alcatruz
Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt
26.1.05
Paula Rego em Serralves
“... normalidade de uma cultura na qual o choque se tornou no principal estímulo ao consumo e uma fonte de valor. «A beleza deve ser convulsiva, ou não o é», proclamava André Breton. Chamava a tal ideal estético «surrealismo», mas, numa cultura radicalmente reformulada pela dominação dos valores mercantis, pedir às imagens para serem dissonantes, clamorosas, para entrarem pelos olhos dentro assemelha-se mais a realismo elementar, assim como a um bom sentido do negócio.”
Susan Sontag. Olhando o sofrimento dos outros. Gótica 2003.
O museu de Serralves é excelente, muito bem iluminado e com muita gente; gente demais para uma visita guiada. Aliás, uma excelente guia à exposição de Paula Rego.
Enquanto esperavam, alguns falavam de uma recente viagem a Pompeia, ainda impressionados com os moldes que reflectem as últimas formas da agonia, prevendo, sem o saber, o que se seguiria.
A guia oferecia uma interpretação das cenas dos quadros, deixando que cada um de nós apreciasse as obras à sua maneira. Profissionalmente chamava a atenção para algum detalhe simbólico; é curioso que, assim isoladas, pareciam ridículas, a negação do "kitsch" segundo Kundera *.
Alguns distraiam-se, procurando interpretações freudianas. Em vez de apreciar os quadros, dedicavam-se a interpretar as motivações subjacentes; em vez de tentar fruir as obras, psicanalisavam a autora de forma canhestra, que a isso se prestava, enfrentando-nos dos seus vários divãs estupefacientes.
Qual o interesse de recordar os exilados ricos em Cascais, durante a guerra?
Qual o interesse na pedofilia do rei deposto que se esconde por detrás da brancura de neve da negra doceira baiana?
Porque razão seria escocês o padre Amaro?
Que sentiria o modelo ao ver-se tão fotograficamente retratado nesse personagem? Qual a oportunidade do padre Amaro em plena época de liberdade sexual ?
Qual a razão de elevar o voyeurismo ao estatuto de arte?
Qual a distância entre arte e panfleto?
Como interpretar a alusão ao Império colonial numa perspectiva de Portugal dos Pequeninos para adultos?
Como interpretar o quadro encomendado para ridicularizar a guerra colonial onde o militar é risível e as pretas são brancas e de soutien?
Os comentários continuavam pelo que não pude apreciar a exposição; um pesadelo que só terminou com o fim da exposição, que já terminou.
Tive pena; tanta gente viu que a TV diz ter apreciado. Tenho que esperar pelo próximo, sobre o maremoto do Índico, dizem.
* O "kitsch" santanista. http://portugaldospequeninos.blogspot.com/
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