alcatruz

Alcatruz, s.m. (do Árabe alcaduz). Vaso de barro e modernamente de zinco, que se ata no calabre da nora, e vasa na calha a água que recebe. A. MORAIS SILVA. DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA.RIO DE JANEIRO 1889 ............................................................... O Alcatruz declina qualquer responsabilidade pelos postais afixados que apenas comprometem o signatário ...................... postel: hcmota@ci.uc.pt

29.5.09

 
Reinar à Assembleia da República

Mais uma vez os deputados não conseguiram entender-se para eleger o Provedor de Justiça.
.
Há trinta anos João Abel Manta retratava a canalha a reinar à “Assembleia Constituinte”; agora, farta de "reinar", amuou.

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Portugal, cuja ocupação geral é o queixume.

Estudantes têm “receio de sofrer represálias dos professores”
«Temos eleições distintas para os corpos docentes e para os alunos, mas a verdade é que elas estão a tocar-se»

* Primeiro foram os senhores procuradores, membros de órgãos de soberania que, sentindo-se pressionados, se foram queixar ao sindicato que ameaçou queixar-se ao PR.
Agora são os estudantes universitários que, para eleições dos seus corpos autónomos, se queixam de pressões dos professores aos futricas.
Até
MMG se diz cansada e desgastada com a “estratégia de pressão” montada pelo Executivo socialista e diz-se assustada por “algumas atitudes” de José Sócrates.
Coitado do hipopótamo.

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Receita racional

Temo que, esta proposta não vingasse. Protestaria a indústria e o comércio farmacêuticos (APIFARMA e ANF) contra este ataque à actividade económica nacional; protestariam os sindicatos do sector pelo risco de desemprego. Os partidos respectivos apoiariam as reivindicações, acusando de “economicismo” quem as propusesse.
Os genéricos não levantam tantos problemas; receitem, pois, genéricos.

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Testamento vital

Um testamento vital é um documento em que consta uma declaração antecipada de vontade, que alguém pode assinar quando se encontra numa situação de lucidez mental para que a sua vontade, então declarada, seja levada em linha de conta quando, em virtude de uma doença, já não lhe seja possível exprimir livre e conscientemente a sua vontade.

* Se o que se pretende é evitar tratamentos fúteis ou a obstinação terapêutica, aplaudo com ambas as mãos; se se estendesse esse sensato objectivo às pessoas (doentes e médicos) “em situação de lucidez mental que permita uma decisão livre e esclarecida” nas consultas diárias (uma receita racional) resolver-se-ia o défice do SNS às farmácias, sem necessidade de genéricos e sem que a qualidade de vida dos doentes fosse afectada.

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28.5.09

 
3 dias no Parque Natural do Douro Internacional
.
Fresta da Torre do Galo heptagonal
com pedras, siglas, cruzes
e o Freixo de Espada à Cinta.
Aqui não chegam ecos da campanha, nem da crise financeira, nem das artimanhas do BPN e do BPP ou dos escândalos da justiça.

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Para fugir à crise

3 dias no Parque Natural do Douro Internacional
Freixo de Espada à Cinta

Um neto do feitor de Guerra Junqueiro
de cabeça coberta e forcado à mão.
Uma albarda nova com alforges.
Um macho de cilha à cinta
e orelhas sonotrópicas.
Num sábado morno, nem um nem outro
pensam nas europeias.

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3 dias no Parque Natural do Douro Internacional


Freixo de Espada à Cinta

Link
 
Intervalo

... é um palco à altura das crises modernas, o intervalo. Miguel Gaspar. Público 28-5-2009

27.5.09

 
O que diz Morelia
Oiçam com atenção que uma das mensagens é descaradamente subliminar.

Aeroporto - Check in É aqui que a aventura começa! No Aeroporto os passageiros fazem o seu check-in, passam pela zona de controlo...
ATM Os cidadãos podem levantar o dinheiro que têm nas suas contas bancárias e também consultar o saldo...
Bissaya Barreto criou em Coimbra o genial Portugal dos Pequenitos; o Dolce Vita adoptou a ideia ao seu mundo - é o Bazar dos Consumidoritos.

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Televisão é perigosa
para bebés com menos de dois anos

A TV "é um aparelho que pode ser desligado". E compara: "Não se tem a torneira aberta à espera de alguém que deseje lavar as mãos”. O pediatra Mário Cordeiro.

