alcatruz

Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt

25.2.10

 
A catástrofe do jornalismo vista do Pico das Pedras

Ao princípio os cumes das serras estavam cobertos de grandes árvores; quando chovia nem toda a água chegava ao chão; de folha em folha, só passava à seguinte depois de passar pela prova da de cima. Só lá chegavam as que passavam pelo crivo, um cuidado processo de depuração.
Com o tempo as árvores maiores morreram ou foram abatidas para prateleiras.
Sem o efeito do filtro e a consequente aprendizagem, agora qualquer chuvada encharca o solo e escorre pela encosta, sem obedecer a outra lei que a da gravidade bruta. Por isso, para estas águas turvas todas as outras leis são vistas como atentados à liberdade de obedecer à única lei que reconhecem – a da gravidade; todos os obstáculos são considerados abusivos mesmo os que pretendem conciliar as forças da natureza com as necessidades das pessoas. Não consideram outros valores que o da liberdade, a sua mais que todas já que se vêem como seu espelho.

Enquanto choveu pouco, este risco passou despercebido; quando choveu muito deu-se o desastre: "De repente, tudo escureceu. Cordas de água desabaram sobre toda a paisagem que desaparecia rapidamente à nossa volta...
"As três ribeiras pareciam agora três grandes rios, monstruosamente caudalosos e arrasadores. A ribeira de Santa Luzia ... galgou para um e outro lado em ondas alterosas vermelho-acastanhadas, arrasando todos os quarteirões..."
"Toda a velha Baixa tinha desaparecido debaixo de uma torrente de lama, pedras e detritos de toda a ordem. Recordo-me de ver três ilhas no meio daquele turbilhão imenso: o Palácio de S. Lourenço, a torre da Sé e a fortaleza de S. Tiago
.”
Nas enxurradas, as ribeiras transbordam os seus leitos naturais, arrastando calhaus enormes, levando tudo à sua frente, inundando todo o espaço livre. Todas as infra-estruturas da cidade ficaram destruídas; a rede de distribuição da água mais que todas, como que querendo vingar-se da sua sociabilização.

O que acontece com o meio líquido, acontece com os media quando tomam o freio nos dentes como os jornalistas na Comissão de Ética da Assembleia da República, arvorando a bandeira da Liberdade como na alegoria de Delacroix mas sem igualdade nem fraternidade. Ou o capital especulador na Bolsas.
A órbita dos astros e a dos electrões são a resultante do jogo de forças divergentes; a tentativa de domínio fudamentalista de qualquer delas – religião, ideologia, lucro, poder, liberdade – leva ao desastre.

É possível que a imagem não seja muito clara mas também não o é a da enxurrada e a que os media dão da realidade; talvez não seja muito lógica a concatenação de eventos mas é difícil encontrar a lógica da catástrofe, no aluvião de diz-que-disse das escutas para quem não domina a geometria fractal.

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