“We live in one of the richest countries. There is a huge obligation on us as a nation to improve child health outcomes and secure the future health of the nation. We are calling on the new PM to ensure children are at the centre of all upcoming policy making.
Camilla
Kingdon, president of the Royal College of Paediatrics and Child Health
https://www.bmj.com/content/379/bmj.o2286.full
Etiquetas: fome, inequidade, obesidade, publicidade
e.realidade virtual
Depois da praia, não basta água para saciar a sede; exige-se sumo com rodela de laranja.
Para saborear, já nem basta uma palhinha de plástico; há que ataviá-la com um berloque colorido
Que os investidores não sintam, os executivos não vejam ou os consumidores ambicionem não surpreende. Mas os publicitários... serão colaboradores criativos ou colaboracionistas embotados?
Dormirão tranquilos?
Etiquetas: colaboracionismo, consumo, publicidade
A leitora, tão cheia de graça, virou a página do jornal doloroso, e procurava noutra coluna, com um sorriso que lhe voltara, claro e sereno.... E, de repente, solta um grito, leva as mãos à cabeça:
– Santo Deus!...
Todos nos erguemos num sobressalto. E ela, no seu espanto e terror, balbuciando:– Foi a Luísa Carneiro, da Bela Vista... Esta manhã! Desmanchou um pé!
Então a sala inteira se alvorotou num tumulto de surpresa e desgosto. (Eça 1907)
Etiquetas: cidadãos, consumo, democracia, eleições, política
Clara Ferreira Alves, 2022
...Quando tanta coisa que parecia sagrada ou eterna se dispersa e dissolve no mar revolto que é o Mundo de hoje, faz bem atentar no valor de uma instituição que não atraiçoa o seu espírito nem se afasta da missão que lhe foi confiada.… quem está diante de mim é o mesmo ser moral que vem afirmando-se desde séculos: quando estuda, quando ensina, quando se manifesta, é escusado perguntar, porque é Coimbra, é a Universidade.
Salazar, 1948
Etiquetas: mito, rainha, tradição, Universidade
Cinco razões para ter (muito) medo de 2023
Estamos em guerra. Energia cara, escassez de matérias-primas, cadeias de produção interrompidas. Estamos em crise. Inflação a bater recordes, juros a subir, crescimento a abrandar e pânico nos mercados.Tudo mau depois de dois anos de pandemia. Mas, se 2022 é
assustador, 2023 poderá ser pior. Há, pelo menos, cinco boas razões para estar
preocupado.
* E toda a gente continua na praia exigindo que o cabo-do-mar os proteja, dado terem direito a lá estar.
E, no mesmo semanário, a publicidade proclama que VOCÊ MERECE.Etiquetas: consumo, economia, publicidade
Mulheres coroadas; todas reais, só uma ri.
Escola de Coimbra, Sec XVI |
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Nefertiti (Sec XIII A,C.) |
Etiquetas: Coroa, mulher, rainha
Etiquetas: morte, publicidade, velório
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PALCO PAZ |
Era miúdo, mal os ouvia mas recordo um que se referia (criticamente, claro) à estratégia comunista - dizia-se "russa".
- Os russos, Paz, Paz, Paz, vêm por aí a baixo....
P.S. Agora os nostálgicos adoptaram o mantra que muitas vezes soa a Gás, Gás, Gás.
Etiquetas: cominista, paz, política
Vem, cuidadosa,
Vem, maternal,
Pé antepé enfermeira antiquíssima, que te sentaste
À cabeceira dos deuses das fés já perdidas,
E que viste nascer Jeová e Júpiter,
E sorriste porque tudo te é falso e inútil.
Vem, Noite silenciosa e extática,
Vem envolver na noite manto branco
O meu coração...
Serenamente como uma brisa na tarde leve,
Tranquilamente com um gesto materno afagando.
Com as estrelas luzindo nas tuas mãos
E a lua máscara misteriosa sobre a tua face.
Todos os sons soam de outra maneira
Quando tu vens.
Quando tu entras baixam todas as vozes,
Ninguém te vê entrar.
