Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt
Os hospitais são lugares perigososExpresso 25.07.2009
1. Sair do hospital pior do que entrou não é raro (legenda da figura da 1ª página)
2. Nos hospitais, há quem acabe por ficar bem pior do que entrou. E sem que a doença tenha contribuído para isso. Dois estão cegos dos dois olhos.
3. Segundo estimativas internacionais, em cada 100 internamentos, dez têm complicações "por um qualquer erro, com dano para os doentes". Luís Campos, presidente do grupo que elaborou o documento, ressalva que só 0,5% de todas as complicações resultam em "danos significativos para os doentes". Ainda assim, só em Portugal serão, em média, 17 casos graves por dia, tendo em conta que são diariamente internadas 3400 pessoas.
4. Nos atribulados corredores das urgências ou no recato dos quartos, todos os dias ... quatro doentes caem da maca ou da cama onde estão deitados.
* 1. “Sair pior do que entrou não é raro” !?
2. Cegos será a palavra correcta para descrever um "risco de cegueira"? Poderá dizer-se que a doença não tenha contribuído para isso - a retinopatia diabética “não terá contribuído” para essa evolução?
3. Se em cada 100 internamentos, dez tiver complicações e se 0,5% de todas as complicações resultam em "danos significativos para os doentes", o valor em Portugal será de 1,7 casos graves por dia (e não 17, como escrevem). A matemática é um lugar perigoso.
Um erro destes poderá causar "danos significativos” nos leitores.
4. De um semanário, esperar-se-ia uma análise mais fundamentada dos dados; que estes fossem contrastados com a taxa de acidentes que diariamente acontece a portugueses em sua casa, para não falar na estrada:
-Quatro pessoas morrem diariamente em Portugal vítimas de acidentes domésticos e de lazer, que obrigam ao tratamento hospitalar de 1.665 portugueses por dia, segundo um estudo promovido pela União Europeia . (6.1%).
Portugal regista «apenas» 14 mortos por cada cem mil habitantes, muito longe da média dos 27 Estados-membros (22 mortos).
- Em 1999 registaram-se 75 acidentes domésticos ou de lazer por cada mil habitantes, (7.5%) dos quais 3.1% ficaram internados. (2.3%o) (Fonte: Instituto do Consumidor)
- Recentemente foi publicado um estudo sobre a avaliação que os utentes fazem dos hospitais onde estiveram internados (M. Villaverde Cabral, P. Alcântara da Silva. O Estado da Saúde um Portugal. Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. 2009); não seria de esperar que as jornalistas tivessem cotejado tão preocupantes cenários com avaliações concretas de situações vividas?
Era contra este pano de fundo que esperava que os jornalistas do Expresso discutissem os dados que expõem numa estreita "visão tubular"; felizmente que o editorial tampona um pouco o travo amargo desta redacção mas não chega para atenuar o impacto do título: Os Hospitais são lugares perigosos.
Os hospitais e os tribunais; os ministérios e os jornais e as televisões; as escolas e as estradas; as nossas casas e os comboios; as praias e as serras; a vida é perigosa, só os cemitérios não. Etiquetas: jornais saúde matemática