alcatruz

Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt

27.11.07

 
Portugal em 1811-14 visto por uma jovem inglesa

Os conventos
Frequentemente passávamos o serão no Convento de S. Bento. As freiras tinham inclinação para a música e eram muito sociáveis. Uma ou duas delas cantavam lindamente e acompanhavam-se à guitarra. O estribilho de todas as suas "Modinhas" era o "Amor" e, em geral, as suas maneiras não repeliam deliberadamente a familiaridade ou o atrevimento por parte dos seus convidados militares.

Ao entrar em Braga chamou-me a atenção a atmosfera sombria. As ruas estreitas e mal pavimentadas estavam apinhadas de padres e frades, que constituem pelo menos um décimo da população.

Fomos convidados para almoçar com os monges do Convento de Bustelo e, apesar de hereges, fomos bem e calorosamente acolhidos no espaço onde Dª Archangela, apesar de ser uma boa cató­lica, não podia ter acesso. O Superior do Convento fez as honras da mesa do almoço, enquanto quinze ou vinte jovens frades bem parecidos e atrevidos estavam de pé atrás das nossas cadeiras, rindo-se com vontade com o espec­táculo invulgar de ver elementos do sexo feminino nos aposentos do próprio Superior.

Uma delegação de monges recebeu-nos na praia e guiou-nos para os por­tões do convento (Alpenduradas no Douro), onde o Abade e o ex-Geral aguardavam para nos receber. Como era contra a disciplina conventual uma senhora ter livre acesso às ins­talações dos monges, ficou combinado com o Superior que, se as senhoras peremptoriamente forçassem os portões, não havia nada a fazer a não ser submeter-se à invasão. O Abade disse então que ele não podia permitir que nenhum dos monges abrisse a porta, mas todos se colocariam fora do cami­nho, deixando-nos efectuar a nossa entrada se o conseguíssemos. Isto foi fácil, pois a porta não estava trancada, e não havia barreira que impedisse o nosso progresso até ao refeitório, onde um jantar magnífico com sete pratos tinha sido preparado para os nossos apetites sacrílegos.
À noite, fomos con­duzidos pelos monges a uma pequena casa de campo muito bem decorada (às custas dos tecidos da Igreja) e que tinha sido arranjada para passarmos a noite. Na manhã seguinte o Superior acompanhou-nos até ao Convento para sermos recebidos pelo ex-Geral. Era um monge venerável de oitenta e seis anos, muito querido pela comunidade, muito instruído em história e um excelente conversador.

Antes de partirmos de Aveiro, o velho General Agostinho Luiz levou-nos a um convento de freiras jesuítas que nos receberam com uma dupla quantidade de palavras doces e bolos doces. O chão da sala de estar estava coberto com um belo tapete turco, e havia uma aparência de riqueza e mesmo luxo que raramente se vê nos conventos, embora não possa afirmar que não existe. Aqui, como em Santa Clara, ouviram-se objecções ruidosas e divertidas por admitirem os hereges ingleses, mas terminaram, como sempre, conduzindo-nos ao convento e, como era costume, eu fui quase asfixiada pelos abraços afectuosos das irmãs.

No fim de tarde seguinte bebemos chá em outro convento, onde ouvimos uma jovem cantar e acompanhar-se à guitarra com um grau de imodéstia que não inspirava muito respeito pela educação do convento.

Os frades da Arrábida muito mais escrupulosos que os seus irmãos do Norte. Recusaram terminantemente receber-nos, mas o Superior deu-me um ramo de uma laranjeira que os monges acreditavam possuir algum poder milagroso por ter sido aí plantada por S. Pedro de Alcântara.
O pátio estava cheio de mendigos a quem os monges distribuíam sopa em abundância.

A praia
"Cerca de uma centena de tendas ou barracas formadas por quatro peças quadradas de pano são colocadas na praia e ocupadas indiscriminadamente por senhoras ou cavalheiros, que depois de mudar de roupa e pôr o fato de banho de tecido espesso de algodão azul são conduzidos à água - por homens e mulheres - e por vezes trocam saudações e cumprimentos mesmo quando se encontram dentro de água a banhar-se!!"

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