alcatruz

Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt

1.8.25

 

Senhores, servos e escravos

  “Somos descendentes do escravo e do senhor que o escravizou". Lídia Jorge 

Melhor, seremos descendentes de servos e escravos e dos senhores que deles se serviram. Os que os escravizaram ficaram em África; os negreiros que os  traficaram ficaram por lá; raros por cá.

Em 1620 o padre frei Aleixo Fernandes, baptisou Agostinho, filho de Francisco do Couto, solteiro e de Antónia, escrava de Pedro Álvares de Abreu, foram compadres Frutuoso Carvalho e Domingas Luís todos da quinta e desta freguesia da Madalena.

 Pedro Alvares de Abreu, era Senhor do Morgado e Quinta da Beselga. A família viria a ser tida como  descendente de esclavagistas.

É curioso que os descendentes do Senhor do Morgado e Quinta da Beselga tenham sido acusados de descendentes de esclavagistas; os descendentes de Agostinho não seriam acusados de descendentes de escravos que nem a cor esmaecendo os iria distinguindo.

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27.11.24

 

O Helder Macedo teve um leão bebé em Moçambique...

 Respigos

Esse mundo de infância era mágico e removido. Tudo o que conhecia era acessível. É claro que havia todo o mundo de fora, que eu desconhecia. A pessoa só pode desejar a partir daquilo que conhece. Nesse ambiente, o meu pai era administrador e eu era o filho do rei. Os meus amigos eram os que havia em volta. Se havia implícitas relações hierárquicas, não dava conta.

Os seus amigos eram negros?

Sim. Eu era o branquinho, eles eram os pretinhos. Íamos juntos à escola rudimentar. Devia haver uma discriminação implícita, mas eu não dava por isso. Todo o mundo era natural. Queria um leãozinho, apareceu-me o leãozinho. Mas isso tornou-se retrospetivamente um trauma quando fui para Portugal com 12 anos e conheci as terras ancestrais da família do meu pai: Torre de Moncorvo, onde um tio meu tinha propriedades. Descobri pela primeira vez a pobreza.

Em Trás-os-Montes?

Sim, foi uma revelação. Percebi que já tinha visto isso num contexto que não decifrava. Onde era natural, porque era a pobreza negra. E de repente era a pobreza branca. Foi um trauma que me fez rever esse meu Jardim do Paraíso. Entre várias revelações retrospetivas, entre as cobras que contaminavam esse Jardim do Paraíso, havia a memória desse leão. Para eu ter um leãozinho para brincar tinham tido de matar a mãe. Foi muito traumático. É uma imagem que se mistura com a descoberta da miséria, também em Trás-os-Montes. Sem que fosse claro para mim, deve ter sido uma das bases psicológicas da minha perceção desenvolvida como adulto, envolvido politicamente, de que os mesmos opressores que oprimiam as colónias oprimiam o país. A causa era comum, com diferentes contextos.

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4.10.24

 

O que a gente não conhece, não sente falta

De criança da roça à cozinha do Cícero Bistrot em Paris

A história de vida de Alessandra é extraordinária. ...  memórias da infância na roça, em Poté, Minas Gerais.

 “Era uma vida muito simples, sabe? A gente não tinha luz eléctrica, água corrente também não tinha. Os meus avós tinham uma terrinha, a gente plantava, criava as nossas galinhas, tinha porco. O que a gente não conhece, não sente falta. Eu era feliz naquela vida.”

