alcatruz

Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt

6.12.16

 

A entrevista


Os jornalistas confundiram o primeiro-ministro com o primeiro-ministro das finanças.
Quando o pm não diz o que se queria que dissesse, diz o jornalista por ele em jeito de acusação. Acusação que se vira contra ele; não conseguiu a resposta desejada por incompetência ou porque a resposta desejada não existe.
E os jornalistas eram bons; que saudades do Joaquim Letria ou do 60 minutos.

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Acusa ou a causa


CGD: Galamba acusa PSD de “incúria” e “terrorismo político”
Maria Luís acusa Costa de incompetência e de repetir mentiras
* Seria preferível que em vez de acusa procurassem a causa.

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Paredes de vidro


Passos rejeita “falta de transparência” na Caixa. 

* Estaria a pensar nos telhados?

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5.12.16

 

Negócios da China


Católica, Nova e Universidade do Porto entre as melhores da Europa
Financial Times escolheu as melhores escolas de negócios europeias.

* Quem beneficiará dos negócios que lá ensinam que não se vêem resultados que não sejam dívidas e ordenados milionários aos colaboradores, consumo compulsivo e publicidade colaboracionista, colonização ultramarina e offshores?
P.SCatólica Lisbon School of Business & Economics
                  Nova School of Business and Economics
    E não se diga que a Universidade está divorciada da realidade - Um mundo dominado pela lógica financeira que destrói mais do que cria valor. Helena Garrido em Como o capital financeiro conquistou o mundo

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4.12.16

 

Um alívio projectado


Extrema-direita perde eleições na Áustria.
Como não se deve fazer um título. 
O que é estranho nestas eleições é só se falar do derrotado. Então e o vencedor, Alexander Van der Bellen? Rui Tavares

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1.12.16

 

Oiçam, oiçam-nos, oiçam-nus.



Quando eles me contam histórias que nunca contaram a ninguém, percebo que cheguei à tal essência, percebo que fui ao fundo. Quando me contam histórias que nunca contaram a ninguém daquela maneira, pelo menos. Quando deixam de se gabar e se interrogam. Quando fazem uma pausa para eu acabar de lhes anotar as palavras, porque querem que eu registe tudo. Querem que eu escreva tudo, porque esperaram muito tempo por alguém disposto a ouvi-los assim, horas a fio, alguém com todo o tempo do mundo para os ouvir. Talvez seja presunção da minha parte, mas, quando me sento a ouvi-los, sei que antes de mim nunca houve outra pessoa a ouvi-los desta maneira, alguém que não esteve no Ultramar, que não tem outras histórias da guerra para contrapor às deles, só tem ouvidos e papel e uma caneta e tempo, todo o tempo que há, e é esta a minha guerra de África, não devo fidelidade a nenhuma narrativa, somente às impressões que colhi. Percebo que fui ao fundo da história quando os olhos se lhes turvam, mas é uma coisa de escassos segundos, de meio segundo, uma coisa abafada, que só acontece uma vez em cada conversa, uma imagem que lhes perpassa pelo espírito e que os apanha desprevenidos e os sufoca de dor, mas que eles sufocam por sua vez e não permitem que se repita. Percebo que fui ao fundo quando nos olhos deles já não vejo fúria nem vergonha, mesmo ao contarem-me gestos grotescos, coisas obscenas e vis que fizeram ou a que assistiram, quando percebo que eles sublimaram a fúria e a vergonha e me contam os gestos tal e qual os viram, com as cores vivas e sujas do Niassa. E percebo que fui ao fundo da história quando saímos do restaurante ou do café onde entrámos para almoçar e para conversar e vejo que já é noite cerrada, passaram seis ou sete horas. Olho em volta e parece que o lugar se alterou, não reconheço as cercanias, as coisas mudaram  de lugar, aquele muro não estava ali, havia dois cães enroscados a dormir naquele alpendre agora deserto, choveu e está tudo encharcado, há poças de água a brilhar onde antes havia poeira muito fina, o horizonte abriu-se ou fechou-se em torno de mim, dir-se-ia que estive a tombar em queda livre durante imenso tempo, devagar, suavemente, como num sonho, e que, agora que torno a obedecer às leis da gravidade e pouso os pés no chão, dou por mim num lugar novo, completamente diferente. E então, sim, quando me despeço do homem com quem me fui encontrar, aquele homem que te conheceu há já tantos anos, e arranco para Lisboa no escuro da noite, com duas, três, quatro horas de estrada pela frente, sei que fui ao fundo das histórias da guerra de África. Não respondi a nenhuma questão, não resolvi nenhum problema. Fui ao fundo do fundo.
Paulo Faria. Estranha guerra de uso comum. Ítaca 2016
Com autorização da editora
* Um livro excepcional.

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30.11.16

 

Flagrante


Portugal em flagrante
Museu Gulbenkian (Arte Moderna)
Curiosa semelhança: um quadro de Mª Helena Vieira da Silva (Naufrágio 1944) retrata os dos actuais refugiados no Mediterrâneo.
Um quadro de Júlio (Reis Pereira) evoca as figuras de Paula Rego.

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Cronsumo


Crédito ao consumo acelera 19% com ajuda de campanhas agressivas

E mais queria o paraíso
Sem mo ninguém estorvar.
E mais queria ter crédito
sem nunca me endividar.   


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28.11.16

 

Luanda vista por um caluanda



Não perder a magnífica exposição de António Ole na Gulbenkian (Arte Moderna), em especial os que passaram por ou viveram na Angola colonial.
Imagens e instalações do que era e do que foi a descolonização vista por um angolano lúcido e independente. Um sereno depoimento em quadros de um exemplar simbolismo, usando os mais inesperados quanto adequados materiais reciclados.
A série “Hidden pages, stollen bodies” é um tocante conjunto de painéis, qual deles o mais serenamente perturbante.
A Canoa quebrada (On the Margins of the Borderlandsé uma pungente alegoria do naufrágio da descolonização, tal como o dramático quarto da memória do pai e, sobretudo, a capela fúnebre da Escravatura «Mens Momentanea (II)»   
Não há gritos, raiva, revolta, acusação; apenas a demonstração de um teorema que Álvaro de Campos teria apreciado (O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo). Binómio: (Priberam: 
Expressão algébrica composta de dois membros unidos por sinal positivo ou negativo), relação dialética que, por não ter sido equilibrada sensatamente e a tempo, levou a um intrincado nó górdio que, como sempre, os chefes julgam resolver cortando cerce.
O filme que acompanha a exposição é de 1981; a qualidade da imagem é fraca mas a mensagem é arrepiante – a de uma esperança frustrada.

Mas o gigantesco quadro da entrada "Township  Wall"  enquadra e supera o resto tanto na beleza como no significado. 
Inesquecível - o que mais me impressionou nos musseques de Luanda em 1963 ali está estampado, concentrado, liofilizado numa belíssima mas penosa manta de retalhos; só este quadro vale a visita.





Curiosa coincidência - na mesma sala mas numa outra exposição está um quadro de Amadeo (1917) que segue uma estratégia semelhante – A máquina registadora.
As fotografias das paredes em ruína são igualmente sóbrias e chocantes.
É curioso comparar as três fotos de luandenses de 1973 com as fotos de 1976 de outros três luandenses; quatro anos que mudaram a face de Luanda; ou as faces.


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24.11.16

 

Tiro no porta-aviões


Só o conhecia virtual 
da batalha naval; 
agora senti-o ao vivo,
na casa das máquinas.

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