* Melhor, a TV é perigosa para todos mas muito mais para bebés ou adultos embebédados.
A imagem do Mário Cordeiro é óptima - a TV como prostíbulo.
Serve também para outros usos desleixados – porta aberta, luz acesa, mesa, montra...

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A rã e o lacrau
Para COMBATER A CRISE a SIC faz publicidade ao Dolce Vita

Mesmo na auge da crise, o sistema que a criou promete resolvê-la com pêlo do mesmo cão -- a reciclagem do mesmo dinheiro; e há quem acredite na centenária pirâmide de enganos de Ponzi, o conto do vigário de D. Branca ou Madoff.
Na fabula da rã e do lacrau, a rã é a ingenuidade e o lacrau a ganância; e há quem se preste a publicitar a banha de lacrau como se fora notícia.

É triste vermo-nos limitado a um sistema que radica no modelo neoplásico; pelo menos não se pode deixá-lo à solta.

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Hospitais portugueses do SNS
avaliados pelos seus utentes


A
Administração Central do Sistema de Saúde em parceria com o Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação da Universidade Nova de Lisboa procedeu, pela terceira vez, à Avaliação da Qualidade Apercebida e da Satisfação dos Utentes dos Hospitais do Serviço Nacional de Saúde. Pelo telefone foram inquiridos utentes de mais de 15 anos.
.
. *Os resultados são muito lisonjeiros para o SNS, tanto mais que não avaliaram os Serviços de Pediatria; não são bons mas são muito melhores que a imagem que os media e os feitores de opinião nos instilam. Os menos satisfeitos são os utentes das Urgências (apenas um valor médio de satisfação de 68 – variando de 55 a 81) como seria de esperar num país ansioso " em que a ocupação geral é estar doente...” (Eça 1888); também como se esperava, é o tempo de espera que mais mal avaliado é (64).
A satisfação dos utentes das Consultas tem uma média de 77.1 (de 67 a 89) e também aqui é o tempo de espera que mais mal avaliado é (69).
O grau de satisfação é maior no Internamento – 82 (de 74 a 94), onde a maior queixa é a alimentação (73), como seria de esperar de quem está doente.

Não houve diferença entre hospitais EPE E SPA.
.
Se os valores absolutos são bons embora muito pior do que se deseja, são muito melhores que os obtidos por outros Serviços avaliados por processos idênticos: o Internamento e mesmo as Consultas Externas têm muito melhores cotações que os Telemóveis, a Banca e os Combustíveis; o grau de satisfação na Urgência hospitalar é semelhante aos dos Seguros e melhor que os Telefones fixos, Internet, Transportes públicos de Lisboa e Porto e a TV por cabo.
Isto apesar destes serem serviços pagos e geridos por empresas privadas que até há pouco eram tidas como exemplo de atenção à satisfação do cliente.
É significativo que os media portugueses ainda não tenham feito referência a estes dados objectivos e muito menos chamá-los à primeira página ou a abrir telejornais.
A TVI preferiu passar a excursão de médicos à Malásia a convite de uma empresa de medicamentos sem, ao menos, ter verificado se as vendas dos respectivos medicamentos teriam aumentado nos meses seguintes. Critérios.

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26.5.09

 
Os media portugueses

O que não está à vista de todos - e por isso é bastante mais perverso - são os jornalistas que calam, que não arriscam, que se retraem com medo das consequências. João Miguel Tavares

Se os media não respeitarem o dever de informar, como é que os cidadãos realizam o seu direito à informação?
Vem isto a propósito das frequentes situações em que no debate político se suscitam polémicas que envolvem dados de facto, e não opiniões, e em que os órgãos de informação se limitam a dar a versão de uma das partes, normalmente a oposição, omitindo a versão da outra parte, usualmente o Governo, muito menos sem cuidarem de investigar por si o caso em causa, de modo a esclarecer a opinião pública de forma objectiva e independente dos ponto de vista em confronto
.
Vital Moreira. Público 26.05.2009

* Calar ou badalar é fácil; difícil é "investigar por si o caso em causa" de forma rigorosa e isenta.
...Para poder ter opiniões e não apenas bocas.