Quando a mãe, vinda de França, apareceu na roça onde onze anos antes deixara Alessandra, então com oito dias de vida, entregue aos avós, a menina correu a esconder-se. “Mexeu assim com toda a minha vida”, recorda, as lágrimas a formarem-se nos olhos. “O contraste entre eu e a minha mãe foi muito grande. Ela morava em França, estava casada com um francês e foi quando a vi que me dei conta da minha condição de criança da roça, suja de poeira, de pé no chão. Naquele dia, pela primeira vez, senti vergonha de mim.”
 “Ela não me podia levar para França do jeito que eu era. Precisava dar uma moldada.” Mas a experiência foi “um desastre total”. A menina negra, que nunca conheceu o pai e cresceu longe da mãe, viu-se no meio de meninos brancos “muito ricos, que viajavam para a Disney e que os pais vinham buscar de helicóptero para passar o final de semana”.
… esses meninos estranhavam a criança da roça. “Sofri um bullying de uma violência terrível. Eu não tinha ideia de que era uma mulher negra até chegar nesse internato. Não tinha ideia do que era o racismo contra a mulher negra. Descobri com 13 anos. Nossa, porque é que você tem o nariz achatado? Porque é que o seu cabelo é enrolado? Nossa, você está suja, porque é que a sua pele é dessa cor? Ésujeira? O que me salvou, o meu escudo, foi aquela cidadezinha de Poté onde as pessoas nunca me tinham julgado.”


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9.6.22

 

Apologia da cegueira

 Se a palavra “denegrir” é claramente racista e eu nunca fui capaz de ver o que é claro, isso só pode querer dizer que eu sou racista também. Como calculam, foi um choque. ...

 No entanto, de repente ocorreu-me que a expressão “claramente racista” talvez seja racista. 

Ricardo Araújo Pereira

Fecha os olhos de mansinho, / Não os abras para ver.

Que a vida de olhos fechados. / Custa menos a viver.

Fado de Coimbra

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12.5.22

 

Estudos verdes

 

Estudos Negros: alguns apontamentos

Estudos Brancos: alguns apontamentos

Estudos Azuis: alguns apontamentos

Orlando de Carvalho foi professor da Universidade de Coimbra; era católico mas opunha-se à criação de uma Universidade Católica.
O que se impunha era uma Universidade Livre, dizia antes de 1974

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10.11.21

 

Racismo genético assumido

 

“O racismo está no ADN dos países colonizadores”

Siyabulela, bisneto de Mandela, “assume que herdou do ícone…  a mesma vontade de defender os direitos humanos” e também assume que não conhece a realidade portuguesa tão bem quanto conhece o continente africano e a luta contra o racismo, mas isso não significa que esteja fora do seu radar: "Se Portugal foi um colonizador em diferentes partes do continente africano, como em Cabo Verde ou Moçambique, por exemplo, isso significa que o racismo está no ADN do sistema de governação português."

Silogismo genético 

a) “O racismo está no ADN dos países colonizadores”

b) “Se Portugal foi um colonizador…”

c) “… o racismo está no ADN do sistema de governação português."

 

Silogismo banto

Os bantus são provavelmente originários dos Camarões e do sudeste da Nigéria. Por volta de 2 000 a.C., começaram a expandir seu território …, em direção ao sul do continente, …

Enquanto os bosquímanos e hotentotes eram nómades caçadores-colectores e pastores, os bantos eram agricultores sedentários e já conheciam o uso do ferro. Esses avanços permitiram colonizar um amplo território forçando o recuo dos povos nómades. 

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4.7.21

 

Postura simbólica


 Postura gamada sem se dar conta.


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28.6.21

 

Maneirismo XXI

 Num Got talent  Portugal recente, Nádia e Dakota mimam (muito bem) uma cena num bar em Dallas, em 1963. 

Nádia começou a dançar ainda em Portugal, quando tinha 6 anos; teve aulas de dança na Suiça.Nessa escola conhece Simão, com quem dança há 6 anos. Simão nasceu em Luanda e emigrou com a mãe para a Suíça quando tinha 3 anos.

O racismo, a inveja e o ciúme são problemas humanos; uma branca portuguesa e um negro angolano emigrados na Suíça escolhem um guião de uma bela dança uma cena num bar em Dallas, em 1963.

Tal como muitos feitores de opinião portugueses, importam tudo incluindo problemas e sentimentos com a acuidade que tinham há 60 anos numa cidade sulista americana.

 A RTP diz ser “uma dança com um enorme significado”.

