que podem, recorreram a serviços privados para intervenções cirúrgicas pelo “tempo que teriam de esperar para obter uma cirurgia no sector público”.
c) Uma pequena minoria (1.9%) da população acede mais frequentemente a cuidados médicos do sistema privado.

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12.7.09

 
Vitruvius Mozambicanus, no CCB.

"Nesta exposição, Pancho Guedes (n. 1925, Lisboa) reúne a sua prodigiosa e original produção de desenhos, quadros e esculturas e mostra como estes contribuíram para as formas, as ideias e o espírito das muitas arquitecturas diferentes e pessoais que criou. A sua ligação com África, sobretudo com Moçambique, permitiu que Pancho se libertasse dos constrangimentos mais restritos das ideias habituais sobre a arte."

A não perder: “desenhos, quadros e esculturas e o espírito das muitas arquitecturas”. Sobretudo a depurada arte caligráfica. Muito, muito bom.

 
Testamento vital

Num quadro mínimo de racionalidade, o BPP era em Dezembro um corpo moribundo a reclamar a certidão de óbito. Com o empréstimo, o Governo não só não o trouxe à vida como acabou por criar a camisa-de-forças que agora o torna refém dos desvarios de Rendeiro e seus pares. Manuel Carvalho. Público 12.07.2009

* Os banqueiros e os depositantes deveriam subscrever uma declaração de recusa de medidas de obstinação financeira em caso de morte credível.

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O pião das socas
Nada pior para uma boa causa que um mau argumento

Um universitário que muito admiro, eminente investigador e brilhante comunicador analisou a evolução da investigação médica. “Da intolerância à optimização” era o sub-título premonitório.
Extravasando o período em análise (30A), atribuiu a causa da carência de espírito científico e escassa investigação à Universidade de Coimbra. Não à única Universidade que havia em Portugal e que, desde o Sec XVI, estava em Coimbra; não ao ambiente fechado e intolerante do país nem a quem os monarcas entregaram o poder universitário – os jesuítas da Contra-Reforma– mas à Universidade de Coimbra, retratada num lente em trajes clericais.
Era em Lisboa e a diatribe do brilhante mestre do Porto ecoava nos risos aquiescentes da imensa plateia, que se comprazia no auto-de-fé do bode expiatório de culpas comuns.
Eu era o único professor daquela Universidade, razão de sobra para me sentir no direito de não tolerar que alguém critique mais que eu a minha Universidade; como a família fora de casa ou Portugal no estrangeiro.
Mas a cerimónia não previa discussão tal como as criticadas aulas magistrais; curiosamente não era essa a única vez que neste evento se perpetuaram os erros do passado que tão justamente se verberavam e tão mal alvejavam.
Criticavam-se os “lentes” por se limitarem a repetir a opinião dos antigos usando uma linguagem cifrada, só acessível a iniciados. Mas o mesmo acontecia com a maioria dos diapositivos projectados, ilegíveis e pessimamente preparados. E que também traduziam poucos factos e muitas opiniões; a única diferença era que os antigos lentes comentavam a opinião de consagrados mestres e agora se referiam as opiniões de amostras de cidadãos colhidas por inquéritos formatados. A discussão do tratamento estatístico dos dados é o equivalente actual dos velhos comentários ao Colóquio dos Simples. O número a substituir a competência.
Outra crítica severa era a endogamia – um vício em que também a Universidade portuguesa reflectia a sociedade dominante. Não foi a Universidade que expulsou os judeus que se não converteram. Os médicos portugueses licenciados nas Universidades estrangeiras eram preteridos aos da Universidade de Coimbra; os efeitos nefastos eram óbvios mas a lei que o impunha era uma lei nacional.
Após o 25 de Abril regressaram três pediatras que na Suíça tinham atingido lugares de relevo em hospitais universitários; tinham sido licenciados por Lisboa, Bruxelas e Lausanne. Dois foram aceites pela Universidade de Coimbra onde os seus títulos médicos e universitários suíços foram aceites; outro ficou no Porto mas na condição de interno...