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Os media portugueses

... um desejo de incomodar, de denunciar, de escarafunchar, de meter o nariz nos podres do poder que a comunicação social portuguesa precisa como de pão para a boca.
O facto de ela despejar o frasco da demagogia por cima de todos os textos que lançam as peças, sempre com aquele tonzinho de "isto é tudo uma corja", não significa que as notícias do Jornal Nacional, em si, não sejam relevantes.
Dir-me-ão que aquilo é desequilibrado e injusto. Muitas vezes, sim.
Ora, esse "deixa cá ver de que forma é que eles vão estragar o fim-de-semana ao primeiro-ministro" é de uma enorme importância num país como Portugal. João Miguel Tavares

* O purgante: de como fazer uma crítica corrosiva sob a forma de uma terapêutica necessária.
..O clister: de como revelar os piores defeitos de uma jornalista rebuçado pela utilidade.

Bipolar: o diagnóstico dos jesuítas e de João Abel Manta
.
E o reitor de no Colégio dos Jesuítas em Coimbra escreve ao P. Geral, em 1573: O problema ...
“ es la gente de Portugal ser demasiadamente inclinada a extremos de manera que si a de hazer penitencia de veras, a de ser demasiada, o sino, a de hacer ninguna".
Agustina. O Mosteiro? Não tenho a certeza.

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A diferenciação ideológica entre PS e PSD

...vários estudos académicos comparativos (1989-2004), baseados quer em percepções dos eleitores, quer em inquéritos a especialistas, evidenciavam que a diferenciação ideológica entre o PS e o PSD era comparativamente muito baixa.
Entretanto, na era Sócrates, há várias indicações de aprofundamento dessa situação: por exemplo, a jornalista Helena Pereira evidenciou recentemente que o PSD (61%) e o CDS (52%), ao contrário da esquerda (BE e PCP: 44 e 38%), aprovaram a maioria das "276 leis e iniciativas socialistas" apresentadas entre Março de 2005 e meados de Maio de 2009 (Sol, 16/5/09). André Freire Público 25 -5-2009

*O que é que estes dados têm a ver com diferenciação ideológica? Nada pior à defesa de uma tese que um argumento disparatado.
É o que acontece quando se pretende demonstrar o óbvio.

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Longe, muito longe, longíssimo,
superlativos absolutos de longe da realidade


As provas de aferição "estão longe da realidade desta escola".
"O essencial de Bolonha está longíssimo de ser cumprido". Público 21.05.2009

*Outros exemplos de amplos intervalos de confiança no ensino.

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Média com amplos intervalos de (pouca) confiança

Os sindicatos afirmam que a adesão dos professores à greve nas duas primeiras aulas variou entre os zero e os 100%, enquanto o ministério destaca que só 9% dos professores faltaram ao trabalho.

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25.5.09

 
Para fugir à crise
3 dias no Parque Natural do Douro Internacional

Calçada de Alpajares ***
Poiares, Freixo de Espada à Cinta
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Uma nova vinha ao longe; dois pombais. Xisto e líquenes. Flora "mediterrânea", espontânea.
Por que diabo me lembrei de Machu-Pichu em Alpajares?
Pelas alturas, pelo silêncio, pela solidão?
Nunca lá estive mas, por alguma razão o evoquei.
Quando soube que já aqui esteve o pólo Sul mais reforcei a crença.
É certo que confundi o Peru com o Chile mas a distância é pequena vista de tão longe.

Não ouvem o silêncio?

Todo es silencio de agua y viento.

Escucha el susurro del aire

No hay nadie. Trina la diuca
como el agua en la noche pura.
Cruza el Cóndor su vuelo negro.

No hay nadie.
Escucha.
Escucha el árbol, escucha el árbol araucano.

No hay nadie. Mira las piedras. Mira las piedras de Arauco.

No hay nadie, sólo los árboles. Sólo son las piedras, Arauco.

Sou só eu que oiço o eco de Mario Lorca, do Aparcoa,
declamando o Canto General, de Neruda?

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Para fugir à crise
Meia hora depois chegou o cortejo lá abaixo ao ribeiro.
.
O regresso seria feito em autocarros para o almoço – um porco assado num espeto instalado a poucos metros de dois túmulos escavados no xisto; o folhado oblíquo da rocha ajudaria a escoar os humores milenares.
Próximo, uma geóloga mostrou-nos uma outra rocha com os rastos de trilobites de há muitos milhões de anos, muito anteriores aos dinossauros, quando Alpajares estava no fundo mar e por aqui ficava pólo Sul; seguramente outra obra do diabo.
Quantos portugueses já terão ido a Machu-Pichu sem ter vindo a Alpajares - Burro-Pichu?