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19.5.21

 

Blasfémia LUSA-Hebdo

A Hugo Godinho, jornalista e a José Pedro Santos, editor de Política da Lusa.

Lamento que façam a vida negra a um jornalista por uma designação correcta apenas por poder ser mal interpretada pelo índex p.c. que considera que negra é uma “palavra racista”. 

Lamento que aceitem tornar-vos bodes expiatórios de paranóia p.c.

Nos Lusíadas, encontrei cinco vezes a palavra preta; uma designando um “estranho …, de pele preta” contra quatro vezes na composição da palavra interpreta.

Preto é o nome de muitas famílias portuguesas que o mantêm com orgulho.

Um abraço de solidariedade. 16 maio 2021


P.S.      “O erro da equipa Lusa (falhar a revisão) é censurável mas o que saiu (“que era para ter sido um lembrete privado”) foi um lapso óbvio cujos responsáveis já pediram desculpa desde o presidente da Lusa ao PR, (na véspera da visita à Guiné).

Lapso ou erro que não justifica demissões nem, muito menos, todo o alarme social mediático como se de uma blasfémia a Maomé se tratasse - uma Lusa-Hebdo.”


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24.3.21

 

Tiros e títulos

 





Bairro da Quinta das Lagoas,  em Corroios.

Segundo a PSP, as autoridades foram chamadas ao local devido a um tumulto entre moradores, mas a patrulha terá sido recebida a tiro, pelo que o dispositivo policial foi reforçado de imediato com dezenas de operacionais. 

“Ao chegarem ao local, os polícias depararam-se com suspeitos armados que dispararam contra si, tendo os polícias ripostado, recorrendo igualmente a armas de fogo”





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19.12.20

 

O vídeo de Boas-Festas paralamentar

Era a terceira vez que a Assembleia da República era cercada: durante o PREC, “maioritariamente por trabalhadores da construção civil”, depois por polícias e agora por “dark coronas” .
Os amigos dos deputados mobilizaram-se e conseguiram afastar o perigo; assim já todos podemos fruir a época festiva. O Pai Natal das prendas viria do Norte, branco e frio (- 80º). Os soldados das forças amigas era brancos, os dark coronas eram pretos, claro, que, claro, foram rechaçados para o seu planeta de origem. Os soldados dark eram pretos mas o seu comandante era verde, maneira d'amarelado, mal mascarado de preto. Este foi o postal de Boas-Festas com que a Assembleia da República nos enviou com votos de paz e amizade. https://tvi24.iol.pt/videos/politica/dark-corona-contra-os-amigos-da-assembleia-parlamento-lanca-video-inspirado-no-star-wars/5fdcab3b0cf2ec6e4719a2de

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31.8.20

 

Anti-racismo cáustico

 

Sociobiologia atrevida

O tratamento duma queimadura – por fogo ou por cáusticos – é sempre delicado. Outrora tentava-se tratar uma queimadura por um ácido (pH baixo) com produtos alcalinos (pH alto), segundo o paradigma químico da neutralização. Resultado: à cáustica lesão ácida juntava-se a lesão alcalina – uma dupla lesão.

É o que agora acontece na tentativa de combater o racismo com o anti-racismo.

Sabe-se hoje que, nas queimaduras graves, a água corrente durante 20 minutos diminui a necessidade de enxerto.

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17.8.20

 

Manif antifascista

 O apelo à união para combater o crescimento da extrema-direita em Portugal foi dos mais repetidos pelas dezenas de pessoas que usaram o microfone aberto para exprimir a sua opinião.

1. Nós somos muitos mais dos que aqueles que se manifestaram em frente ao SOS Racismo.

2. “uma vergonha” serem “só estes” na manifestação.

* Quando tantos “antifas” clamam que “Portugal é um país racista” seria de esperar que se não surpreendessem por “só estes” se manifestarem contra “os que se manifestaram em frente ao SOS Racismo.”

Eu explico: muitos que não são racistas e condenam as suas acções recusam misturar-se com quem os insulta.