Ninguém sabe quando entraste,
Senão de repente, vendo que tudo se recolhe,
Que tudo perde as arestas e as cores,
E que no alto céu ainda claramente azul
Já crescente nítido, ou círculo branco, ou mera luz nova que vem,
A lua começa a ser real.
Pacotão ou pacotinho? Medidas são positivas, mas, mas, mas…
Etiquetas: consumo, miopia., política
As ervas da calçada rejubilam com a chuva da noite; para elas terminou a longa tortura. Nem todas tiveram a mesma sina.
Não é inveja que sinto - é desejo de "poder ser tu, sendo eu!"
Etiquetas: chuva, inveja., torturas. sede
Álvaro de Campos
Vem, dolorosa,
Mater-Dolorosa das Angústias dos Tímidos,
Turris-Eburnea das Tristezas dos Desprezados,
Mão fresca sobre a testa em febre dos humildes.
Sabor de água sobre os lábios secos dos Cansados.
Vem, lá do fundo
Do horizonte lívido,
Vem e arranca-me
Do solo de angústia e de inutilidade
Onde vicejo.
Apanha-me do meu solo, malmequer esquecido,
Folha a folha lê em mim não sei que sina
E desfolha-me para teu agrado,
Para teu agrado silencioso e fresco.
Uma folha de mim lança para o Norte,
Onde estão as cidades de Hoje que eu tanto amei;
Outra folha de mim lança para o Sul,
Onde estão os mares que os Navegadores abriram;
Outra folha minha atira ao Ocidente,
Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o Futuro,
Que eu sem conhecer adoro;
E a outra, as outras, o resto de mim
Atira ao Oriente,
Ao Oriente donde vem tudo, o dia e a fé,
Ao Oriente pomposo e fanático e quente,
Ao Oriente excessivo que eu nunca verei,
Ao Oriente budista, bramânico, sintoísta,
Ao Oriente que tudo o que nós não temos.
Que tudo o que nós não somos,
Ao Oriente onde — quem sabe? — Cristo talvez ainda hoje viva,
Onde Deus talvez exista realmente e mandando tudo...
Álvaro de Campos
Vem soleníssima,
Soleníssima e cheia
De uma oculta vontade de soluçar,
Talvez porque a alma é grande e a vida pequena.
E todos os gestos não saem do nosso corpo
E só alcançamos onde o nosso braço chega,
E só vemos até onde chega o nosso olhar.
Vem, dolorosa,
Mater-Dolorosa das Angústias dos Tímidos,
Turris-Eburnea das Tristezas dos Desprezados,
Mão fresca sobre a testa em febre dos humildes.
Sabor de água sobre os lábios secos dos Cansados.
Álvaro de Campos
Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que vêm ter connosco ao crepúsculo, à janela.
Dos propósitos que nos acariciam
....
Vem, e embala-nos,
Vem e afaga-nos.
Beija-nos silenciosamente na fronte,
Tão levemente na fronte que não saibamos que nos beijam
Senão por uma diferença na alma.
E um vago soluço partindo melodiosamente
Do antiquíssimo de nós
Onde têm raiz todas essas árvores de maravilha
Cujos frutos são os sonhos que afagamos e amamos
Porque os sabemos fora de relação com o que há na vida.
Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio. Noite
Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito.
Vem, vagamente,
Vem, levemente,
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
Ao teu lado, vem
E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas.
Funde num campo teu todos os campos que vejo,
Faze da montanha um bloco só do teu corpo,
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo.
Todas as estradas que a sobem,
Todas as várias árvores que a fazem verde-escuro ao longe.
Todas as casas brancas e com fumo entre as árvores,
E deixa só uma luz e outra luz e mais outra,
Na distância imprecisa e vagamente perturbadora.
Na distância subitamente impossível de percorrer.
O erro de ortografia contagia os susceptíveis como nas epidemias; a publicidade aproveita.
Etiquetas: contágio, publicidade, urros
Cimabue, um dos maiores pintores europeus (Sec XIII), teria visto o jovem Giotto a desenhar uma ovelha e tomou-o como aprendiz.
Foi uma ovelha que o principezinho pediu ao poeta que lhe desenhasse: "S'il vous plaît... dessine-moi un mouton !"
Etiquetas: Petit prince, pintor
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