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Para fugir à crise
3 dias no Parque Natural do Douro Internacional

Meia centena de caminheiros reconstituiram um trajecto antigo; a calçada desce em socalcos uma íngreme encosta para atingir o ribeiro do Mosteiro, 200 m lá em baixo.
Teria servido para recurso de um castro, mais tarde romanizado e depois cristianizado (Castro de S. Paulo) e continuado durante séculos como via de acesso ao estreito vale onde corre a água e se cultivam hortas.
Era por aqui que um dos caminheiros de Freixo de Espada à Cinta ia tomar o comboio a Barca d’Alva para Bragança, onde estudava. Sem boolsa de estudo nem ajudas de custo.
"Esta calçada tem cerca de 800 metros de comprimento. É formada por uma série de 28 patamares de forma rectangular, empedrados com seixos rolados e limitados, acima e abaixo, por fiadas de pedras postas ao través formando pequenos degraus. Aos lados e a meio dos patamares outras fiadas de pedras".
A calçada desce-se muito bem num fresco dia de Primavera; imagino o que será subi-la no Verão. Na verdade, a calçada teria sido feita pelo diabo a pedido dum moleiro cansado de pedir a S. Paulo em vão e descrente dos poderes públicos, a troco da primeira cria que nascesse.
A obra foi feita numa noite pelos mafarricos e, logo depois, por obstétricas artimanhas do demónio, a mulher pariu mais cedo que a prevista porca.
O homem ficou apavorado mas a mulher salvou a situação. “Despiu-se toda, esgadilhou-se e pôs-se de cúcaras”. Quando o diabo a viu, desistiu da paga: “Não tens barba, tens o rabo na cabeça e ó bigode ao pé do cu”. O calor do Verão é a vingança do diabo enganado.
É um velhote que conta o sucedido para um vídeo-jornalista que pediu que contassem
a história para a “câmara”, de preferência “alguém do povo.”
A história é saborosa, a língua vernácula e o desfecho curioso. O cronista já estava escaldado; já tinha contado mas a TV não a tinha passado, apesar de “não ter mal nenhum”.
Os caminheiros estavam acompanhados de burros mirandeses e gaiteiros das Terras de
Miranda - uma gaita-de-foles e um tambor a servir de bombo.
A toda a roda só arbustos; terrenos cultivados só uma vinha nova ao longe; dois pombais.
Quantos portugueses já terão ido a Machu-Pichu sem ter vindo a Alpajares?

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Educação sexual deve começar ao «ano e meio»

J. Pinto da Costa explica que as crianças têm de ser preparadas para se defenderem de crimes sexuais.
*Mas não se sabe a que idade se deve parar.

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24.5.09

 
Direito de resposta

Soares considera Bloco Central inoportuno. Público 24.05.2009
Bloco Central considera Soares inoportuno.

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"Mande sair o Ministério da Aplicação, em voz alta."

"Mande sair os alunos, lendo em voz alta: Podem sair. Obrigado(a) pela vossa colaboração"! O "manual de aplicação" "é muito útil" e "absolutamente necessário" para assegurar igualdade. Ministra da Educação.

*"Mande sair o Ministério da Educação, lendo em voz alta: Podem sair. Obrigado pela vossa colaboração"!
Nada pior para uma boa causa que um mau argumento.

Por que diabo se agradece a colaboração dos alunos numa prova de avaliação final? Mesmo a deste Ministério é discutível mas dou-lhe o benefício da dúvida - acredito que fizeram o que entendiam justo em favor doutros.

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É escolinha, de facto

Graças ao domínio da língua portuguesa que hoje se considera aceitável em crianças do 12.º ano, não me foi possível apurar com clareza os motivos do protesto. Porém, um ou outro estudante erudito conseguiu balbuciar qualquer coisa acerca de umas obras no recinto, pelos vistos pretexto suficiente para uma visita do primeiro-ministro e, em contrapartida, para intitular o primeiro-ministro de "fascista. Alberto Gonçalves.

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23.5.09

 
Para fugir à crise
3 dias no Parque Natural do Douro Internacional

O pombal vazio

Um pombal em ferradura, típico desta zona; recuperado mas vazio. Os insecticidas erradicaram as "pragas" e os pombos que delas dependiam.
As bactérias simbióticas da flora intestinal são os "nossos" pombos.
PS. Corrijo: os pombos somos nós.