Quando jogava o pião, todos tínhamos um de reserva, para receber a pena da derrota; era o pião das socas. Continuávamos a jogar com o outro como se nunca tivéssemos perdido; o meu amigo saiu no intervalo, pelo que não pude ajustar contas com ele.

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11.7.09

 
Esperança demográfica

Veja-se uma biografia típica de aparelho partidário. Nascimento num meio rural … JPP. Público 11.07.2009.

*José Pacheco Pereira é um aristocrata, cronista desencantado do actual regime partidário onde enxameiam arrivistas mal-nascidos. Mas a biografia-padrão dos patos-bravos que descreve contém sinais positivos - a rápida desaparição do meio rural acabará com a praga; o meio-rural será rapidamente substituído pelo meio-urbano.
Felizmente que as direcções-gerais continuarão nas mãos seguras do antigo regime.

PS. ... cujas famílias há muito deixaram os seus palacetes no meio rural, agora restaurados a pretexto de "Turismo de habitação" com financiamentos de conveniência.

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Sociobiologia atrevida

The hygiene hypothesis posits that the reduced exposure of inhabitants of modern industrialized societies to microbes and macropathogens (such as parasitic worms) has increased susceptibility to inflammatory conditions such as allergies and autoimmune disease.
... Hence, pathogen-influenced evolution is a double-edged sword: The same bugs that helped us to develop an immune response to a wide array of pathogens also may have contributed to the appearance of debilitating inflammatory diseases. Kristen L. Mueller

Os economistas são uns sortudos. Como a economia não é uma ciência exacta e as expectativas dependem de pressupostos, podem arriscar números à vontade que ninguém os contesta: se falharem, o falhanço não é deles mas de uma qualquer variável que borregou. Beneficiam ainda dos chamados paradoxos da economia: perante um problema, que apela a determinado instrumento, a sua aplicação pode ter um efeito ou o seu contrário. Daniel Amaral

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A receita é a economia

Na Saúde (e na Educação), "uma parte substancial dos portugueses" deveria assumir os custos actualmente suportados por todos nós, ou seja, pelo Estado. Daniel Bessa
Um estudo do Instituto Francisco Sá Carneiro que poderá ser usado no programa eleitoral do PSD aponta para a necessidade de garantir a sustentabilidade do SNS através de uma "correspondência entre os custos dos cuidados e os rendimentos dos cidadãos". Público 10.07.2009.
O director geral de Saúde diz que já seriam precisos dois IRS´s para financiar o SNS.

* Não é necessário ser economista para resolver o défice aumentando a receita; se até o Tribunal de Contas dá conta que o desperdício do SNS actual é da ordem dos 25% (tal como acontece com nos USA e uma boa parte dos cuidados (25%) são supérfluos ou de eficácia marginal , parece sensato começar por aqui; com isto pouparíamos um IRS sem comprometer os resultados nem sobrecarregar os contribuintes.
A cerimónia dos 30A do SNS foi entremeada pela jornalista Cláudia Borges, "responsável pelo primeiro programa de televisão que revelou o lado mais íntimo da saúde e da Medicina em Portugal" que introduziu o tema atribuindo os sucessos do SNS aos "avanços da tecnologia"... -- 50% mal empregada, 25% inoportuna e 25% mal interpretada e que custa 200% do seu valor.

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D. Afonso Peres de Trava, 1.º rei de Portugal

1. O Tribunal Constitucional - reconhecendo que o direito do filho ao apuramento da paternidade biológica é uma dimensão do “direito fundamental à identidade pessoal” - declarou inconstitucional a norma do C. Civil que fixava, para a correspondente acção investigatória, o prazo de dois anos após a maioridade do investigante.
2. Tratando-se de estabelecer a paternidade, o direito de cada um de saber de onde e de quem se vem (arts. 25ºe 26º da Constituição) não seria devidamente acautelado se a acção que a reivindica estivesse sujeita a prazos.
3. O Supremo Tribunal de Justiça, em decisão recente, considerou esta doutrina aplicável às acções de impugnação da paternidade e daí que também fosse inconstitucional o prazo para tanto fixado no Código Civil, enquanto limitativo da possibilidade de o presumido pai impugnar, a todo o tempo, uma paternidade decorrente, por presunção legal, do seu casamento com a mãe do suposto filho.