Outros discordam do valor das manifs, quais procissões laicas com sermões, ladainhas, pendões, promessas e tudo.

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10.7.20

 

Racismo



"Portugal é um país racista"
racismo cultural
como é eVidente.

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23.6.20

 

Portugal é um país racista



Imaginem que não era...
Número de imigrantes em Portugal subiu quase 23%. Já somam 590 mil
Os brasileiros representam um quarto do total, com 151.304 cidadãos residentes. 
A segunda comunidade mais representada é Cabo Verde, com 37.436 residentes, 
seguida do Reino Unido, com 34.358, resultado do “efeito Brexit”.

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17.6.20

 



(Minnesota).LEILA NAVIDI / AP

Guardas velam a estátua derrubada de Colombo por hordas que sem ele não estariam ali.
Liliputianos amarram Gulliver adormecido, julgando tê-lo dominado.

Cegos tentam descrever um elefante. 



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13.6.20

 

... da segunda vez como farsa


Paris com dezenas de milhares nas ruas contra o racismo



Queda das muralhas de Jericó (Antigo Testamento)

O Senhor prometeu a Josué que o ajudaria. Os militantes deveriam rodear a cidade durante seis dias seguidos com sete sacerdotes levando sete trombetas. No sétimo dia deveriam tocar as trombetas: então a multidão gritaria e a cidade se renderia.
Assim foi; mal ouviram as trombetas, a multidão gritou, as muralhas caíram e os vociferantes tomaram posse de tudo que havia nela…

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11.6.20

 

Manif me too


Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
...
Às televisões ensinando e às medinhas
O nome que no cartaz escrito tinhas.


*Em inglês, claro, que é mais barato.

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9.6.20

 

A estátua de má memória


É preciso esconder a estátua.
É preciso que a estátua desapareça para sempre.
É preciso destruir, é preciso enterrar a estátua.
A estátua.

A estátua.
(Treslido de Carlos Queirós)


Em Bristol, Inglaterra, centenas de pessoas participaram, assistiram e celebraram o momento em que a estátua de Edward Colston, comerciante local de escravos do século XVII, foi arrancada, vandalizada e lançada ao mar. 

* Uns tentam apaziguar o remorso por estar a fruir uma herança fruto do negócio negreiro de um seu patrício eventualmente mesmo antepassado.
Outros misturam o mal-estar de terem escolhido ou aceitado gozar idêntico bem-estar na pátria desse esclavagista de seus patrícios ou até antepassados com a terrível suspeita de poderem ser descendentes de fornecedores locais dessa mesma mercadoria.
Deve ser insuportável.
Mas não tolerável.

Também no Sec XVII, a Inquisição mandou exumar o cadáver de Garcia de Orta para um auto-de-fé póstumo.

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8.6.20

 

Um peido colectivo mediático



Não desvalorizarão a manifestação

Tudo serve para tentar desvalorizar as manifestações de sábado, mas aquilo que aconteceu foi um sobressalto cívico como é raro acontecer em Portugal.

Porque o que aconteceu foi orgânico,…. E é por isso que foi tão raro, benigno e verdadeiro. 
O que acontece é que, por vezes, existem acontecimentos que materializam muitos outros que ocorreram ao longo das tripas. As transformações às vezes começam assim, de forma inesperada e no tempo mais imprevisível, correspondendo a um desejo inconsciente que estava lá antes de acontecer, mas que ainda não tinha sido expelido. As grandes mudanças nunca pedem aprovação.
E isso assusta quem não as deseja. É daí que vem o menosprezo. E depois também existe quem fala em mudar, mas apenas segundo um figurino que não permite o inesperado e gases a pulsar lá dentro. Que foi exactamente aquilo que tivemos no sábado. Um desses acontecimentos autênticos que poucos previram, marcado pelo desejo de desabafo, desembucho e exibição. De Me too.

* Faz barulho, contagia mas alivia; o lenço no nariz é para atenuar o mau-cheiro... que o sulfeto repele os vírus mas não os memes.

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