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Uma entrevista que a sexta-feira não irá esquecer

Por acaso passei pela TVI e zap, dou comigo a “ouver” a trepa que Marinho Pinto deu a MMG no púlpito dela, em directo e em horário nobre; era por isso mesmo que eu esperava e que bem me soube vê-lo feito por alguém na dupla qualidade de jornalista e advogado.
Só percebi a veemência da crítica depois de ler o que MMG tinha dito antes de eu ter começado a ver. “Bufo” era o pior insulto que se podia dirigir a alguém.
Já não me sentia tal empatia por uma intervenção pública desde as canções de Zeca Afonso ou os discursos de Vasco Gonçalves.

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22.5.09

 
Para fugir à crise
3 dias no Parque Natural do Douro Internacional
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O Grande Desfiladeiro. - O rio Douro é, segura­mente, o rio mais impressivo e rico de grandiosas perspecti­vas do velho mundo. No entanto -, apesar de tudo quanto tem sido escrito e publicado, desenhado e divulgado-, parece não ter tido ainda a fortuna de encontrar um verda­deiro escritor ou pintor que eternize a sua estranha e tácita beleza. Junqueiro, que tantos anos viveu junto deste vale, que o percorreu dezenas e dezenas de vezes, que calcorreou os seus pendores - , não o viu. Antero cremos que nunca o avistou senão junto do Porto. António Nobre apenas o con­templou da Foz. Raul Brandão só lhe viu a grandeza nos dias de temporal, do alto da Cantareira, sonhando no Avô, alto e louro como ele, desaparecido no mar. Pascoais apenas o conheceu, pode dizer-se, o seu último filho: o Tâmega. Camões jamais o avistou. Eça olhou-o com os olhos de Jacinto. Em resumo; nenhum escritor ou poeta português teve a fortuna de abrir decididamente os olhos para a pujança, a austeridade, a força telúrica deste estranho desfi­ladeiro aberto por esta serpente milenária vinda dos Montes Ibéricos! Sant’Anna Dionísio. Guia de Portugal.
Nos anos 50 não fala em Torga que o definiu bem como «um poema geológico» e lamenta ver dividir-lhe orações: "O Doiro entoirido pelas primeiras barragens. É como se na minha própria aorta se formassem aneurismas.” (Diário VIII
); Saramago, na Viagem, descreve a “pedra amarela” de Miranda mas não terá feito o mais fantástico cruzeiro da Europa.
.
Arribas a pique, altíssimas onde apenas alguns arbustos conseguiram agarrar-se e pouquíssimas árvores sobrevivem; nos ramos secos de uma, um enorme ninho. Os líquenes amarelo-enxofre contrastam com o cinzento e ferrugem do granito. Lá em cima, coroas de giesta. Ruído, só o do barco cheio de espanhóis que era feriado em Madrid; um bom guia que nos obrigava a ir sentados. Foi pena que esta viagem deve fazer-se de pé.
Imponente, majestoso, solene, fantástico; até os espanhóis iam calados... e sem máscara.
Antes da barragem só os contrabandistas se atreviam a atravessar o Douro nesta garganta; não há lusíadas desta epopeia de tormentas sem cabo.
Cruzeiro a não perder e a repetir num barco silencioso, sem motor, sem bancos e sem guia. Só se tolerarão auscultadores individuais para grandes sinfonias ou concertos de órgão.
A Sé da Miranda é a única obra humana cuja sombra atinge a outra margem.
O cruzeiro dura uma hora, o tempo exacto para se ficar com pena de já ter acabado.

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Tele-leucotomia software

Subitamente o meu computador ficou sem acesso à net; recebia e enviava e.mails, tudo o resto funcionava bem excepto a ligação à teia.
Fiz o habitual: repetir, desligar esperar e tornar a ligar mas nada. A menina do SAPO-ADSL atendeu-me muito bem, guiou-me compaciência nos passos complicados do restauro mas a nada o bruto se movia: “O Internet Explorer não consegue mostrar a página web”. Enviou-me para um perito que, cortez e paciente perante a minha ignorância, lá me foi tentando ajudar no “check-up” e a expurgar a máquina de todos os ficheiros transitórios mas sem sucesso. Desistiu e aconselhou a consultar um técnico local.
Assim fiz; liguei para o Sr. Luis Miguel, da Trífida que, perante as queixas e o que já tinha sido feito, me aconselhou a desligar a ficha do Speed-Touch e a voltar a ligar um minuto depois ... e tudo voltou ao normal.
Explicou-me a razão que, salvo erro, era semelhante à hipótese que levou Egas Moniz a tentar a leucotomia pré-frontal nas graves psicoses refractárias com exame neurológico normal – desconectar ligações nervosas em curto-circuito irreversível.