Com a «identidade pessoal» erigida em «direito fundamental», a Constituição está a tornar-se a cartilha dos nostálgicos de Maio/68: «É proibido proibir».
Depois de o TC ter inconstitucionalizado o curto prazo legal de investigação de paternidade, o Supremo (mais papista ainda) inconstitucionalizou todo e qualquer prazo (!) de investigação de paternidade e agora, também, de impugnação de paternidade.
A um passo estará a inconstitucionalização da presunção de paternidade do marido da mãe.
Todo o mundo terá direito - a todo o tempo - a saber qual a sua proveniência biológica. Os irmãos vão ficar a saber que não são irmãos. Os filhos saberão das cabeçadas da mãe. O filho-família ficará ciente de que não é filho do barão mas do cocheiro. E o genealogista curioso – consultando a base de dados do ADN – acabará por se identificar mais com o amável abade que com o severo papá. Descobrir-se-á também, eventualmente, que Afonso I não é «Henriques» mas «Peres de Trava»...

Será que não se enxergam as consequências deste fundamentalismo biológico?
JA

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10.7.09

 
Excesso

É tão mau vestir a pele de novos velhos do Restelo a vociferar contra um mínimo de ousadia como assumir uma pose fanfarrona. Manuel Carvalho. Público 09.07.2009

«Mas um velho, de aspeito venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
Cum saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:

"Ó glória de mandar, ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!


O velho não vociferou nem o que estava em causa era um mínimo de ousadia.

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Greve de fome

Outra epidemia por uma boa razão.

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Alarmismo
"o efeito dos media"

Hoje mesmo parte para os Açores - uma das zonas atingidas pela gripe A.... Público 9.07.2009

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SNS 2001-2008

M. Villaverde Cabral e P. Alcântara da Silva, sociólogos do Instituto de Ciências Sociais da UNL resumiram os resultados do estudo O Estado da Saúde em Portugal - Acesso, Avaliação e Atitudes da População Portuguesa.
A utilização do SNS em 2008 aumentou cerca de 20% em comparação com 2001 (de 84,8 para 89,9 %); apesar da percepção global sobre o SNS ser mais negativa, a verdade é que em cada um dos diferentes parâmetros de avaliação (acesso aos cuidados de saúde, tempos de espera ou atendimento), a apreciação é agora mais positiva do que antes!
A contradição entre a apreciação geral mais negativa e as mais positivas quando considerados cada um dos itens em avaliação, tem a ver com "o efeito dos media". "Isso prende-se com o facto de ser noticiado sobretudo o que não corre bem, o que dá uma imagem negativa do sistema". "Mas o que é interessante é que os inquiridos que tendem a avaliar mais positivamente o SNS são os que realmente o utilizam".

Na realidade 13% dos portugueses dizem estar descontentes com o SNS, um valor semelhante ao dos alemães.
Mas os portugueses estão mais satisfeitos com os seus serviços de saúde que britânicos ou australianos e quase tanto como os suecos.

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SNS 30A

Grande auditório do CCB quase cheio para festejar o 30º aniversário do SNS; tudo o que tem poder no MS lá estava e muitos VIP. Poucos dos antigos e alguns de fugida. Nenhuma figura do PSD; ex-ministros, só Maria de Belém e Luis Barbosa. O ex-Presidente Sampaio, filho de um precursor do SNS, Arnaldo Sampaio e o ex-secretário de Estado Albino Aroso. António Arnaut chegou mais tarde.
À chegada, a ministra da Saúde foi insolentemente metralhada pelos fotógrafos; muito longos minutos de suplício que tolerou com exemplar fleuma.
Goya não estava lá.
A oração de sapiência coube a António Barreto. Magistral.
Agradeceu o convite e confessou: “quando desliguei o telefone, pensei – Até que enfim me convidam para dizer bem de alguma coisa!” E não se fez rogado.
Classificou o SNS como a «jóia da coroa» da democracia e que foi na saúde uma das áreas em que mais se avançou nos últimos 30 anos.
Para além do elogio genérico António Barreto frisou também os resultados obtidos na mortalidade infantil, que o sociólogo disse mesmo ter sido o «maior triunfo da sociedade portuguesa em 30 anos».
Mas não deixou de lembrar algumas das deficiências: desperdício e desorganização.

