Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt
Goa, Maio de 15101. O Reino de Goa foi antigamente de Gentios; a principal cabeça deste Reino era a Cidade de Goa que está situada em uma Ilha rodeada toda de esteiros de água salgada e em alguns passos principais desta Ilha tinham torres feitas pera defenderem a passagem aos Mouros da terra firme; e porque o passo de Gondali era tão baixo que de baixa-mar podiam passar a vau, ordenaram que todos aqueles que morressem por justiça, e assim alguns Mouros que fossem tomados na guerra, se lançassem nele pera que os lagartos, que há naqueles esteiros, viessem ali buscar esta carniça, os quais eram tantos e tão acostumados acudirem a este cevo que os Mouros por esta causa não ousavam de passar o vau; e com este artifício e com as mais torres que tinham derredor da ilha, viveram muitos anos sem os Mouros poderem entrar com eles.
E quando Afonso de Albuquerque ganhou Goa, haveria quarenta anos pouco mais ou menos que o Mouro Çabaio a tinha ganhado aos gentios.
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2. ... e chegando (Afonso de Albuquerque) à Cidade e por não acharem nenhuma resistência foram até ao Castelo onde o estavam esperando os Mouros principais da Cidade e Governadores dela; e lançados aos seus pés lhe entregaram as chaves da fortaleza e pediram-lhe muito por mercê que lhes guardasse o seguro que lhes tinha dado.
Os Gentios que estavam dentro vieram-se a ele com suas cortesias, como é seu costume, e disseram-lhe que eles queriam ser vassalos d’el Rei de Portugal e estar à sua obediência; e ele os recebeu com muito amor e gasalhado, e mandou apregoar sob pena de morte que nenhuma pessoa tocasse em nenhuma coisa dos Mouros e Gentios que estavam em Goa mas que os tratassem como vassalos d’el Rei de Portugal seu Senhor.
3. Os Gentios da terra como viram a nossa Armada, pelo grande ódio que tinham aos Turcos, alevantáram-se todos contra eles, os quais atemorizados da nossa gente deixaram a fortaleza e fugiram pelo sertão dentro, de modo que quando D. António de Noronha chegou estavam já os Gentios em posse dela...
4. .. foi-se Timoja ao grande Afonso de Albuquerque com esses principais e honrados da terra, assim Mouros como Gentios, e disseram-lhe que pera as coisas de Goa estarem na ordem e costume antigo em que sempre estiveram era necessário saberem todos a maneira que haviam de ter no pagar dos direitos; porque depois que o Çabaio fora senhor do Reino de Goa, lhos dobrara, de que todos eram muito escandalizados e por essa causa se foram muitos Gentios viver a diversas partes; e que estavam receosos que por esse costume em que os Sua Senhoria achava, os obrigasse a pagarem esses direitos, que lhe pediam por mercê quisesse assentar isto de maneira que o povo pudesse viver e pagar; porque razão seria, pois eram vassalos de um tão grande Rei, como era El-rei de Portugal, terem alguma liberdade mais da que tinham, vivendo debaixo do poder do Çabaio, que era tirano e mau.
Afonso Albuquerque lhes respondeu que sua vinda a Goa não era pera usar com eles das tiranias do Hidalcão, senão pera os favorecer e honrar e dar-lhes largueza de vida, querendo eles ser verdadeiros e leais vassalos d’el-rei de Portugal, seu Senhor; e se eles queriam estar em esta obediência que ele lhes quitaria em nome d’el-rei os direitos que lhe o Çabaio novamente tinha posto e que pagariam somente o que pagavam aos senhores do Reino de Goa, sendo de Gentios, e que esta quita seria em quanto eles estivessem à obediência d’el-rei de Portugal e de seus Governadores da Índia.
Comentários de Afonso Dalboquerque.
Conforme a 2ª edição de 1576 INCM 1973
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