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21.5.09

 
Cobaiadas
na antiga Praça de Touros de Viana

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Para fugir à crise
3 dias no Parque Natural do Douro Internacional

Algosinho
A magnífica cachorrada da igreja.

A lagarta da flor; a ave- anjo; a mulher.Vs.Vs Vs


Passavam dois homens, pai e filho; aquele guiando um carro de bois, este com um molho de erva às costas.
- Sabem quem tem a chave?
- Eu não sei... disse o filho.
- Eu trato disso... disse o pai e assim fez.
- Mandei estudar os filhos mas este resolveu regressar à aldeia e criar gado, lamentou o pai...; tem 40 vacas, atenuou.
Conhecia muito bem a igreja e o processo o restauro; foi uma sorte tê-lo encontrado.
- Desta igreja vêem-se sete outras; são as sete irmãs. Uma é espanhola mas prefere olhar para cá; de cada vez que a orientam para Espanha, aparece “ocidentalizada” para Portugal.

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Para fugir à crise
3 dias no Parque Natural do Douro Internacional

Algosinho
Bela igreja românica (
tardo-românica) muito equilibrada a ver ao fim dum dia de Sol que entra pela portal e pelo óculo. Magníficos tufos de musgo nos contrafortes Norte (Maio).
Pavimento rebaixado com escadório interior, escavado na rocha deixada tosca junto a uma pia baptismal esférica. Intenção ou acaso?
Todo o chã é feito de lajes sepulcrais, cada uma com sua fenda para a levantar.
Colunas grossas com singela decoração floral nas bases. Um púlpito com data de 1797.
Dois quadros recuperados durante o restauro; mal se notam os pormenores mas valem a pena.

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"Portugal 2009"
SIC 20-5-2009

Para avaliar o estado da saúde em Portugal, a SIC não achou melhor que centrar-se no Hospital da Luz , o “mais moderno” hospital privado, um “verdadeiro hotel de *****” que “custou milhões de euros” e “está equipado com o melhor que há” e oferece cuidados sofisticados como o demonstra a Unidade de Cuidados intensivos para recém nascidos.
Como está “convencionada com a ADSE”, “já não é só para quem pode pagar bem...”
Uma promoção em forma de notícia com critérios de "novo rico".
A propósito da alegada falta de médicos, foi dito que nos anos 70 entravam 800 alunos em Medicina contra os 400 de agora. Isto é um erro clamoroso; só em Coimbra entraram 240 alunos este ano e, em Portugal há mais seis Faculdades de Medicina.
Que confiança merece quem erra desta maneira? Este é, infelizmente, um exemplo da falta de rigor do “Portugal 2009”.

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20.5.09

 
Para fugir à crise
3 dias no Parque Natural do Douro Internacional

Brunhosinho (Bemposta)
A igreja DE 617 com lanternas de 1928 * para as procissões nocturnas. “Pena que o padre não esteja, que até lhas vendia, que já falou em deitá-las fora, de tão velhas”.

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Uma cegonha/picota ainda completa e em uso cruzada de fios eléctricos.
Cavar, semear, colher ou tirar água são cerimónias de uma liturgia religiosa de sociedades agrícolas - vénias repetidas de homenagem à Santa Água ou a deusa Terra. Tal como as procisões - os homens com as cruzes às costas; as mulheres com as oferendas à cabeça e os filhos ao colo.
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* Em Lisboa, Salazar assumia a pasta das Finanças, cujo principal objectivo era o de alcançar o "equilíbrio orçamental" o mais depressa possível. Foi promulgado o Código do Trabalho dos indígenas das colónias de África.
António Simões Rodrigues. História de Portugal em Datas 1994
Oitenta anos depois o mesmo desígnio de um país com mais olhos que cabeça.

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Para fugir à crise
3 dias no
Parque Natural do Douro Internacional

Brunhosinho (Bemposta)
Mais exemplos da sólida arquitectura popular – o granito colorido pelo barro ferrugento; a fresta isósceles.

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Uma varanda florida da casa de sólida parede de legos de granito; o portão com remendos de chapas oxidadas.