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7.7.09

 
Parábola

Uma vespa aflita pica quem a tenta ajudar.

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Supervisão do BdP sancionada pela Comissão de Inquérito da AR

O relatório da Comissão de Inquérito ao caso BPN conclui que o Banco de Portugal "acompanhou e exerceu a supervisão sobre o BPN de forma estreita e contínua" mas admite que poderia ter havido "uma acção mais incisiva e mais diligente do BdP". Mas a tímida crítica aqui implícita à acção de Vítor Constâncio faz a oposição votar contra e apresentação de conclusões alternativas.

a) Da leitura do relatório pode concluir-se que a supervisão do BdP foi estreita (“escassa” ou “exacta, rigorosa”) mas que poderia ter havido "uma acção mais diligente." (“zelosa”)
b) Assim, a redacção permite que o desempenho do BdP seja sancionado (“dar sanção a” ou “aprovar; ratificar”) tanto pelo por uns como por outros; é a consequência da versatilidade da língua portuguesa.
c) A oposição exagera na alegada timidez do relatório: concluir que “a supervisão do BdP poderia ter sido mais zelosa” é uma censura severa. Censura o BdP; censura-o e coloca-o ao mesmo nível de todas as entidades internas e externas de auditoria, portuguesas, europeias e americanas, pelo menos.

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6.7.09

 
Alfabeto sanitário

SPA (Salut Per Aqua) , SPB (Salut Per Bugigangas)
A medicalização/farmacolização é a consequência de uma estreita perspectiva bio-médica da saúde; ao ver “doença” em toda o sintoma, tende a desresponsabilizar tanto a sociedade como toda a gente, para benefício tanto da absurda sociedade de consumo que mantém os queixosos drogados (pacientes) como de quem sabe aproveitar o filão da tecnologia de nicas, das drogas da felicidade e da receita para a saúde, subsidiadas como as SPAs, com o beneplácito de sociedades científicas.

Hipertensão é falsa em 38% dos diagnosticados"
O problema é que o Serviço Nacional de Saúde não tem destes aparelhos...

Bio de vices
T-shirt que faz electrocardiogramas vai passar a ser um produto médico e comparticipado. Chama-se Vital Jacket, da empresa Biodevices, SA. Público 06.07.2009
*Assim, a responsabilidadede tudo recai no SNS que, consequentemente, deve...

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Sondagens, inquéritos e intenções

Mas será que as sondagens pré-eleitorais falharam? Ou a questão é que são confundidas com previsões? Uma sondagem pré-eleitoral tem como objectivo conhecer a intenção de voto dos eleitores (... e não votantes) num determinado momento. As previsões têm como objectivo estimar, num determinado momento, o resultado final que se irá observar. António Gomes. Presidente da Associação Portuguesa de Empresas de Estudos de Mercado e Opinião. Expresso 4-7-2009

* Para que nos serve “conhecer a intenção de voto dos eleitores (... e não votantes) num determinado momento” se os responsáveis não as descodificam nem as interpretam?
Afinal, o que nos dão é lama para amostra; será assim que servem os outros “Estudos de Mercado” a quem lhos encomenda?

.. tonto é esperar que a resposta a uma pergunta espelhe de alguma forma "os valores" dos inquiridos.
Numa altura em que tanto se coloca em dúvida a qualidade e fiabilidade das sondagens, anotar a forma como os valores dos inquiridores moldam os resultados de um inquérito sobre valores não é descobrir a pólvora
.
F. Câncio

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A Lisboa, consentido
.


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