alcatruz

Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt

28.11.11

 
Substituir os alcatruzes da nora para ver se chove
1. Eleições
Uma maioria de pessoas detestava o anterior Governo
. Elegeu outro. Mas, neste momento, penso que a maioria das pessoas não estará satisfeita com este. Mas não se trata de uma mudança brusca de opinião. Não estou a dizer que, se houvesse hoje eleições, o povo escolheria o PS. Ou o PCP ou o Bloco. É até possível que reelegesse o PSD+CDS.
2. Sociomedicina atrevida
Os governos dos países em crise económica caem e são substituídos por outros na esperança que a situação melhore. Atribuem-lhes (toda) a responsabilidade (a culpa).
A Grécia irá provavelmente eleger um governo do mesmo tipo do que, há anos, perdeu eleições, responsabilizado pela crise e pelo seu disfarce.
No mundo, o mesmo liberalismo sem freio, responsável pela roleta financeira, é agora chamado a resolver a crise.
Algo semelhante acontecia com os médicos de há dois ou três séculos; a capacidade de intervenção era escassa – a Medicina limitava-se – e já era muito - a ajudar o doente a vencer a doença. Quando o médico o conseguia era um anjo; se o não conseguia era abandonado, desprezado ou castigado.
A história natural das doenças infecciosas tem um perfil conhecido. Após o contágio, os primeiros sinais surgem depois de um período de incubação assintomático; então a doença manifesta-se com toda a sua exuberância que termina com a morte ou a cura. Felizmente a grande maioria dos doentes recupera espontaneamente ou a humanidade não teria sobrevivido; a recuperação ocorre segundo dois padrões clínicos clássicos – ou subitamente (dizia-se “em crise”) ou lentamente (dizia-se “em lise”).
Quando, no auge da doença, o doente ou família perdia a confiança no médico, substituía-o por outro; na grande maioria dos casos este alterava algo da terapia em curso e a melhoria do doente era-lhe atribuída – endeusado no caso de recuperação “em crise”. O médico anterior era vilipendiado por incompetente.
3. Tal é o que acontece na política. As eleições são como que uma catarse da nossa responsabilidade colectiva e os governos são os bodes expiatórios tal como nas religiões; um estratagema que nos mantém tranquilos na espectativa de que a carga magoe menos depois de mudar de ombro.
Por isso, tanto na Medicina clássica como na política, é tão necessária a confiança; se não na eficácia da terapia pelo menos na capacidade de atenuar o sofrimento e na segurança do prognóstico comunicado com franqueza.

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