alcatruz

Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt

7.2.26

 

Cheias há 89 anos

PESCADORES DE LARANJAS" E “GONDOLEIROS” LUCRARAM COM AS CHEIAS EM COIMBRA

   Um violento temporal que se abateu sobre a região nos últimos dias de janeiro de 1937, com chuvas torrenciais e constantes ao longo de quase uma semana, causaram prejuízos enormes e deixaram submersa boa parte da zona baixa de Coimbra

Desde o dia 24 desse mês, o jornal foi descrevendo os efeitos do mau tempo, nurn crescendo de intensidade que culminou com a inundação de ruas e de casas, no centro da cidade, pelas águas imparáveis do Mondego.

Na edição de 28, dava-se conta da passagem por Coimbra ao início da tarde da véspera de “um tufão de proporções verdadeiramente assustadoras”“, com o Instinto Geofísico da Universidade a registar “a maior velocidade de vento desde a sua existência – 126 quilómetros à hora. 

A ventania deixou “vidros quebrados árvores tombadas, postes telefónicos partidos e cabos elétricos arrancados”, ocasionando cortes frequentes de energia e paragens forçadas dos eléctricos dos transportes urbanos. A meio da tarde, urna das janelas da Fábrica de Curtumes, na Casa do Sal, “foi arrancada pelo vento caindo sobre o cabo de alta tensão, partindo-o. Na ocasião passava no local uma carroça puxada por um macho, pertencente à firma Manuel da Silva, desta praça, e de que era condutor um criado daquela firma, tendo sido atingido o animal, que morreu fulminado”.

Ao “temporal desabrido seguiu-se uma cheia avantajado. A “vertiginosa corrente” fez o Mondego galgar as margens, “a água invadiu as casas e os moradores tiveram de se refugiar nos andares superiores”.

“Ontem à noite, quase todas as ruas da Baixa se encontravam inundadas. Esteve interrompido o trânsito pelas ruas da Moeda, Direit4, Bordalo Pinheiro, do Corvo, Eduardo Coelho, Rua da Gala e das Padeiras, Rua Adelino Veiga, Romal, Terreiro da Erva etc.”, relatou o repórte4 comparando o que presenciava aos canais venezianos.

Para os “bairros baixos” da cidade e de Santa Clara os temporais faziam “incómodos desagradáveis”, perdendo os seus habitantes (a esperança de tão cedo poderem sair de casa com a facilidade necessária para tratar da vida. “A cheia invadindo os locais onde se encontram as suas habitações, obrigou-os a umas horas um tanto ou quanto penosas com a agravante da inutilização dos seus haveres”, acrescentou

Laranjas "vinham rio abaixo!"

Para sair de casa só de barco “improvisou-se, por tal motivo uma nova e fugaz profissão: a de gondoleiro”, de que se incumbiram “os velhos barqueiros do Mondego. Havia também, no meio da desgraça, quem tirasse lucro daquilo que o rio arrastava dos campos marginais, em particular dos laranjais de Coimbra acima da Ínsua dos Bentos.

“Governaram-se os "pescadores de laranjas". Uma rede na ponta de um pequeno saco para recolha e ei-los, nos pontos de ressaca a retirar da babugem da água revolta as laranjas que vinham rio abaixo!”, observou o Diário de Coimbra

Nas Fábricas Triunfo próximo da Estação Nova a cheia “invadiu a cave onde se encontravam alguns motores que foram retirados por meio de barco” e a fábrica de têxteis da Ideal também na zona ribeirinha “teve de paralisar os trabalhos em consequência da cheia com grande prejuízo para o seu pessoal”.

Mas não só Coimbra sofria as consequências do prolongado mau tempo. “Os prejuízos causados montam já no nosso distrito a alguns milhares de contos. Rara é a localidade que não tenha sofrido os terríveis efeitos do temporal. Por toda a parte se veem casas destelhadas, chaminés derrubadas, postes telegráficos caídos, árvores arrancadas e quebradas, enfiem, uma série de calamidades, que compunge, pelos enormes prejuízos que delas advêm para tudo e para todos”, escreveu o jornal a 30 de janeiro, publicando testemunhos dos seus vários correspondentes na região. “Não há memória de um vendaval tão medonho e tão assustador como o de ontem.

Há paredes derrubadas, prédios destelhados, chaminés tombadas e centenas de árvores arrancadas e partidas, sendo em maior quantidade as oliveiras.

Estamos debaixo de um violento temporal há já cerca de oito dias. A chuva, que tem caído quase sem cessar e torrencialmente, tem provocado inundações dentro da vila. O campo está transformado num autêntico lago”, relatou o de Montemor-o-Velho. 

MS. DC 15 jun 2025

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