alcatruz
Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt
13.6.07
O contratoFui emigrante na Holanda. É pior do que imaginava. Céu Neves
Jovens portugueses insatisfeitos com a sua vida sentem-se compelidos a emigrar. Patrões holandeses subcontratam empresas para os levar; anúncios e sms, entrevistas, promessas, contratos. A viagem e a instalação, a cargo dos patrões, serão descontadas nos salários.
Chegados lá, sem falar a língua, ficam nas mãos dos intermediários, máfias de ex-escravos, alforriados pela aptidão a sobreviver nesse clima. Muitos seriam turcos. (Cabeça de turco? Testa de ferro ou bode expiatório?)
“Assinamos um contrato que não fazemos a mínima ideia do que diz. Está em holandês e não nos dão uma cópia. Dizem-nos que é igual ao que assinámos em Portugal, cinco cópias intituladas "Condições gerais". Basta comparar o tamanho das frases e os números indicados para perceber que não é a mesma coisa.”
As necessidades do trabalho (da natureza e do mercado) comandam a vida dos emigrantes, agora escravos – ou não há que fazer (e não recebem) ou não podem parar: “numa estufa de flores com um calor insuportável, estar sempre a ouvir snel, snel (rápido), não poder descansar ou ir à casa de banho fora das pausas e ter um chefe com os olhos fixos no que fazemos.” Os recalcitrantes só trabalham quando é indispensável.
Pagam-lhes quando calha; vivem em instalações miseráveis -- em regime de “cama quente”.
Era o que acontecia em Angola; lá os patrões eram os primos dos avós destes emigrantes.
Lá, os bailundos também se sentiam compelidos; eram compelidos a trabalhar dois anos nas roças de café, para os habituar a trabalhar, “que eram naturalmente preguiçosos” (arbeit macht frei) – era “o contrato”.
Também eram levados para muito longe da sua terra e não sabiam a língua, nem podiam ler o que constava no papel do contrato e não podiam reclamar; também era o patrão que assegurava o transporte e a instalação nas roças onde o ritmo da cultura e da ambição também comandava o do trabalho.
Abasteciam-se nas cantinas da fazenda do patrão a preços arbitrários. No fim do contrato haveria encontro de contas; descontadas as dívidas da cantina sobrava pouco. Por vezes nem chegava e eram obrigados a prolongar o contrato.
Também lá os testas de ferro não eram só metropolitanos; muitos chefes de posto eram cabo-verdianos.
A chegada do exército colonial foi um alívio: “Quibeca, sobeta do povo Quingungo--"Agora que já está tropa e é bom, já vai melhor; mas primeiro era ruim tempo. O chefe de posto costumava mandar apanhar cabras e galinhas pelos cipaios e quando o dono ia no posto pedir dinheiro pagava 15$00 por cabra e 2$50 por galinha. Se o dono recusava preço então toca de levar porrada no focinho e puta que pariu todos os chefes de posto. Quingena, sobeta do povo Lemba, estando presente declarou que "o maneira porque falou o outro é mesmo igual", e as mulheres disseram que "também era igual maneira".
Um médico do exército contou como os "fazendeiros" chamam o médico quando os contratados estão nas últimas para que morram "com assistência médica" como manda a lei; e de como salvou um com “plasma sintético, extratos corticais e tudo”, e de como o fazendeiro recebeu a conta…
Luanda foi ocupada pelos holandeses de 1642 a 1648.
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