alcatruz
Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt
13.8.05
Lisboa de há 100 anos na Cordoaria. Benoliel, o primeiro fotojornalista. (LisboaPhoto 2005)
"a maioria das revoluções que se fazem em seu nome"são uma pausa para que o povo "mude de ombro e continue a suportar a costumada carga" (Goethe, citado por Eduardo Lourenço)
Imagens da revolução republicana em Lisboa e o seu tempo. O fim da monarquia, a revolução, a grande guerra, a grande decepção.
Os tipos:- os ardinas, crianças meio a brincar, meio a sério, de pés descalços e cabeça coberta. Vendiam jornais – O Século, a Vanguarda, A Nação... – que não saberiam ler. Os meninos vestiam calções e usavam sapatos e meias.
As multidões: uma manifestação de protesto contra uma lei da República – milhares de homens (só machos) todos de chapéu, raros bonés, nenhum barrete. Todos os chapéus parecem pretos (as fotos eram a branco e preto), todos ligeiramente inclinados para o mesmo lado. Foto genial; Cartier-Bresson antes dele.
Trabalhadores da fábricas à beira-Tejo; as chaminés cercavam a torre de Belém. Fragateiros em greve; proveito – magnífica imagens da fragatas varadas.
Um grupo de trabalhadores que avança – os irmãos Tavianni filmar-los-ão muitos anos depois.
A tropa fandanga: soldados e milicianos -- pouco povo e muitos burgueses, de chapéu, fato escuro, cordão de oiro a segurar o relógio no colete. O cidadão José da Costa interrompeu os negócios para apoiar a sua revolução; será avô de cavaleiros da indústria e do “honrado comércio”.
Muitas espingardas de um tiro de cada vez, para poupar e até uma lança africana.
Um grafitti (Viva a República) numa parede arruinada por um petardo.
As excelentes fotografias dos outros fotógrafos.
Os reis. Não me recordo de D. Carlos (acto falhado ? num tempo e com uma figura tão semelhante). Benoliel falhou o regicídio (a Carbonária não o avisou).
D. Manuel II, coitado, tantas vezes fotografado (para não tornar a falhar outro “instante decisivo”?), não esconde o constrangimento de se ver arvorado rei. As fardas imponentes dos grandes do reino que sorriem para o fotógrafo Benoliel (o rei dos fotógrafos, o fotógrafo dos reis), já então cientes do valor da imagem. Mais tarde serão os grandes da República que posarão para o retrato (Sidónio Pais descaradamente, Bernardino Machado, em pose de Estado enquanto PR e na partida para o exílio). As senhoras também sorriam à porta das pastelarias.
Soldados que vão para a guerra, políticos que vão visitar os generais na frente, só da guerra não há imagens.
Hoje, tudo mudou em Lisboa, salvo a arquitectura popular, os candieiros da rua e as sotainas dos padres.
Um candieiro permanece de pé, apesar de perfurado por sete tiros. Imponente.
A ver várias vezes; a figurar nos museus e a incluir nos programas dos liceus.
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