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Sociobiologia atrevida

Nationjacking
"... assiste-se ao facto de crimes cometidos em série, de forma mais ou menos homogénea, terem por autores indivíduos de nacionalidade estrangeira, sem ligações ao território, ao qual parecem ter vindo apenas para a prática de tais actos". Conselho Superior da Magistratura.

*Factos semelhantes têm sido cometidos por tugas, parasitas de nacionalidade portuguesa com antigas ligações ao território. É uma nova epidemia estrangeira e recrudescimento da endemia nacional; os ascaris lumbricoides a competir com as bichas solitárias, nossas.

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19.5.09

 
Quanto vale um voto

Cada partido vai receber, nas próximas legislativas, 3€ por cada voto individual.

* Quantos mil reis serão? Não há forma de fugir à crise.

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Para fugir à crise
3 dias no Parque Natural do Douro Internacional

Urrós
* Sólida arquitectura popular. A torre sineira laica; chamava os vizinhos para os trabalhos comunitários — estradas, levadas...
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* Para evitar acidentes, a Junta terá mandado entulhar e calcetar os sepulcros escavados na rocha; os olhos são trabalho de Photoshop.
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* 1838, o ano da Constituição; durou 4 anos, quando Costa Cabral restaurou a Carta.
A porta durou até hoje, como atesta a data na pedra.
Foi ano de lei eleitoral; para ser eleitor era necessário ter mais de 21 anos e possuir um rendimento anual superior a 80 mil reis. António Simões Rodrigues. História de Portugal em Datas 1994

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Para fugir à crise
3 dias no Parque Natural do Douro Internacional

Barca d’Alva, estação términus do desleixo da CP

Na estação abandonada vive uma família cigana; numa tarde de sábado, uma mulher e três crianças aproveitam a sombra da tarde morna. Os homens deverão andar na vida. Lá dentro, as portas escancaradas deixavam ver o vazio e o que fora a linha do Douro onde há muito só passa o vento que ondula a erva crescida.
Portas e janelas sem vidros, roupa a secar em cordas estendidas no que foram as salas de espera das três classes, as bilheteiras e a sala do chefe da estação. Lixo e desleixo; lixo é desleixo por síncope do segundo e.
Desocupadas só as salas da Guarda-Fiscal e da “Alfândega” (não procurei a da PIDE/DGS); desocupadas mas igualmente abertas, abandonadas, sem qualquer móvel.
Toda a estação (de arquitectura simples, numa decadência que, de fora, parecia magnífica ao pôr-do-sol) está abandonada, suja, esventrada, entregue à bicharada.
Tão desleixada está a zona que os ciganos ocuparam quanto a que a CP(Refer?) desprezou.
Era a primeira estação portuguesa que recebia quem chegava de Espanha e se despedia de quem para lá partia. Uma terra que não merece o belo nome que tem.
Com o fim do comboio, resta a estrada e o barco para cruzeiros no Douro; os socalcos de vinhas novas chegam até aqui.
Na margem espanhola, as escombreiras de uma mina chagam.
Não se pode fugir à crise.

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Dia Internacional dos Museus

Alexandra, uma criança de seis anos, é hoje entregue à mãe biológica pela família de acolhimento com quem viveu durante quase cinco anos. Filha e mãe serão repatriadas para a Rússia por decisão do Tribunal da Relação de Guimarães onde irão viver com a avó e irmã de 15 anos que a progenitora abandonou há anos.
Secretária de Estado lamentou: "Certas atitudes em nada beneficiam as crianças". Público 19-5-2009

*Por decisão de um tribunal português, uma criança de seis anos vai ser desterrada para um país que desconhece, viver com gente que nunca viu, falar uma língua que ignora, à guarda da mulher responsável pela pena a que foi condenada.
Se tivesse ido de comboio, partiria do Porto (deportada), poderia servir de modelo a Soares do Reis e sairia de país onde nasceu por Barca d’Alva.

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18.5.09

 
Para fugir à crise

3 dias no Parque Natural do Douro Internacional
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Muitas oliveiras são plantadas em degraus na escosta, como que em peanhas de gigantesco presépio de um santuário rupestre à deusa oliva.


Com a electricidade ambiente, as oliveiras produzem azeite já envasilhado.
Seria curioso comparar o gráfico da evolução do PIB com o da produção de azeite ou das variáveis meteorológicas.

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